Mamografia: procedimento é crucial para descoberta do câncer de mama

Além do autoexame, detecção da doença exige acompanhamento médico especializado e periódico

Para a engenheira química Claudia Giovanni Braga, de 44 anos, o autoexame sempre foi suficiente. Com a crença de que, somente após algum sintoma, seria necessário buscar ajuda profissional, Claudia detectou um nódulo no seio após realizar exames de rotina fornecidos pela empresa em que trabalha. “A mamografia não é algo que as mulheres querem fazer, ir ao ginecologista não é um compromisso divertido. Eu achava desnecessário fazer check up sem ter sinais de alguma doença ou problemas”, explica. 

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, o número de casos estimados de câncer de mama feminina no Brasil em 2019 foi de 59.700. Com um número ainda elevado de casos, o diagnóstico precoce segue como melhor caminho para a cura e recuperação das pacientes. De acordo com a médica Aline Moraes, responsável pelo setor de Check Up do Hospital Marcelino Champagnat, a descoberta tardia não é somente uma questão de vida ou morte. “O diagnóstico precoce possibilita uma gama muito maior de oportunidades de tratamento e formas menos agressivas, que vão comprometer menos a qualidade de vida da mulher”, ressalta. 

Claudia descobriu o nódulo ao passar pelo check up do Hospital Marcelino Champagnat, serviço que oferece aos colaboradores de empresas parceiras uma bateria de exames e consultas completa, ao longo de aproximadamente seis horas de atendimento. “Todos os executivos da empresa fazem o check up no Marcelino e, na minha vez, foi quando encontrei o nódulo. Fiz a consulta com a ginecologista, realizei o exame de mamografia e, vendo que não era suficiente para um diagnóstico completo, no mesmo dia já fiz o ultrassom e fui encaminhada para a biópsia”, conta. 

Para Aline, coordenadora do setor, o diferencial é o acompanhamento do paciente, além da praticidade do modelo. “O fator agilidade é muito considerado nesse serviço de check up, mas a nossa dinâmica de continuidade e comparativo de exames a cada ano é essencial, já que nos apresenta um cenário completo do paciente e suas mudanças, permitindo um diagnóstico preciso e muito mais avançado”, explica.  

No caso de Claudia, após a biópsia, que revelou um nódulo ainda benigno, o acompanhamento segue sendo realizado a cada seis meses para monitorar o caso. “Toda vez que eu vou repetir o exame, eu vivo tudo de novo, sinto a mesma angústia da descoberta, mas isso tudo mudou minha visão sobre a importância do check up. Depois da minha experiência, eu virei uma defensora da mamografia e da saúde da mulher. Pedi para minha empresa fazer uma campanha sobre isso e tirar alguns tabus que são comuns para as mulheres e geram medo do exame. Sou uma defensora do preventivo”, finaliza. 

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Brasil ultrapassa 100 milhões de pessoas totalmente imunizadas contra a Covid-19

O Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de pessoas com o ciclo vacinal contra a covid-19 completo. O termo é usado para designar pessoas que já receberam duas doses de imunizantes oferecidos no Brasil ou a dose única da vacina Janssen.

Apesar da marca, o país ainda não atingiu metade da população totalmente vacinada, e atualmente conta com 47% das pessoas com o ciclo completo.

No total, foram aplicadas 249,7 milhões de doses na população, sendo que 149,7 milhões receberam a primeira dose, e 100 milhões tiveram a aplicação das duas doses ou dose única.

No quadro internacional, o Brasil ocupa a 62ª posição no ranking de países na vacinação contra a covid-19 em relação à população de cada nação, segundo a Universidade Johns Hopkins, com sede nos Estados Unidos.

O país, no entanto, está acima da média mundial, de pouco mais de 35%. Quando considerados os números absolutos, o Brasil fica na quarta posição como país com mais pessoas com o ciclo vacinal completo, atrás dos Estados Unidos (187,7 milhões), da Índia (272,6 milhões) e da China (1,047 bilhão).

