Para conter aglomerações, Litoral do Paraná cancela queima de fogos no Réveillon

Decisão foi tomada pela Associação dos Municípios do Litoral do Paraná (Amlipa)

Com o objetivo de conter aglomerações, as cidades do Litoral do Paraná decidiram cancelar a tradicional queima de fogos na virada de ano. A decisão foi tomada nesta terça-feira (8), durante encontro da Associação dos Municípios do Litoral do Paraná (Amlipa), e vai valer para os sete municípios da região.

De acordo com o presidente da Amlipa e prefeito de Guaratuba, Roberto Justus, a decisão também tem o objetivo de cumprir o decreto do Governo do Estado que proíbe aglomerações. “Nós, enquanto poder público municipal, estamos alinhados e parceiros com o governo estadual, em um momento em que todos precisam ser parceiros. Decidimos, então, que não é só a queima de fogos, mas não fazer nenhum evento que promova a aglomeração de mais de dez pessoas”, disse.

Para o fim de ano, não há nenhum impeditivo para a ida ao Litoral, mas os prefeitos reforçam a necessidade do uso de máscara e garantia de distanciamento social, já que o momento é complicado. Nesta terça-feira (8), por exemplo, todas os leitos de UTI do Hospital Regional do Litoral estão ocupados.

Temporada de Verão

A temporada de verão de 2020 está prevista para ter início no dia 18 de dezembro, mas deve ser diferente desta vez.

Segundo Justos, há sim uma expectativa de que ela seja reduzida pelas atuais condições da pandemia. “Eu torço para que seja uma temporada reduzida, já que estamos em uma das áreas com maior taxa de contágio do Paraná. Entendo que isso não é nem um pouco convidativo, mas não vamos mais fazer lockdown ou interferir na atividade econômica, bem como fazer barreiras, já que o efeito pedagógico já foi alcançado. Ninguém pode dizer que não sabe se comportar em um momento como esse”, concluiu.

Informações Banda B.

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“A esperança é de um final de ano muito mais livre que em 2020”, destaca infectologista da Prefeitura

O avanço da vacinação contra a covid-19 em Curitiba, que já imuniza a população em geral abaixo de 60 anos, traz a esperança de que as Festas de Final de Ano em 2021 sejam diferentes das do ano passado. A opinião é da infectologista da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Marion Burger, que deixou ressalvas de que, além da imunização em massa, as medidas de distanciamento social e uso de máscaras serão necessários até se ter um controle total da situação.

“A minha esperança é de um fim de ano mais livre do que foi em 2020, mas até lá ainda teremos uma grande jornada para a normalidade. A gente espera uma população imune e mais protegida, mas sozinha ela não é a prevenção. Devemos por um tempo ainda evitar aglomerações, deixar os ambientes arejados e usar máscaras, que são fatores para você prevenir novos picos da doença”

Na entrevista nesta quinta-feira (10) à Banda B, a infectologista destacou que a imunização dos idosos acima de 70 anos, com a Coronavac, já deixaram o recado da importância da vacinação.

“Nós temos um número muito maior com duas doses de Coronavac que a Astrazeneca. A gente não pode fazer uma análise pessoal, mas sim populacional, porque a vacina não garante 100% de imunização. O impacto da Coronavac é muito importante, não à toa tivemos uma redução excelente em internamentos e óbitos da população acima de 70 anos. Além disso, os números da cidade de Serrana, em São Paulo, mostram isso também”

Como a população mais jovem não recebeu a imunização completa ainda, este público tem sido o principal afetado, com o aumento considerável de mortes.

“Se comparar todas as mortes entre 1° de novembro e 31 de dezembro de 2020, com os que aconteceram entre 1° de março e 30 de abril, a gente vê que, apesar do número de mortes ser bem maior, você tem uma mudança na faixa etária. Havia uma preponderância muito grande de pessoas acima de 60 anos, especialmente de 70, e isso mudou”

Além disso, com a imunização e o público mais jovem sendo afetado, mudou o principal fator de risco para doença.

Mudou, não só de faixa etária, mas também há comorbidade. Especialmente a obesidade se tornou um grande fator de complicação dos pacientes mais jovens. A faixa etária de 20 a 59 anos é 70% dos casos positivos e cerca de 7% interna. Como são muitos pacientes infectados, inevitavelmente acabam morrendo mais”

O boletim de ontem da covid-19 em Curitiba, por exemplo, 25 mortes pela covid-19, com 60% dos pacientes tendo menos de 60 anos.

Informações Banda B

Pesquisadores identificam regiões com mais mortes e casos de Covid-19 em Curitiba; Pinheirinho lidera

Pesquisadores identificaram que a região do Pinheirinho, na zona sul de Curitiba, é a mais afetada pela pandemia de Covid-19 tanto na incidência de casos, quanto na taxa de mortalidade. A constatação foi feita por integrantes da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv) a partir de uma análise baseada em dados do Portal Modinterv Paraná Covid-19, novo projeto da equipe que será lançado nesta quinta-feira (10) e disponibiliza, ao público em geral, informações da curva epidemiológica da pandemia em diversas localidades do estado do Paraná.

