Paraná já tem quase 500 denúncias de fura-fila da vacina contra Covid

O Paraná já conta com 486 denuncias de possíveis suspeitos que furaram a fila da vacinação contra a Covid-19. O trabalho de apuração destes casos é feito em conjunto pela Polícia Civil, o Ministério Público da Saúde e do Patrimônio Público, a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e as secretarias municipais de saúde. Aline Manzatto, delegada da Polícia Civil, disse à Banda B nesta terça-feira (23), que 80 destes suspeitos estão em Curitiba, e deu mais detalhes das possíveis consequências penais para quem comete estes crimes.

Todos os casos de pessoas que furam a fila reportados aos investigadores, passam primeiro pela confirmação de que o suspeito realmente foi vacinado. Em seguida, as investigações passam a detalhar as irregularidades, tais como: se ele está, ou não, em um grupo prioritário ou se o suspeito realmente é um servidor da saúde.

“As investigações são complexas porque não podemos cometer qualquer forma de injustiça. A vacinação é algo novo, portanto é possível dizer que também aconteceram falhas neste processo. Mas todas elas estão sendo verificadas pelas secretarias de saúde e, caso sejam comprovadas, as próprias secretárias vão retificar estas situações”, iniciou Aline.

A delegada Aline Manzatto. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

Mas, caso seja comprovada a irregularidade, o suspeito de furar a fila será punido criminal, administrativa e civilmente porque não respeitou a ordem dos grupos prioritários a serem vacinados.

“Se a situação acontecer nas clínicas particulares, o crime previsto é a infração de medida sanitária preventiva. O suspeito pode ser preso por até um ano e receberá uma multa. Caso o suspeito seja um servidor público, o caso será encaminhado à Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público (MP-PR) e será feito um procedimento ligado a improbidade administrativa. Isto pode faze-lo perder o cargo (exoneração)“, revelou.

Doses erradas

Profissionais da saúde que são flagrados não aplicando a vacina – ou fornecendo as doses com as chamadas ‘vacina de vento’ – também podem ser punidos. As penas, por sua vez, para eles também estão vinculadas a improbidade administrativa e a perda do cargo.

“Mas também haverá a punição se existir outras fraudes. Então, pode acontecer um ‘concurso de crimes’. Mas a punição será dada de acordo com o caso concreto que o profissional realmente fez”, destacou.

Família

No Brasil já surgiram diversos casos relacionados a vacinação de servidores da saúde em familiares. Algo que também caracteriza o ato de furar a fila.

No entanto, Aline revelou que no Paraná ainda não há nenhuma denúncia sobre esta situação.

Jovens

Jovens que postam fotos nas redes sociais da carteirinha de vacinação confirmando que foram imunizados contra a Covid, também podem ser responsabilizados.

“Estes jovens não fazem parte do grupo prioritário. A Secretaria de Saúde (Sesa) estabeleceu um escalonamento de grupos prioritários. Entre eles, estão aqueles que são mais fragilizadas como os idosos e os trabalhadores da linha de frente no combate à pandemia. Aqueles que possuem uma exposição maior ao vírus”, analisou.

Exceção

Aline ainda citou uma possível exceção à regra: quando um profissional de saúde não é ativo profissionalmente. Segundo ela, se o profissional possuí um registro em algum conselho vinculado à Saúde e for convocado para receber a vacina, ele não cometerá nenhum crime.

“Então, ele não cometerá nenhum crime caso seja convocado porque, provavelmente, aconteceu uma falha do sistema”, informou.

Atenção

A delegada, no fim, lamentou que estas situações aconteçam no momento em que há poucas vacinas disponíveis a população.

Ela classificou estas condutas como falta de consciência coletiva e respeito. Porém, a delegada destaca que a polícia irá punir aqueles que cometerem estes crimes.

“A polícia está investigando todas as denuncias que têm indícios de crime. Mas é importante ressaltar, e pedir, para que as pessoas não façam as denuncias com base no ‘ouvi dizer’; que não tenham fundamento. Não dá para denunciar desta forma. Caso você faça a denuncia, coloque o maior número de informações possíveis para que nós passamos efetivamente punir o suspeito de furar a fila”, destacou.

Informações Banda B.

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Anvisa aprova estudo de universidade de Curitiba para tratamento da Covid

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o estudo clínico da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) de um produto de terapia celular avançada para tratamento de pacientes com pneumonia viral em decorrência da Covid-19. O ensaio clínico faz parte de um dos projetos de pesquisa aprovados no edital interno da PUCPR, lançado em 2020, que contou com o subsídio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Contemplada pelo mesmo edital, outra pesquisa que avalia o estado de portador do vírus de cães e gatos domésticos apresentou resultados recentemente.

Em 2020, a instituição de ensino superior selecionou um total de 13 projetos, dos quais seis já tiveram divulgados resultados parciais ou conclusivos. De acordo com a diretora de pesquisa da PUCPR, Vanessa Sotomaior, alguns estudos já estavam em andamento e, com o auxílio do BRDE, foi possível concluí-los ou garantir a continuidade do projeto.

