A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançou recentemente um novo guia prático, publicado na edição das Américas do boletim médico The Lancet. O documento, chamado Quadro de Qualidade Hearts, oferece orientações que podem ser implementadas imediatamente pelos países para fortalecer os cuidados de saúde primários, além de prevenir ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.
Hipertensão, o “assassino silencioso”
As novas diretrizes visam também melhorar o tratamento da hipertensão e dos riscos cardiovasculares. Essa iniciativa surge em um contexto alarmante, já que as doenças cardíacas e os acidentes vasculares cerebrais permanecem como a principal causa de mortes na região, afetando mais de 2,2 milhões de pessoas anualmente, muitas delas em idade produtiva.
A hipertensão arterial, frequentemente referida como o “assassino silencioso”, é o principal fator de risco cardiovascular nas Américas, afetando quase 40% dos adultos. Apesar da existência de tratamentos acessíveis e eficazes, apenas um terço das pessoas diagnosticadas com hipertensão consegue controlar a condição de maneira adequada.
Modelo testado para cuidados mais eficazes
Segundo Jarbas Barbosa, diretor da Opas, a hipertensão é uma das maiores ameaças à saúde global, mas também uma das mais controláveis. Ele destaca que o novo quadro não se trata apenas de um documento político, mas de um manual prático que já está salvando vidas em milhares de clínicas de saúde comunitárias.
O Quadro de Qualidade Hearts é baseado em experiências comprovadas e oferece um plano estruturado para superar os desafios comuns no tratamento da hipertensão. Entre os principais obstáculos estão medições imprecisas da pressão arterial, a disponibilidade irregular de medicamentos essenciais e consultas mensais limitadas a renovações de receitas.

Doenças cardiovasculares são uma frequente causa de morte e incapacitação
Hearts nas Américas
A nova estrutura apresenta soluções como o uso de monitores de pressão arterial automatizados, o fornecimento contínuo de medicamentos de qualidade a preços acessíveis e a possibilidade de prescrição para vários meses. O plano também propõe capacitação para enfermeiros ajustarem doses de medicamentos e oferece ferramentas simples para acompanhamento mensal dos resultados.
O Hearts nas Américas é a adaptação mais ampla da iniciativa global da OMS e já está em operação em 33 países, abrangendo quase 10 mil unidades de cuidados primários.
Resultados comprovados em toda a região
Atualmente, mais de 6 milhões de pessoas estão sendo acompanhadas através de tratamentos padronizados. Com a implementação total do programa, a expectativa é que seis em cada dez pacientes consigam controlar a pressão arterial.
O modelo apoia a meta “80-80-80”: diagnosticar 80% das pessoas com hipertensão, tratar 80% dos diagnosticados e assegurar que 80% dos pacientes com pressão arterial tratados estejam controlados. De acordo com a Opas, alcançar essa meta pode evitar mais de 400 mil mortes e 2,4 milhões de hospitalizações até 2030 nas Américas.
Vários países já demonstram resultados positivos. Em Matanzas, Cuba, as taxas de controle da hipertensão aumentaram de 36% para 58% em apenas um ano. No Chile, o controle subiu de 37% para 65%, com a análise econômica indicando que os custos do programa se pagam em menos de dois anos ao prevenir eventos cardiovasculares dispendiosos.
Resultados semelhantes foram observados em comunidades na Colômbia, México e Trinidad e Tobago. Na República Dominicana, o Hearts é uma prioridade do governo, que assegura tratamento a milhões de pessoas. El Salvador expandiu o programa para toda a rede de saúde primária, alcançando quase 70% de acompanhamento, enquanto o México começou a implementação nacional.
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