OMS recomenda terceira dose contra Covid em maiores de 60 anos vacinados com Coronavac

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a aplicação de uma dose de reforço das vacinas contra Covid-19 em pessoas com mais de 60 anos que receberam duas doses da Coronavac ou Sinopharm e em imunossuprimidos que receberam qualquer imunizante contra a doença causada pelo coronavírus.

Segundo especialistas, essas pessoas apresentam resposta imune mais baixa às vacinas e estão em maior risco diante da Covid. Daí a indicação de uma dose adicional.

A recomendação consta de nota técnica do Sage (Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas, na sigla em inglês) publicada nesta segunda-feira (11) e é condicionada à disponibilidade de doses.

“Ao implementar esta recomendação, os países devem primeiro buscar maximizar a cobertura vacinal de duas doses nessa população e, posteriormente, aplicar a terceira dose, iniciando pelos grupos de idade mais avançada”, afirma o texto.

Até então, a entidade recomendava apenas a aplicação de uma dose de reforço em imunodeprimidos.

A nota trata especificamente dos idosos que receberam as vacinas de vírus inativado, como das fabricantes Sinovac (que produz a Coronavac) e Sinopharm. A recomendação não vale, portanto, para imunizantes de outras empresas.

Para o reforço, a OMS afirma que uma terceira dose da mesma fabricante pode ser preferencial, considerando disponibilidade de doses.

Isso significaria, no caso do Brasil, uma terceira dose de Coronavac para todos com mais de 60 anos já vacinados com duas doses desse imunizante, mas não para os que receberam a vacina Oxford/AstraZeneca ou Pfizer.

Caso não haja uma terceira dose da mesma marca, um esquema heterólogo (isto é, uma dose de reforço diferente daquela usada nas primeiras injeções) pode ser utilizado.

De acordo com o painel de especialistas da entidade, se ficar demonstrado que a eficácia de um esquema heterólogo é maior do que o reforço de um mesmo imunizante, a recomendação poderá ser atualizada.

Apesar de ser uma mudança de posição, a OMS reforça que as evidências disponíveis indicam que uma dose adicional de imunizantes em idosos que receberam vacinas inativadas pode potencializar a proteção conferida por essas vacinas.

Um estudo conduzido na China pela Sinovac apontou que uma terceira dose do imunizante oito meses depois da segunda dose em pessoas com 60 anos ou mais aumentou em até sete vezes o nível de anticorpos no sangue.

Isso não significa que esses imunizantes não confiram proteção contra o coronavírus ou que as vacinas não funcionam com duas doses, mas sim que, em populações com o sistema imune mais debilitado, como nos idosos, a queda de anticorpos pode indicar uma redução da proteção a longo prazo e necessidade de reforço.

Estudos feitos no Brasil para avaliar a efetividade das vacinas contra a Covid apontaram para uma diminuição da proteção justamente no grupo acima de 80 anos, o mesmo que foi vacinado primeiro no país.

Nas pessoas com 60 anos ou mais, também houve redução, embora em menor proporção. Não há dados ainda para as faixas etárias abaixo de 60 anos, que foram vacinadas posteriormente.

Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, a nota da OMS deixa claro que a recomendação de uma terceira dose deve ser para aqueles que receberam vacinas de vírus inativado, mas não é exclusiva para o esquema homólogo.

“Eles recomendaram [uma dose de reforço] para quem fez uso específico das duas vacinas, o que no Brasil se aplica somente para a Coronavac. A questão se é uma 3ª dose também da Coronavac parece ser a preferencial, mas depende também de logística e disponibilidade”, diz.

Croda é o pesquisador principal de um estudo que avaliou a efetividade das vacinas Coronavac e AstraZeneca em pessoas com 60 anos ou mais. Ele defende o uso de esquema heterólogo como reforço, dadas as evidências científicas de aumento de eficácia e de imunogenicidade ao combinar vacinas de diferentes fabricantes.