Paraná discute ampliação da cobertura vacinal contra a Covid-19 e combate à dengue

A 5ª Reunião Ordinária da Comissão de Intergestores Bipartite (CIB) foi realizada nesta quarta-feira (30), por videoconferência, com cerca de 200 participantes, entre diretores de Regionais de Saúde do Estado e secretários que integram o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems). Foram discutidas ações de ampliação da cobertura vacinal, de enfrentamento à Covid-19 e de combate à dengue.

Na abertura do encontro, o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, disse que o Governo do Estado reitera o agradecimento pelo apoio que vem recebendo dos gestores municipais no enfrentamento da Covid-19. “São quase 200 dias de ações diárias de enfrentamento e hoje, se o Paraná está em situação de estabilidade quanto aos números de casos da doença, é preciso reconhecer a parceria com os secretários municipais de Saúde e, principalmente, agradecer o empenho dos profissionais de saúde envolvidos neste trabalho”.

O monitoramento a casos de mortalidade materna provocados pela Covid-19 foi um dos assuntos discutidos e apresentados para análise dos gestores. “O Estado apresenta redução na taxa de mortalidade infantil nos últimos oito anos, mas neste momento de pandemia é preciso muita atenção no acompanhamento das gestantes”, disse a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Acácia Nasr.

O Paraná registra 12 óbitos maternos confirmados pelo novo coronavírus – seis aconteceram na fase do puerpério (40 dias após o parto); três após o puerpério; dois na gestação e um no parto.

“São dados que reforçam a necessidade de um olhar atento dos profissionais para a gestante. A Sesa tem, inclusive, a Nota Orientativa nº 9, publicada em nosso site, (saúde.pr.gov.br) com recomendações para as equipes e profissionais sobre a linha de cuidado materno-infantil durante a pandemia, trazendo o detalhamento sobre o fluxo de atendimentos em portas de entrada de assistência obstétrica”, disse a coordenadora.

RASTREAMENTO – O Paraná desenvolve ainda, como estratégia de controle, o rastreamento de contatos, uma ação de vigilância epidemiológica, que monitora a rede mais próxima de contatos das pessoas que apresentam casos confirmados e aplica medidas preventivas, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

VACINAÇÃO – Na reunião também foi ressaltada a importância das ações de vacinação no Estado. “A Sesa antecipou a Campanha de Vacinação contra a Poliomielite e a Multivacinação com o objetivo de proteger crianças e adolescentes, e para que tenhamos resultados efetivos precisamos que os gestores municipais realizem atividades incentivando a imunização e a atualização da caderneta de vacinação”, disse o secretário da Saúde, Beto Preto.

No Paraná, a campanha começou em 28 de setembro e seguirá até 30 de outubro.

DENGUE – No encontro da Comissão de Intergestores Bipartite foi definida ainda a pactuação do plano de ação para enfrentamento da dengue, zika vírus e chikungunya para o período 2020/2021. “Esta é uma etapa importante do plano, representa a deliberação dos municípios quanto aos aspectos operacionais. O aval da CIB às nossas ações reitera o compromisso do trabalho conjunto entre municípios e Governo do Estado, buscando consolidar e fortalecer o Sistema Único de Saúde”, afirmou Beto Preto.

O plano estabelece ações de Vigilância Epidemiológica, Controle Vetorial, Assistência, Gestão e Comunicação, que serão implementadas para prevenir e combater as doenças.

“A grande inovação do Plano de Ação e Enfrentamento fica por conta a integração entre os setores técnicos envolvidos, que são Atenção Primária à Saúde, Urgência e Emergência e as Vigilâncias Epidemiológica e Ambiental”, explicou a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes.

“Todos os serviços trabalharão de forma conjunta e organizada, desde a atualização dos profissionais, identificação e manejo clínico de casos, definições de locais estratégicos de eliminação de criadouros, até o suporte técnico para os municípios em casos de intervenção com inseticidas e inovações na eliminação do mosquito, todos estarão alinhados para implementação deste plano”, disse a diretora da Secretaria da Saúde.

Informações AEN.

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Fiocruz: cai média de idade de mortes e de casos de covid-19

A idade média dos casos e das mortes de covid-19 apresentou uma queda quando se compara a semana epidemiológica (SE) 1 (3 a 9 de janeiro) e a 27 (3 a 10 de julho) de 2021, segundo o Boletim Observatório Covid-19, publicado hoje (22) pela  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nos dados mais recentes, a média de idade das internações está em 53 anos, contra 62,5 na SE 1; as médias de óbitos foram 73 e 65 nas semanas epidemiológicas 1 e 27, respectivamente.

Os dados foram obtidos a partir do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SivepGripe)  e, segundo os especialistas, apontam para uma nova fase da epidemia no país. “Convém ressaltar que houve uma inflexão na tendência de declínio. Para os casos, a média de idade das internações já chegou a 52,1 anos. Para os óbitos, a inflexão é mais evidente: a média da idade atingiu 59,4 anos”, disseram os especialistas.

Em comparação com a semana epidemiológica 23 (6 a 12 de junho), houve um aumento de internações entre idosos, que esteve em 27,2% na semana epidemiológica  23 e na 27 subiu para 31,8%. Os dados indicam que na semana epidemiológica 23 foi registrada a menor porcentagem de idosos no número de óbitos (44,8%). Na SE 27, esse percentual subiu para 58,2%. Os dados mostram também redução de internações em leitos de terapia intensiva na faixa etária de 50 a 59 anos e uma interrupção no aumento na faixa de 40 a 49 anos na comparação entre as duas semanas epidemiológicas.

