Projeção de inflação para o final do ano sobe: o que seus investimentos tem a ver com isso?

Inflação e agora?

O mundo está vivendo uma das inflações mais altas dos últimos tempos. Diversas economias desenvolvidas estão sofrendo as consequências das medidas econômicas expansionistas realizadas durante a pandemia e dos reflexos da crise geopolítica entre Rússia e Ucrânia. No Brasil, a inflação medida pelo índice IPCA atingiu 12,13% em abril desse ano, seu maior patamar desde 2002. Antes disso, esse indicador atingiu 2 dígitos somente em 1995.

inflação
Dinheiro, Real Moeda brasileira

A taxa básica de juros brasileira segue caminho semelhante. Atualmente está em 12,75% ao ano, sendo que a última vez que chegou nesse mesmo nível foi em 2017. “É difícil acreditar que a inflação poderá recuar dos atuais 12 para menos de 8% em 8 meses. Pelo menos não com as perspectivas de novas revisões de preços e repasses que ainda não chegaram ao consumidor final”, aponta Mariana Gonzalez, especialista em mercado financeiro do ISAE Escola de Negócios.

A especialista explica que controlar a inflação, ou tentar reduzir, é a principal razão da elevação da taxa SELIC. “Ela funciona como freio de atividade econômica, tornando o custo do dinheiro maior, ou seja, fica mais caro financiar uma casa, pegar um empréstimo, investir em um negócio etc. Já com o consumo desestimulado, a tendência natural é que a inflação comece a reduzir”, comenta.

Em contrapartida, quando o assunto é investimentos, estamos vivendo um momento altamente propício. “A taxa SELIC, que deriva a taxa CDI, e o IPCA são os principais índices na renda fixa e ambos estão em seus momentos mais elevados em muitos anos”, destaca. Segundo ela, o investidor pode e deve se beneficiar desse momento que não irá durar muito tempo. “Estamos falando de um ano, talvez um pouco mais”, diz.

E como fazer isso? Para Mariana Gonzalez, a dica é aumentar a exposição da carteira nas classes atreladas ao CDI e ao IPCA. “Essas aplicações podem ser em títulos públicos, conhecidos pela plataforma Tesouro Direto, e em títulos bancários, que são os CDBs, LCIs e LCAs. E também nos créditos privados, com aceitação cada vez maior pelo investidor brasileiro, que geralmente são isentos de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, como as Debêntures, CRIs e CRAs”, conta.

Já os títulos de crédito privado devem ser passados por uma análise cuidadosa quanto a qualidade financeira da empresa que se está comprando os papéis. “Como ainda há muita incerteza quanto ao que realmente vai acontecer com a inflação e consequentemente com os juros no curto e médio prazos, evite os títulos prefixados, nos quais você contrata uma taxa fixa até o vencimento do papel”, pondera. Ainda segundo ela, também é preferível a escolha de títulos com vencimento mais curto, como os de dois anos.

Para liquidez diária, aquela reserva rápida e de emergência, a especialista aponta a existência de muitas opções de títulos bancários e fundos de investimento atrelados ao CDI que também vão rentabilizar muito bem por vários meses. “Nesse caso, os IPCAs não são indicados”, afirma. “Vale lembrar que alocação de recursos numa carteira de investimentos é algo complexo que leva em consideração uma série de variáveis como tolerância, objetivos, horizonte e capacidade de cada investidor”, finaliza Mariana Gonzalez.

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