O Cidadão Ilustre: um filme para ler ou livro para assistir

Um história boa pode ser contada de várias maneiras. A narrativa é a arte de amarrar as ideias, dar espaço ao silêncio, chamar o próximo pedaço pra fazer parte daquele todo que vai se revelando na medida em que a história avança. O filme “O Cidadão Ilustre”, de 2016, é uma boa história.

O filme é argentino e conta a história de um escritor famoso de uma pequena cidade, a 700 quilômetros de Buenos Aires. Não vale a pena contar porque o enredo e o filme são bons, basta você abrir um desses serviços de streaming de vídeos disponíveis e comprovar.

Neste fim de semana, mais um no meio da pandemia, assistimos sete filmes. Este fez eu lembrar o nome depois que acabou e ter vontade de pensar nele. O filme é premiado, o que não quer dizer nada.

Na verdade, os últimos sete minutos me atraíram mais do que todo o resto. “A realidade não existe. Não existem fatos e sim interpretações”, essa bela frase é dita pelo protagonista, o escritor argentino Daniel Mantovani.

Na sequência ele fala algo que lembra também um pouco o jornalismo. “A verdade, ou o que chamamos de verdade, é uma interpretação que prevaleceu sobre as outras”.

Um escritor tem a liberdade para tirar os personagens da cabeça. Personalidades de pessoas mesquinhas, viciadas, hipócritas, maldosas, ruins, sem caráter, vis e baixas podem deixar de ocupar a mente e serem “expurgadas” para o papel. Talvez as gavetas fiquem mais leves e limpas assim.

Mas tudo pode ser mentira, inclusive o que você assistir na tela ou ler por aí.

TEXTO por: Adriano Kotsan

De Dona Hermínia à Senhora dos Absurdos: relembre personagens de Paulo Gustavo

Em sua carreira, o ator Paulo Gustavo, que morreu na noite desta terça-feira (4) aos 42 anos, de problemas decorrentes da covid-19, tornou-se conhecido principalmente pelo personagem Dona Hermínia, a elétrica e dominadora dona de casa que surgiu no teatro e logo se tornou um sucesso absoluto no cinema. Paulo Gustavo, porém, criou outros tipos, igualmente engraçados e sempre trazendo as peculiaridades de seu humor – que conseguia unir ingenuidade com picardia e crítica social.

Veja os principais personagens criados por Paulo Gustavo

Dona Hermínia

Inspirada em tias, avós, mas principalmente em Dea Lúcia, sua mãe, a personagem surgiu pela primeira vez em 2004, na peça Surto. O sucesso foi tamanho que instigou Paulo Gustavo a criar o espetáculo Minha Mãe é uma Peça, em 2006, que rendeu ainda três adaptações para o cinema (2013, 2016 e 2019), todas grandes sucessos de bilheteria. Trata-se de uma típica dona de casa que, sempre à beira de um ataque de nervos, toma as atitudes mais engraçadas. Com essa personagem, Paulo Gustavo conseguiu a proeza de um homem interpretar uma mulher ser bem aceito por boa parte da população.

Senhora dos Absurdos

Sucesso no programa 220 Volts, do canal Multishow, a personagem ganhou fama justamente por comentários absurdos, que revelam preconceito de raça e sexo. Paulo Gustavo dizia que tinha criado esse tipo para debochar da intolerância e da cultura do ódio. “Meu intuito é fazer rir, mas sabendo que o riso também é um modo de abordar temas controvertidos e incômodos da sociedade”, disse, em uma publicação no Facebook, em 2017.

Valdomiro Lacerda

Era o protagonista do programa Vai que Cola, do Multishow, que se passa em uma pensão. Seu objetivo é se esconder lá da Polícia Federal, que o procura por conta de uma falcatrua na qual ele se tornou o único culpado. Aqui, novamente, Paulo Gustavo exerce o humor como caminho para crítica social, pois Valdo, como é conhecido, se considera superior em relação aos outros hóspedes, além de menosprezar o Méier, bairro do subúrbio do Rio, e de se lamentar por não morar no Leblon.

Aníbal

Paulo Gustavo tinha a atriz Mônica Martelli como uma de suas melhores amigas. Juntos, fizeram filmes como Minha Vida em Marte, no qual o ator viveu Aníbal, grande apoiador de Fernanda (Mônica), que sofre com problemas no relacionamento. Para consolá-la, Aníbal a leva para Nova York, onde passeiam por lugares icônicos da cidade. O local serviu também para que Paulo Gustavo demonstrasse sua dificuldade em falar em inglês. As filmagens, apesar de divertidas, foram atribuladas pois, realizadas em locações, eram constantemente interrompidas, pois as pessoas reconheciam o ator e gritavam seu nome.

Mulher Feia

Outro personagem que surgiu e se popularizou no programa 220 Volts, além de participação no Vai que Cola. Uma vez mais, Paulo Gustavo utiliza o bom humor para fazer mais uma crítica social. Mulher Feia conta histórias que dizem respeito à sua aparência, se lamentando pelos homens que a abandonam. O curioso é que seus relatos, apesar de muitas vezes absurdos, são narrados de uma forma até inocente.