“A PUCPR com sua área de pesquisa científica vem contribuindo com estudos sobre o coronavírus, além de projetos humanitários que auxiliam a sociedade a enfrentar essa crise”, disse Vanessa.

Para o vice-presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski, a divulgação de avanços nestas pesquisas contribuem para confirmar o caráter de responsabilidade social dos patrocínios executados pelo banco. “Estamos felizes, não só pelo arrefecimento da pandemia, mas também pela contribuição dos pesquisadores da nossa região com o conhecimento científico global acerca dessa doença”, afirmou.

Esta é a segunda iniciativa bem-sucedida entre BRDE e a PUCPR. A primeira foi com o BRDE Labs, programa desenvolvido em parceria com a Hotmilk – Ecossistema de Inovação da PUCPR, que selecionou projetos inovadores de startups voltados às demandas de agroindústrias paranaenses.

TERAPIAS AVANÇADAS  Coordenada pelo professor da Escola de Medicina da PUCPR, Paulo Roberto Slud Brofman, a pesquisa em humanos avalia o potencial terapêutico das células-tronco mesenquimais (CTM) para tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda grave decorrente do novo coronavírus.

Serão incluídos no estudo 60 pacientes com pneumonia viral causada por Sars-CoV-2 confirmado por testes RT-PCR, em situação moderada ou grave. O protocolo inclui a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos pacientes.

Participarão da pesquisa o Hospital do Trabalhador, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, todos de Curitiba, além do Hospital Espanhol (Salvador), Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Instituto Nacional de Cardiologia (Rio de Janeiro).

Os produtos de terapias avançadas são desenvolvidos à base de células ou genes humanos, considerados medicamentos especiais, e necessitam de registro sanitário na Anvisa. O uso desses produtos sem a autorização da Agência pode colocar as pessoas em grave risco e configura infração sanitária e penal.

Para uso clínico na população, é necessário que haja a comprovação inequívoca da segurança, eficácia e qualidade dos produtos. Durante a fase de desenvolvimento e por meio de pesquisas controladas definem-se as indicações clínicas, as principais reações adversas observadas, os cuidados especiais com o paciente durante e após o uso, bem como os atributos críticos da qualidade do produto.

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO – De acordo com informações da Agência Brasil, a pesquisa coordenada pelo médico veterinário Marconi Rodrigues de Farias, professor da Escola de Ciências da Vida da PUC-PR, atestou que apenas 11% dos cães e gatos que habitam casas de pessoas que tiveram Covid-19 apresentam o vírus nas vias aéreas. Esses animais apresentam exames moleculares positivos para SARS-CoV-2, mas não têm sinais clínicos da doença.

Até o momento, foram avaliados 55 animais, sendo 45 cães e dez gatos. Eles foram divididos em dois grupos: aqueles que tiveram contato com pessoas com diagnóstico de Covid-19 e os que não tiveram. A pesquisa visa analisar se os animais que coabitam espaços com pessoas com Covid-19 têm sintomas respiratórios semelhantes aos dos tutores, se sentem dificuldade para respirar ou apresentam secreção nasal ou ocular.

Foram feitos testes PCR, isto é, testes moleculares, baseados na pesquisa do material genético do vírus (RNA) em amostras coletadas por swab (cotonete longo e estéril) da nasofaringe dos animais e também coletas de sangue, com o objetivo de ver se os cães e gatos domésticos tinham o vírus. “Eles pegam o vírus, mas este não replica nos cães e gatos. Eles não conseguem transmitir”, explicou Farias.

Segundo o pesquisador, a possibilidade de cães e gatos transmitirem a doença é muito pequena. O estudo conclui, ainda, que em torno de 90% dos animais, mesmo tendo contato com pessoas positivadas, não têm o vírus nas vias aéreas.

Com novo lote da Pfizer, Paraná vai acelerar vacinação de jovens de 12 a 17 anos

Mais 318.240 doses da vacinas Pfizer/BioNTech desembarcaram no Paraná nesta terça-feira (19). O lote contém 228.150 doses destinadas a adolescentes sem comorbidades, o primeiro lote carimbado para vacinação da população de 12 a 17 anos em geral. Outras 90.090 são para a segunda dose (D2), referente à 40ª pauta do Ministério da Saúde.

A remessa chegou no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, em dois voos distintos, um às 18h40 e o outro às 19h10. Os imunizantes fazem parte da 59ª pauta de distribuição do Ministério da Saúde. As doses foram encaminhadas para o Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) para conferência e armazenamento e serão enviadas nesta quarta-feira (20) por via terrestre para todas as Regionais de Saúde.

O Paraná já iniciou a imunização de adolescentes de 12 a 17 anos, sem comorbidades, utilizando o remanescente da reserva técnica enviada em todas as remessas para os municípios. Agora, a chegada de doses específicas para este grupo, vai acelerar a vacinação deste público.

De acordo com os dados do Vacinômetro nacional, o Paraná já aplicou 249.472 doses em adolescentes. No total, já são 14.619.702 vacinas contra a Covid-19, sendo 8.320.875 D1 e 5.780.512 da D2. Além disso, o Estado também registra a aplicação de 25.042 doses adicionais (DA) e 167.466 doses de reforço (DR).