O modelo matemático compila dados publicados pelas secretarias municipal e estadual de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi desenvolvido, em conjunto, por estudiosos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Sergipe (UFS).

A ferramenta aponta que, a cada cem mil habitantes, quase 13 mil foram infectados com o novo coronavírus no distrito sanitário do Pinheirinho, que engloba esse e outros bairros próximos. A segunda maior incidência de casos ocorre no distrito sanitário da Cidade Industrial, com quase 12 mil contaminados. Os menores índices foram encontrados nas regiões do Cajuru e de Santa Felicidade, com nove e oito mil contaminados a cada cem mil habitantes, respectivamente.

Gráfico mostra incidência de casos nos distritos sanitários de Curitiba a cada cem mil habitantes

Com relação à taxa de mortalidade por Covid-19, a região do Pinheirinho também lidera com cerca de 365 mortes a cada cem mil habitantes. Em segundo lugar nesse aspecto está o distrito sanitário do Boqueirão, com 306 falecimentos. Santa Felicidade permanece no último lugar, com 205 registros a cada cem mil pessoas. Os dados utilizados nessas projeções são de 1º de junho.

O fato de o bairro Pinheirinho e seus arredores serem os mais afetados pela pandemia está atrelado ao número de pessoas que circulam diariamente por essa região. Para Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, o terminal do Pinheirinho, responsável pela integração com municípios da região metropolitana como Fazenda Rio Grande e Araucária, pode ser um dos principais focos de disseminação do vírus.

Gráfico mostra taxa de mortalidade nos distritos sanitários de Curitiba a cada cem mil habitantes

“É um terminal por onde circula uma grande quantidade de pessoas, gerando maior risco de disseminação do coronavírus. Esses dados apontam a necessidade de pensar ações emergenciais em escala regional, que extrapolem o perímetro dos municípios. Também é fundamental prever intervenções rápidas e baratas nos terminais para mitigar a transmissão do coronavírus, além de ser imprescindível a revisão da gestão e do financiamento do transporte coletivo de modo a evitar as superlotações”, revela Maria Carolina, que também integra o grupo interdisciplinar Ação Covid-19  e é uma das idealizadoras da iniciativa Paraná Contra a Covid-19 – projeto com o intuito de estudar os impactos da pandemia nos diversos segmentos sociais e apontar a omissão das políticas públicas e seus reflexos sobre a vida das pessoas.

Casos no Paraná

Ao analisar os dados do Paraná com base nas regionais distribuídas pelo estado, os pesquisadores concluíram que a regional de Foz do Iguaçu é a principal acometida pela pandemia em incidência de casos e em taxa de mortalidade. A cada cem mil pessoas, aproximadamente 14 mil se contaminaram com o coronavírus e 292 faleceram em decorrência da doença na região.

A regional de Foz do Iguaçu é a que apresenta a maior incidência de Covid-19, seguida pela regional de Telêmaco Borba

Seguindo Foz de Iguaçu de perto na taxa de mortalidade está a regional de Paranaguá. De acordo com os registros, a cada cem mil habitantes da região, cerca de 11.500 se infectaram e 286 morreram. Já em incidência de casos, é a regional de Telêmaco Borba que ocupa a segunda posição, com mais de 12 mil ocorrências a cada cem mil pessoas. Contudo, o número de óbitos é menor, 259, fazendo com que o local fique atrás das regionais de Apucarana e Cornélio Procópio, além de Paranaguá e Foz do Iguaçu.

As regionais de Foz do Iguaçu e de Paranaguá são as que apresentam as maiores taxas de mortalidade por Covid-19 entre as 22 regionais do Paraná

Para a arquiteta e urbanista, o motivo que leva essas cidades e seu entorno a se tornarem as mais impactadas pela pandemia é o mesmo observado nos distritos sanitários de Curitiba: grande circulação de pessoas. Foz do Iguaçu é a cidade com maior população de fronteira do Brasil, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, e faz divisa com Argentina e Paraguai. Enquanto Paranaguá abriga o maior porto exportador de produtos agrícolas do Brasil e um dos maiores da América Latina. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), mesmo com a pandemia, o Porto de Paranaguá bateu recorde de movimentações em 2020, manipulando mais de 57 milhões de toneladas, número 8% maior do que o registrado em 2019.

“À medida que a doença se tornou global, a circulação de pessoas e mercadorias se tornou também vetor da circulação do vírus pelo mundo. Deve-se levar em conta que pré-sintomáticos, pessoas com sintomas leves e, sobretudo, os assintomáticos têm papel significativo na disseminação do vírus, porque podem ser transmissores anônimos”, destaca Maria Carolina.

Recentemente, pesquisadores brasileiros do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) publicaram um estudo na revista The Lancet que demonstrou como a desigualdade social tem papel decisivo em mortes e em casos de Covid-19 no Brasil. Segundo o documento, grupos que estão em situação de vulnerabilidade e que sofrem, historicamente, violações de direitos básicos, como direito à moradia e ao saneamento universal, são os mais afetados.

