Publicado em
31/07/2025 às 14:23
Relâmpago de 829 km nos EUA bate recorde mundial
Um estudo recente confirmou o registro do maior raio da história, que percorreu a impressionante extensão de 829 quilômetros, equivalente à distância entre Curitiba e o Rio de Janeiro. O fenômeno, observado em 2017 durante uma tempestade no Centro-Oeste dos Estados Unidos, recebeu a validação oficial por meio de análises de imagens de satélites.
O raio foi captado pelo satélite GOES-16, operado pela NOAA (Agência Nacional Oceânica e Atmosférica), e teve uma duração de 7,39 segundos. Este dado foi ratificado pela Organização Meteorológica Mundial e publicado no Bulletin of the American Meteorological Society. O recorde anterior, de 709 km, ocorreu em 2018 e afetou partes do Brasil e da Argentina, mantendo ainda o título de raio mais longo em duração, com 17 segundos.
O que são os mega-raios?
Diferentemente dos raios comuns, que duram apenas milésimos de segundo e têm caminhos curtos, os mega-raios podem durar vários segundos e se estender por centenas de quilômetros. De acordo com especialistas, esses eventos são raros, ocorrendo em apenas 1 a cada 1.000 tempestades.
No caso do raio recordista, sua origem foi uma tempestade convectiva extensa, caracterizada por potentes correntes ascendentes e uma grande quantidade de gelo e água nas nuvens. Essa combinação resulta em camadas horizontalmente carregadas, que, ao desmoronarem, geram descargas elétricas de enormes proporções.
Onde os mega-raios costumam ocorrer?
Os locais mais frequentes para a ocorrência de mega-raios são o Centro-Oeste dos Estados Unidos e o sudeste da América do Sul. A região sul do Brasil, Paraguai e norte da Argentina foram palco do recorde anterior.
Segundo Michael Peterson, líder da análise, esses mega-raios “são como folhas de papel eletricamente carregadas que se estendem por centenas de quilômetros, mas com espessura mínima”. Esse fenômeno se dá na troposfera, até 11 km de altitude, onde as partículas não conseguem subir mais, criando condições ideais para essas descargas.

Historicamente, medições desse tipo eram imprecisas, baseadas em redes terrestres que detectavam sinais de rádio emitidos pelas descargas. No entanto, com os avanços dos satélites geoestacionários como o GOES-16, tornou-se possível mapear, em milissegundos, o início, percurso e duração exata do raio, alcançando todo o continente.
O GOES-16 registrou 116 picos de descarga ao longo da trajetória do raio recordista, coletando dados detalhados sem precedentes. Essa precisão é essencial para a criação de bancos de dados e modelos climáticos que permitem prever e mitigar riscos relacionados a incêndios florestais, quedas de energia e acidentes.
Importância do estudo dos mega-raios
Conforme o climatologista Randy Cerveny, é provável que existam relâmpagos ainda maiores por ser possível que novas medições venham a quebrar o atual recorde. O estudo destes fenômenos contribui para uma melhor compreensão da formação de tempestades extremas, resultando em alertas mais eficazes e estratégias de proteção para áreas vulneráveis, tanto urbanas quanto rurais.
Além disso, os mega-raios possuem um potencial energético capaz de causar incêndios florestais, impactar sistemas elétricos e até interferir no tráfego de aeronaves. O monitoramento desses eventos, portanto, está diretamente relacionado à segurança pública e ao meio ambiente.
Você já presenciou um raio de grandes proporções? Acha que eventos extremos como esse estão mais frequentes? Compartilhe sua experiência nos comentários — queremos ouvir quem já viu o céu se transformar em luz.
