Recentemente, o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou o Boletim Conjuntural da última semana de fevereiro. O relatório revela que o Paraná se firmou como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura no Brasil.
Exportação de Suínos
Em 2025, o estado foi responsável por 62,1% da receita nacional proveniente da exportação de suínos de alto valor genético, totalizando US$ 1,087 milhão, com o Paraguai como principal destino. Esse resultado evidencia a sanidade e a qualidade genética do rebanho paranaense, que se destina a mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. Segundo a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz, “a escolha pelo Paraná reafirma a excelência genética e de saúde do rebanho”.
Exportações de Carne Bovina
O boletim também destacou as exportações de carne bovina, que alcançaram 258,94 mil toneladas, refletindo um aumento superior a 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, existe preocupação com a cota de importação chinesa de 1,1 milhão de toneladas; somente em janeiro, mais de 10% dessa cota foi utilizada, o que pode impactar os preços ao longo do ano. Contudo, outros mercados, como os da Europa e da Ásia, continuam a aumentar suas compras de carne brasileira.
No mercado interno, a maioria dos cortes de carne bovina registrou elevações de preços, com o filé mignon acumulando alta de 17% em um ano.
Avicultura de Corte
No segmento de avicultura, o cenário é positivo para os produtores do Paraná. O custo de produção do frango vivo terminou 2025 em R$ 4,65/kg, uma redução de 2,9% em comparação ao ano anterior, impulsionada pela queda nos preços da ração, que recuaram 8,92%. O preço médio recebido pelos produtores foi de R$ 4,92/kg, mantendo-se 4,2% acima do custo médio anual, o que preserva a rentabilidade do setor.
Estimativas de Safra
O boletim também apresentou estimativas de safra, com destaque para a atualização da área plantada de milho. A colheita de soja deve ser robusta, com estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados já foram colhidos, em ritmo normal para a época. Essa estabilidade na expectativa de safra proporciona segurança ao setor, especialmente em relação ao plantio do milho para a segunda safra.
Produção de Milho
O milho é fundamental na previsão mensal, com uma produção total de 21,1 milhões de toneladas, somando as duas safras. A primeira safra já colheu 42% da área plantada, enquanto a segunda safra está com 45% plantada dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampliação da área destinada ao milho no primeiro ciclo traz expectativas de alta produção, assegurando o fornecimento necessário à cadeia de proteína animal, apesar da concorrência com a soja.
O analista do Deral, Edmar Gervasio, ressaltou a boa fase atual, com um incremento de mais de 20% na área de plantio em relação ao ano anterior. “A situação do milho é promissora, com bons índices de produtividade e uma estimativa de colheita de cerca de 3,6 milhões de toneladas. Essa melhora é significativa”, afirmou.
Cultura do Feijão
Por outro lado, a cultura do feijão apresenta desafios, com uma redução significativa na área de plantio, especialmente em comparação ao ano passado. Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral, observou que a diminuição reflete uma cautela dos produtores, que optam por culturas com custos de manejo mais previsíveis. “Os preços se mantêm firmes, compensando a menor quantidade colhida. O consumidor deve ficar atento, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores mais acessíveis em relação ao ano passado”, apontou.
Mercado de Tomate
Finalizando o artigo, o mercado de tomate encontra-se em uma fase de volatilidade típica entre as safras. Com 78% da primeira safra já colhida, os preços enfrentaram um aumento de 44% em janeiro em relação a dezembro. Contudo, sinais de redução apareceram em fevereiro, com uma queda de 40% nos preços na Ceasa de Curitiba. As expectativas são de que as cotações se estabilizem em abril, quando a colheita da segunda safra ganhará maior volume.
“Os preços do tomate estão alinhados, com o Brasil oferecendo uma grande quantidade no mercado. Embora ocorra oscilação, os rendimentos têm sido bons. A produção paranaense, especialmente, se mantém sólida”, conclui o engenheiro agrônomo do Deral, Paulo Andrade.
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