Duas últimas SE

Nas últimas duas semanas epidemiológicas, a trajetória descendente no número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) desacelerou. Segundo os cientistas do Observatório Covid 19, nas últimas duas semanas epidemiológicas, o aumento recente ou o registro de estabilidade em alguns estados sugere um quadro a ser monitorado. Nesse período foi registrada uma queda tanto no número de casos novos (-2,1%), quanto no de óbitos (-2,6%), tendência sustentada desde a análise das semanas anteriores. A taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%.

Os pesquisadores destacaram a importância do avanço da campanha de imunização para a  melhora nos números da pandemia. “O avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que a desejável. Ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados”, disseram os especialistas.

Estados

Não houve aumento das taxas de incidência ou mortalidade em nenhum estado. Houve uma redução expressiva no número de casos de covid-19 no Rio Grande do Norte, em Rondônia e em Alagoas e uma redução no número de óbitos expressiva no Piauí, no Acre, no Pará e em Sergipe. 

As maiores taxas de incidência de covid-19 no período das últimas duas semanas foram observadas nos estados de Roraima, de Mato Grosso e de Santa Catarina. Paraná, Mato Grosso e São Paulo apresentam as maiores taxas de mortalidade. As maiores taxas de letalidade foram registradas no Rio de Janeiro (5,7%), São Paulo (3,4%), Amazonas (3,4%) e Pernambuco (3,1%).

Para os especialistas, as altas taxas de letalidade “revelam falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados, como a insuficiência de testes diagnósticos, da triagem de infectados e seus contatos, identificação de grupos vulneráveis, bem como a incapacidade de se identificar e tratar adequadamente os casos graves de covid-19”.

Campanha “Vacina UFPR” chega a mais de mil doações individuais; saiba como contribuir

A campanha “Vacina UFPR” mobiliza a sociedade para a captação de recursos e o financiamento de uma vacina 100% nacional e de baixo custo contra a Covid-19 e outras doenças. 

Em 20 dias, já foram arrecadados R$ 83.323,48 em 1005 doações individuais. No mesmo período, o site vacina.ufpr.br já teve mais de 8 mil acessos e os posts nas redes sociais da UFPR já alcançaram quase 400 mil pessoas, com 3600 compartilhamentos. 

A divulgação da campanha estimulou outros tipos de engajamento. Por sugestão de uma amiga, a fotógrafa e influenciadora digital Patrícia Miguez compartilhou um vídeo para incentivar as doações. Apenas nas redes da UFPR, o material já foi visto por mais de 132 mil pessoas.

Ela aceitou o desafio por entender que a vacina pode servir para outras doenças e ajudar pessoas no Brasil e em outras partes do mundo, no futuro.  “É uma questão de ajudar a comunidade científica e o nosso país como um todo. A vacina é uma arma muito importante. Caso você não possa ajudar, marque as pessoas nas suas redes e espalhe. Quanto mais gente tiver essa informação, mais gente pode doar e ajudar a UFPR a desenvolver a vacina. Vai ser uma bênção ter uma opção barata, nacional e com multipropósito”, relata Patrícia.  

As contribuições para a campanha “Vacina UFPR” permitirão aos pesquisadores avançar com as fases de testes em animais até o final do ano, o que credenciará o pedido à Anvisa para os testes em humanos. 

Com as doações, será possível também aprimorar a infraestrutura física e laboratorial, buscar a transferência de tecnologia para produção em escala industrial e o desenvolvimento de imunizantes.

Sobre a capacidade de produção 100% nacional, o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, destaca: “É muito importante para a soberania do país que tenhamos uma vacina sem a dependência de importação de insumos. Esta luta por uma vacina nacional reforça a importância da ciência e da universidade pública, que se mostraram imprescindíveis durante essa pandemia”. 

O superintendente de parcerias e inovação da UFPR, Helton José Alves, ressalta a economia para os cofres públicos que o imunizante da UFPR poderá trazer. “Para cada real economizado por dose da vacina, estamos falando de milhões de reais, o que torna mais interessante essa plataforma, para a Covid-19 e outras patologias”, revelou Alves em entrevista ao programa “Volume UFPR”, da Rádio UniFM. 

O professor Emanuel Maltempi de Souza, um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da Vacina UFPR, em reportagem da Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR, explica que o projeto foi concebido pensando no retorno à sociedade dos conhecimentos produzidos na universidade. “Se continuarmos tendo sucesso no desenvolvimento e testagem da Vacina UFPR, estou convencido que o país terá condições de produzir as doses necessárias para todos os brasileiros”. 

Para alcançar esses objetivos, os custos estão estimados em R$ 76 milhões de reais. Por isso, a campanha aceita doações de qualquer valor, por depósito, transferência bancária para a conta da campanha ou usando chave Pix. 

No site vacina.ufpr.brestão disponíveis os relatórios de acompanhamento dos recursos captados para o desenvolvimento da vacina e notícias sobre o avanço das pesquisas. 

A conta bancária para as doações é exclusiva do Programa de Imunizantes da UFPR, gerida pela Fundação da Universidade Federal do Paraná – FUNPAR. Todas as doações de pessoas físicas e/ou jurídicas são destinadas exclusivamente à continuidade da pesquisa e desenvolvimento da vacina  e não são dedutíveis do Imposto de Renda. 

Os valores captados pela campanha se somam aos financiamentos já obtidos via Rede Vírus, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a recursos próprios da UFPR e aos do Governo do Estado do Paraná, que chegam a R$ 1,3 milhão.  

Além disso, o Tribunal de Contas do Estado transferiu R$ 18 milhões ao Governo do Estado, que serão destinados à estrutura de laboratórios para a Vacina UFPR. O poder executivo deve repassar esse valor à universidade por meio de um acordo que será celebrado em breve.