A Receita Federal projeta arrecadar R$ 200 bilhões em 2026, impulsionada por um novo modelo de “cobrança amigável”. A estratégia combina autorregularização de devedores ocasionais com medidas rigorosas contra devedores contumazes, resultando em uma arrecadação recorde de R$ 289 trilhões em 2025.
Detalhes da Nova Estratégia
Na manhã de quinta-feira (22), o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, apresentou a nova abordagem que visa transformar a atuação do órgão. Ele destacou que 2026 marca uma mudança significativa, abandonando a postura reativa e repressiva em favor de um Fisco mais proativo, que busca prevenir problemas e orientar os contribuintes.
“O ano de 2026 vai ser um ano de mudança de paradigma e de postura da Receita Federal”, disse Barreirinhas. A estratégia inclui um diálogo contínuo com os contribuintes e um tratamento diferenciado, concentrando rigor na fiscalização de devedores contumazes. O objetivo é aumentar a arrecadação e evitar conflitos judiciais prolongados.
Implementação da Cobrança Amigável
A cobrança amigável, que já havia sido uma diretriz da Receita, foi formalizada na Lei Complementar 225, sancionada recentemente. Em fevereiro de 2024, o governo havia enviado um projeto ao Congresso para beneficiar bons contribuintes, mas a proposta alterada para incluir a cobrança amigável foi aprovada em dezembro pelo legislativo.
Pilares da Nova Abordagem
O modelo de cobrança amigável se baseia em cinco pilares:
- Orientação como regra para prevenir irregularidades;
- Ausência de multas para bons pagadores;
- Autorregularização para contribuintes adimplentes;
- Penalidades menores para contribuintes médios;
- Atuação rigorosa contra devedores contumazes e crimes tributários.
Expectativas de Arrecadação
A seguir, os valores arrecadados nos anos anteriores por meio da cobrança amigável:
- 2022: R$ 130,5 bilhões;
- 2023: R$ 146,6 bilhões;
- 2024: R$ 171,2 bilhões;
- 2025: R$ 177,5 bilhões.
A expectativa da Receita Federal é consolidar essas novas diretrizes, alcançando R$ 200 bilhões em 2026.
Foco nos Devedores Contumazes
A Receita planeja reforçar a fiscalização sobre os chamados devedores contumazes, que, segundo o Fisco, utilizam a inadimplência como uma estratégia de negócio. Apesar de poucas empresas se enquadrarem nessa classificação, elas devem bilhões ao governo.
Atualmente, são consideradas devedores contumazes:
- 15 empresas inativas, com R$ 23,1 bilhões em débitos;
- 7 empresas irregulares, com R$ 15 bilhões;
- 13 empresas regulares, com R$ 4,6 bilhões.
Barreirinhas destacou que a nova legislação deverá aumentar as punições e coibir práticas de sonegação, especialmente no setor de cigarros, que concentra uma parte significativa dos devedores. “São recursos que deixam de ir para saúde, educação e previdência. Essa realidade precisa mudar”, concluiu.
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