Pesquisadores da UFPR descobrem mais quatro espécies de formiga

Descoberta foi publicada na revista Zootaxa, da Nova Zelândia

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificaram mais quatro espécies de formiga do gênero Prionopelta. A descoberta foi publicada na revista científica Zootaxa, da Nova Zelândia. O trabalho foi realizado pela doutoranda Natalia Ladino, sob orientação do professor Rodrigo Feitosa.

Segundo Feitosa, a descoberta foi possível ao analisar espécimes obtidos por coleções importantes dos Estados Unidos, do Brasil, México e da Colômbia. Segundo ele, desde a década de 60 nenhum estudo sobre os novos espécimes do gênero encontrados havia sido concluído.

As espécies foram identificadas por características como padrões nos corpos, a distribuição dos pelos e o tamanho das mandíbulas. “As formigas desse gênero têm um padrão de esculturação do exoesqueleto. Quando a gente observa o corpo dessas formigas, na cutícula [o esqueleto que recobre o corpo dos insetos] a gente vê um padrão de desenho”, detalha o especialista.

Elas foram nomeadas de Prionopelta menininha, Prionopelta dubia, Prionopelta minuta e Prionopelta tapatia. A primeira nomeação faz homenagem à Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha do Gantois, uma importante mãe de santo baiana.

As formigas identificadas vivem apenas em locais de floresta densa. “Somente são encontradas em florestas que tenham condição de conservação relativamente boa – serrapilheira [cobertura de folhas e vegetais sobre o solo] e em troncos em decomposição. Não são muito tolerantes à luz solar e à falta de umidade”, explica Feitosa.

Esses animais são importantes para os ecossistemas, de acordo com o pesquisador, por serem predadores, mantendo outras espécies sob controle, como “pequenas centopeias e pequenos animais que vivem nos solos das florestas”, diz o professor a respeito das presas das formigas. Também ajudam a dispersas sementes, permitindo a reprodução das plantas.

Feitosa destaca que a descoberta faz parte de esforço para identificar o maior número possível de insetos e outros animais em um contexto de destruição dos ecossistemas. “Neste momento em que estamos enfrentando uma extinção em massa de organismos por derrubada das florestas, incêndios, a gente está em uma corrida para conhecer as espécies que habitam nas regiões antes que desapareçam”, afirma.

Informações Agência Brasil.

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Reajustes salariais mantêm-se abaixo da inflação em outubro, diz Fipe

O reajuste mediano dos salários nas negociações ocorridas em outubro ficou 1,8 ponto percentual abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A inflação acumulada nos últimos 12 meses, tendo outubro como referência, é 10,8%.

Os números constam no boletim Salariômetro – Mercado de Trabalho e Negociações Coletivas, divulgado mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Considerando os acordos coletivos, a situação é pior: o reajuste ficou 2,8 pontos percentuais atrás da inflação. Em 70,1% das negociações coletivas, o reajuste foi menor que o INPC acumulado.

Das 193 negociações coletivas levantadas, 54 foram na indústria metalúrgica, com reajuste mediano real de -4,6%. Em seguida, em número de acordos, está a construção civil, com 29 negociações e um reajuste mediano real que não repôs a inflação (0%).

Quanto aos estados, São Paulo concentrou a maior parte dos acordos, com 72 negociações, seguido por Minas Gerais (49). Nos dois casos, o reajuste mediano real ficou abaixo do INPC, -1,8% e -4,4%, respectivamente.

De acordo com a Fipe, a inflação calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficará entre 10% e 11% até maio. “Os reajustes continuarão magros no próximo ano”, assinala o boletim.

Metodologia

O acompanhamento das negociações coletivas é feito por meio de acordos e convenções registrados no Mediador do Ministério da Economia.

A Fipe coleta os dados e informações disponíveis no sistema, tabula e organiza os valores observados para 40 resultados da negociação coletiva, reunidos em acordos e convenções e também por atividade econômica e setores econômicos.

UFPR arrecada mais de R$ 1,5 milhão para vacina 100% nacional contra Covid-19; veja como doar

A Campanha “Vacina UFPR” completa quatro meses de arrecadação para o desenvolvimento de uma vacina 100% nacional contra a covid-19 e outras doenças.

Até o momento, foram arrecadados mais R$ 1,5 milhão. Desse total, R$ 182 mil foram obtidos por meio de 1200 doações, sendo R$ 85 mil de um repasse realizado no final de outubro pelo Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR).

