Profissionais de odontologia ajudam na vacinação contra a covid-19 em Curitiba

Profissionais de odontologia da Rede Municipal de Saúde de Curitiba estão ajudando na campanha de vacinação contra a covid-19. Com a equipe de enfermagem, cirurgiões dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal participam da organização e do atendimento da população e também da aplicação de vacinas.

Para a tarefa, a Secretaria Municipal da Saúde treinou 250 profissionais da área da saúde bucal, entre os quais 180 cirurgiões dentistas que estão aptos para aplicarem vacina.

“Como o atendimento da saúde bucal hoje está concentrado nas emergências, profissionais da odontologia estão trabalhando em outras frentes de combate à pandemia, e agora também no apoio à vacinação”, destaca Viviane Gubert, coordenadora de Saúde Bucal da SMSC.

Dobradinha profissional

Com esse apoio, parte enfermagem que estava na vacinação foi reforçar o atendimento em Unidades de Saúde e UPAs, em funções que não poderiam ser desempenhadas pela odontologia.

“É muito importante essa dobradinha profissional entre odontologia e enfermagem, assim conseguimos reforçar equipes em todos os locais e garantir uma vacinação acelerada”, diz Valquíria Cordeiro, enfermeira da coordenação do Pavilhão da Cura.

Profissionais de saúde bucal dão apoio à vacinação em Curitiba. Na imagem: O dentista, Carlos Alberto Tosin e a enfermeira Valquiria Cordeiro, atendem e aplicam a vacina no guarda municipal, Joacir Rodrigues Kaseker. Curitiba, 08/04/2021. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

Para quem recebe a vacina, não importa se ela é aplicada por dentista ou por alguém da enfermagem. A imunização é o que mais conta.

“Não sei qual tipo de profissional aplicou minha vacina, mas certamente é alguém que sabe muito bem o que está fazendo e da responsabilidade que tem”, afirmou Marlei Ribas Toledo.

Um time só

Se juntar à enfermagem nesse momento e emprestar o conhecimento técnico à outra área é considerado privilégio para os profissionais da odontologia que aceitaram a tarefa desempenhada longe dos consultórios.

Antes da campanha da vacinação, durante a pandemia, muitos profissionais de odontologia já estavam na linha de frente, como Paulo Francisco Arant Martins.

Há 23 anos cirurgião dentista na rede municipal, pela primeira vez ele teve que sair do consultório para outras tarefas na Unidade de Saúde Vila Verde, na CIC.

“Passei por todas as funções, desde apoio na divisão do fluxo de pacientes na unidade até monitoramento de oximetria, mas vir à vacinação está sendo uma experiência maravilhosa, principalmente por receber tanto carinho”, afirma Martins.

Apesar de estar longe da unidade, ele não esquece dos colegas da saúde que estão lá na outra ponta da linha de frente. “Estendo a eles que estão na retaguarda, lá na parte mais difícil, todo essa gratidão que recebo aqui”, fala Martins.

A transferência de posto de trabalho também foi um alento para Diloê Ferreira. A auxiliar de saúde bucal está agora no apoio da vacina, no drive-thru do Parque Barigui.

Profissionais de saúde bucal dão apoio à vacinação em Curitiba. Na imagem: A auxiliar de saúde bucal, Diloê Ferreira e a enfermeira Andreia Paulista na aplicacão da vacina. Curitiba, 08/04/2021. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

Para ela foi uma grande alegria essa mudança. “Me sinto uma privilegiada em ajudar nesse momento tão dramático, ainda mais com a vacina que é a esperança de tudo isso passar e ver a alegria das pessoas que são imunizadas faz bem para nossa saúde mental. Um alento.”

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Estudo mostra que vacinados que morreram de covid-19 eram muito idosos

Pessoas vacinadas contra a covid-19 têm pouca probabilidade de morrer da doença, a menos que sejam muito idosas e já estejam seriamente doentes antes de pegá-la, mostrou um estudo da Itália nesta quarta-feira (20).

A pesquisa, do Instituto Nacional de Saúde (ISS), presente em um relatório de rotina sobre mortes por covid-19, revela que a idade média das pessoas que morreram apesar de vacinadas é 85 anos e que elas tinham, em média, cinco doenças preexistentes.

A idade média de pessoas que morreram sem estar vacinadas foi de 78 anos com quatro doenças preexistentes.

Descobriu-se que casos de problemas cardíacos, demência e câncer foram encontrados com maior incidência na amostragem de mortes entre vacinados.

A análise, realizada entre 1º de fevereiro e 15 de outubro deste ano, estudou os registros médicos de 671 óbitos por covid-19 entre não vacinados e 171 entre pessoas totalmente vacinadas.

Houve 38,09 mil mortes pela doença na Itália durante o período analisado.

Desse total, 33,62 mil foram de não vacinados, 2,13 mil de pessoas que só receberam uma dose de vacina ou foram infectadas pouco depois da inoculação, portanto antes do surgimento de anticorpos, e 1,44 mil de pessoas totalmente vacinadas.

No início deste mês, o país atingiu a meta de vacinar totalmente 80% de sua população acima de 12 anos, meta que o governo havia definido para oferecer um grau considerável de proteção do vírus.

Anvisa aprova estudo de universidade de Curitiba para tratamento da Covid

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o estudo clínico da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) de um produto de terapia celular avançada para tratamento de pacientes com pneumonia viral em decorrência da Covid-19. O ensaio clínico faz parte de um dos projetos de pesquisa aprovados no edital interno da PUCPR, lançado em 2020, que contou com o subsídio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Contemplada pelo mesmo edital, outra pesquisa que avalia o estado de portador do vírus de cães e gatos domésticos apresentou resultados recentemente.

Em 2020, a instituição de ensino superior selecionou um total de 13 projetos, dos quais seis já tiveram divulgados resultados parciais ou conclusivos. De acordo com a diretora de pesquisa da PUCPR, Vanessa Sotomaior, alguns estudos já estavam em andamento e, com o auxílio do BRDE, foi possível concluí-los ou garantir a continuidade do projeto.

“A PUCPR com sua área de pesquisa científica vem contribuindo com estudos sobre o coronavírus, além de projetos humanitários que auxiliam a sociedade a enfrentar essa crise”, disse Vanessa.

Para o vice-presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski, a divulgação de avanços nestas pesquisas contribuem para confirmar o caráter de responsabilidade social dos patrocínios executados pelo banco. “Estamos felizes, não só pelo arrefecimento da pandemia, mas também pela contribuição dos pesquisadores da nossa região com o conhecimento científico global acerca dessa doença”, afirmou.

Esta é a segunda iniciativa bem-sucedida entre BRDE e a PUCPR. A primeira foi com o BRDE Labs, programa desenvolvido em parceria com a Hotmilk – Ecossistema de Inovação da PUCPR, que selecionou projetos inovadores de startups voltados às demandas de agroindústrias paranaenses.

TERAPIAS AVANÇADAS  Coordenada pelo professor da Escola de Medicina da PUCPR, Paulo Roberto Slud Brofman, a pesquisa em humanos avalia o potencial terapêutico das células-tronco mesenquimais (CTM) para tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda grave decorrente do novo coronavírus.

Serão incluídos no estudo 60 pacientes com pneumonia viral causada por Sars-CoV-2 confirmado por testes RT-PCR, em situação moderada ou grave. O protocolo inclui a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos pacientes.

Participarão da pesquisa o Hospital do Trabalhador, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, todos de Curitiba, além do Hospital Espanhol (Salvador), Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Instituto Nacional de Cardiologia (Rio de Janeiro).

Os produtos de terapias avançadas são desenvolvidos à base de células ou genes humanos, considerados medicamentos especiais, e necessitam de registro sanitário na Anvisa. O uso desses produtos sem a autorização da Agência pode colocar as pessoas em grave risco e configura infração sanitária e penal.

Para uso clínico na população, é necessário que haja a comprovação inequívoca da segurança, eficácia e qualidade dos produtos. Durante a fase de desenvolvimento e por meio de pesquisas controladas definem-se as indicações clínicas, as principais reações adversas observadas, os cuidados especiais com o paciente durante e após o uso, bem como os atributos críticos da qualidade do produto.

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO – De acordo com informações da Agência Brasil, a pesquisa coordenada pelo médico veterinário Marconi Rodrigues de Farias, professor da Escola de Ciências da Vida da PUC-PR, atestou que apenas 11% dos cães e gatos que habitam casas de pessoas que tiveram Covid-19 apresentam o vírus nas vias aéreas. Esses animais apresentam exames moleculares positivos para SARS-CoV-2, mas não têm sinais clínicos da doença.

Até o momento, foram avaliados 55 animais, sendo 45 cães e dez gatos. Eles foram divididos em dois grupos: aqueles que tiveram contato com pessoas com diagnóstico de Covid-19 e os que não tiveram. A pesquisa visa analisar se os animais que coabitam espaços com pessoas com Covid-19 têm sintomas respiratórios semelhantes aos dos tutores, se sentem dificuldade para respirar ou apresentam secreção nasal ou ocular.

Foram feitos testes PCR, isto é, testes moleculares, baseados na pesquisa do material genético do vírus (RNA) em amostras coletadas por swab (cotonete longo e estéril) da nasofaringe dos animais e também coletas de sangue, com o objetivo de ver se os cães e gatos domésticos tinham o vírus. “Eles pegam o vírus, mas este não replica nos cães e gatos. Eles não conseguem transmitir”, explicou Farias.

Segundo o pesquisador, a possibilidade de cães e gatos transmitirem a doença é muito pequena. O estudo conclui, ainda, que em torno de 90% dos animais, mesmo tendo contato com pessoas positivadas, não têm o vírus nas vias aéreas.