“É fundamental, portanto, pensar em ações emergenciais de forma integrada, incluindo moradia – como conter despejos e apoiar a população desabrigada –, saúde, assistência social, dificuldades econômicas, educação, saneamento universal, entre outras questões. O que vimos durante a pandemia no Brasil são planos de emergência centrados no sistema de saúde, sem levar em conta outros assuntos inter-relacionados, como habitação”, considera a professora.

Vacinação

A vacinação nas cidades é outro cenário possível de ser analisado no Portal Modinterv Paraná Covid-19. Com base em dados disponibilizados pelo SUS, os pesquisadores constataram que, até 1º de junho, 35% da população adulta de Curitiba foi vacinada com a primeira dose, cerca de 512 mil pessoas. Menos da metade disso recebeu o reforço do imunizante, apenas 225 mil (15%).

Gráfico aponta que a taxa média de vacinação em Curitiba é de cerca de cinco mil vacinas ao dia

Segundo dados do IBGE de 2020, a capital paranaense possui uma população de quase dois milhões de pessoas (1.948.626). Desse montante, 75% (1.455.818) têm mais de 20 anos de idade. Levando em conta essas informações, Giovani Vasconcelos – professor do Departamento de Física da UFPR e coordenador da rede Modinterv – avalia que Curitiba só terá vacinado, com as duas doses, 75% da sua população adulta no início de outubro de 2021. “Considerando que a taxa média de vacinação é de, aproximadamente, cinco mil vacinas ao dia, ainda faltam quase quatro meses para imunizar as pessoas que não foram contempladas”.

Nesse ritmo, ele calcula que a data provável para finalizar a vacinação de 95% da população curitibana adulta, com as duas doses, será início de janeiro de 2022. Isso porque, para atingir esse número, ainda é necessário imunizar cerca de 870 mil pessoas.

O modelo matemático mostra que há um atraso de mais ou menos 47 dias entre a primeira e a segunda dose em Curitiba. “Quando se atinge um certo número de vacinados com a primeira dose, por exemplo duzentos mil, esse mesmo número de pessoas com a segunda dose será alcançado em média 47 dias depois”. Vasconcelos destaca que o ritmo de vacinação é variável e pode aumentar ou diminuir. Caso isso aconteça, os percentuais serão alcançados antes ou depois das datas estimadas.

Média de vacinação atual e atraso entre primeira e segunda dose

O mesmo cálculo pode ser feito para qualquer cidade do Paraná no Portal Modinterv. Em breve também será possível correlacionar os números de vacinação com a taxa de mortalidade pela Covid-19.

Lançamento em seminário

O lançamento oficial do Portal Modinterv Paraná Covid-19 será feito nesta quinta-feira (10), às 16 horas, em um seminário promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Física da UFPR.

Na primeira parte do evento, Vasconcelos e sua equipe apresentarão um modelo matemático que permite entender a evolução temporal de uma curva epidêmica e seus sucessivos estágios de crescimento. A partir do modelo, pode-se fazer projeções de curto prazo sobre a evolução da epidemia em uma determinada localidade. “Diante da complexa dinâmica de propagação do vírus, torna-se indispensável analisar os dados da pandemia nos seus diversos níveis: desde o local, como bairros de uma cidade, até o nível estadual e nacional”, explica o professor.

Na segunda metade do seminário, será apresentado o Portal Modinterv Paraná, em desenvolvimento pela Rede Modinterv Covid-19, que em 2020 lançou um aplicativo capaz de realizar projeções da curva de contágio ou de óbito de diversas localidades do mundo. A nova ferramenta se propõe a agregar e a disponibilizar um conjunto bastante completo de informações sobre a pandemia no estado.

Ao acessar o Portal, qualquer pessoa poderá acompanhar o número de casos confirmados de Covid-19, número de óbitos decorrentes da doença e a quantidade de pessoas vacinadas por regionais e municípios paranaenses, além de distritos sanitários da cidade de Curitiba. O modelo também deve mostrar a evolução da idade média dos óbitos e como ela se correlaciona com o aumento da cobertura vacinal, por exemplo, além de apresentar gráficos baseados em informações demográficas e indicadores socioeconômicos.

Por meio da metodologia, é possível observar em quais locais a pandemia tem sido mais ou menos acentuada. “Discutiremos brevemente as razões para essa distribuição heterogênea da epidemia e, por fim, mostraremos como os dados atuais de vacinação permitem estimar quando a maioria da população adulta de uma determinada cidade terá sido imunizada, se mantido o atual ritmo de vacinação. Os dados mostram que é preciso aumentar urgentemente o ritmo de vacinação para que a imunidade coletiva seja atingida em um curto horizonte de tempo”, finaliza o coordenador da pesquisa.

O evento será transmitido ao vivo e pode ser acompanhado pelo YouTube.

Situação da Covid-19 em Curitiba, Região Metropolitana e demais Regionais do estado: Análise espaço-temporal via Portal Modinterv Paraná

Data: 10 de junho de 2021

Horário: 16h

Local: https://youtu.be/JkgFxiQZC-U

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