O restante foi captado com financiamentos via Rede Vírus, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a recursos próprios da UFPR e aos do Governo do Estado do Paraná.

Há ainda uma parceria que está sendo formalizada com o Governo do Estado do Paraná, que disponibilizará em breve R$ 18 milhões para infraestrutura vinculada ao Programa de Imunizantes da UFPR.

A equipe responsável pelo desenvolvimento da vacina estima que sejam necessários R$ 76 milhões para a conclusão do programa, que envolve a aquisição de insumos, de infraestrutura e o pagamento de pessoal.

As pesquisas estão sendo realizadas em laboratórios do Setor de Ciências Biológicas. Foto: Marcos Solivan (Sucom/UFPR)

Com os recursos disponibilizados até agora, foi possível a contratação de dois bolsistas de doutorado e um de mestrado, que aumentaram a força de trabalho disponível para os estudos. “São profissionais altamente qualificados, que já têm conhecimento do trabalho em laboratórios e experiência em pesquisas na área”, explica o professor Emanuel Maltempi de Souza, que coordena o estudo sobre a vacina da UFPR. Além disso, o valor recebido foi utilizado também para a compra dos insumos necessários para os experimentos.

Novas proteínas

A técnica da vacina da UFPR consiste na produção de nanopartículas que imitam os antígenos do vírus e ativam o sistema imune contra a doença. A nanopartícula envolve uma preparação com uma proteína do vírus originada da bactéria Escherichia coli. Com essa solução, não é necessário o uso do vírus Sars-Cov2 para a produção da vacina.

Clique para ampliar: processo de produção das nanopartículas, da proteína recombinante e das nanopartículas funcionalizadas, que formam a vacina. Arte: Sarah Scholz Dias e Ana Carolina Costa (Sucom/UFPR)

A equipe iniciou os testes com outra proteína do vírus, dessa vez derivadas de células humanas. Por ser mais parecida com a proteína do coronavírus, ela pode propiciar uma reação mais eficiente contra a covid-19.

Essa preparação foi inoculada em camundongos. Os testes estão em andamento, porém, os resultados preliminares indicam que a proteína funciona na imunização dos animais. “Essa seria a nossa primeira opção vacinal, por ser mais próxima do vírus. Nossa perspectiva é que ela produza mais anticorpos, em relação aos testes já realizados com a proteína sintética vinda da bactéria”, explica o professor Emanuel.

Próximos passos

Esses testes fazem parte da fase pré-clínica e devem ser concluídos em breve. Assim, será possível solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a autorização para testes em humanos.

Para a conclusão dos testes pré-clínicos, é necessária a conclusão de alguns ensaios, conforme quadro abaixo:

De acordo com Souza, a equipe pretende iniciar o ensaio de neutralização ainda em 2021, nos laboratórios do Instituto Carlos Chagas (ICC), que possuem o nível de biossegurança necessário para manipulação de microrganismos patogênicos, como o SarsCov-2. Os testes com os anticorpos ocorrerão com os dois tipos de proteína (de bactéria e de células humanas).

Existe a previsão de que a UFPR também tenha, até o final de 2022, laboratórios próprios em que seja possível a manipulação dos vírus. “Isso será uma grande conquista para as pesquisas virológicas na universidade”, sintetiza o pesquisador.

Como doar

Para contribuir com a Vacina UFPR, basta doar qualquer valor, por depósito, transferência bancária para a conta da campanha ou usando chave Pix. Os valores são administrados pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar).  Todo o recurso recebido de pessoas físicas e jurídicas irá para a conta do Programa de Imunizantes da UFPR e está disponível no Portal da Transparência da Funpar em até dois dias úteis.

No site vacina.ufpr.br, além da atualização dos valores captados, é possível acompanhar notícias sobre o andamento dos estudos com o imunizante.

O Superintendente de Parcerias e Inovação (SPIn) da UFPR, Helton José Alves destaca que “embora a estimativa de custo para o desenvolvimento da Vacina UFPR seja uma das menores dentre as iniciativas similares em andamento no Brasil, os recursos necessários para a execução do Programa são volumosos, sendo muito importante ampliar a mobilização envolvida na captação de recursos, para garantir que as pesquisas não parem”.

Souza ressalta que, sem o valor obtido até agora, não haveria avanços na pesquisa. “Sem essas doações, estaríamos parados. Se a gente tiver sucesso, acredito que essa doação irá reverter em ganhos à sociedade. Temos a intenção de que a fórmula da vacina seja transferida para produção a custo reduzido para a população brasileira”, conclui.