“Nomadland – Sobreviver na América” leva 3 principais prêmios do Oscar

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O filme Nomadland – Sobreviver na América ganhou o Oscar de melhor filme, melhor realização e melhor atriz para Frances McDormand. A cineasta Chloé Zhao torna-se assim a segunda mulher na história a receber o prêmio de melhor realizadora. A 93ª cerimônia dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ocorreu, na noite deste domingo (25), na Estação Union Station, em Los Angeles, e no Dolby Theatre, em Hollywood, com restrições devido à pandemia de covid-19.

Nomadland – Sobreviver na América era o maior favorito e cumpriu os prognósticos, vencendo nas principais categorias do Oscar, entre elas a de melhor direção, com a estatueta entregue à cineasta sino-americana Chloé Zhao. Ela é a segunda mulher a conquistar esse Oscar, depois de Kathryn Bigelow, em 2010, com Estado de Guerra.

93rd Academy Awards

Vencedoras do Oscar 2021 – REUTERS/Chris Pizzello/Direitos Reservados

É fabuloso ser uma mulher em 2021″, afirmou Chloé Zhao ao comemorar a vitória.

“Sou extremamente afortunada por poder fazer o que gosto”, acrescentou a cineasta nos bastidores da cerimônia de entrega do Oscar, na madrugada de hoje (26). “Se esta vitória ajudar mais pessoas como eu a viverem os seus sonhos, sou muito agradecida por isso”.

Nomadland – Sobreviver na América, considerado o melhor filme, conta a história de uma mulher – Fern, interpretada por Frances McDormand – que viaja pela América como nômade. Vive numa caravana, trabalha em empregos temporários e sobrevive na estrada, na sequência da crise econômica de 2008.

Ao receber o prêmio, Chloé Zhao dedicou-o “a todos aqueles que tiveram a fé e a coragem de se agarrar à bondade em si próprios e nos outros”.

Embora o filme seja uma ficção, inclui testemunhos reais de norte-americanos que vivem na estrada, sempre em trânsito, numa comunidade nómade mais envelhecida e às margens da sociedade. O filme contou inclusive com nômades da vida real.

“Um dos momentos mais felizes para mim esta noite foi quando a Frances [McDormand] ganhou”, disse Chloé Zhao aos jornalistas. “As pessoas podem não saber tudo o que ela fez, como produtora e como atriz, quão aberta e vulnerável foi e quanto me ajudou a fazer este filme. E como ajudou os nômades a sentirem-se confortáveis nas gravações. Ela é ‘Nomadland'”.

Com esse Oscar, Frances McDormand entrou no pequeno grupo de atrizes com mais de duas estatuetas da academia, juntando-se a Meryl Streep e Ingrid Bergman (três Oscars, cada), e a Katharine Hepburn (quatro). Ela conseguiu ainda vencer a indicação de melhor atriz, depois de Fargo (1996) e de Três Cartazes à Beira da Estrada (2018).

Indicado para sete estatuetas, o filme Nomadland completa um percurso de sucesso nos últimos meses, depois de ter ganhado quatro prêmios Spirit, os chamados Oscars do cinema independente: melhor filme, melhor realização, melhor montagem e melhor fotografia.

Por The Father, o britânico Anthony Hopkins, que não esteve presente à cerimônia, conquistou o segundo Oscar de melhor ator, 30 anos após a sua premiação pelo papel em O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme.

Veja, a seguir, os ganhadores do Oscar 2021:

Melhor Filme
Nomadland
Melhor Ator
Anthony Hopkins, por Meu Pai
Melhor Atriz
Frances McDormand, por Nomadland
Melhor Direção
Chloé Zhao, por Nomadland
Melhor Ator Coadjuvante
Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro
Melhor Atriz Coadjuvante
Yuh-Jung Youn, por Minari
Melhor Roteiro Adaptado
Christopher Hampton, Florian Zeller, por Meu Pai
Melhor Roteiro Original
Emerald Fennell, por Bela Vingança
Melhor Filme Internacional
Durk – Dinamarca
Melhor Fotografia
Mank
Melhor Documentário
My Octopus Teacher
Melhor Documentário em Curta-Metragem
Colette
Melhor Curta-Metragem
Two Distant Strangers
Melhor Animação
Soul
Melhor Curta de Animação
If Anything Happens I Love You
Melhor Canção Original
Fight For You (Judas e o Messias Negro)
Melhor Trilha Sonora Original
Soul
Melhor Edição
O Som do Silêncio
Melhor Figurino
A Voz Suprema do Blues
Melhor Cabelo e Maquiagem
A Voz Suprema do Blues
Melhor Edição de Som
O Som do Silêncio
Melhor Design de Produção
Mank
Melhores Efeitos Visuais
Tenet

* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal