Maioria dos Estados deve ter escolas abertas em agosto

Com a vacinação dos professores e a queda de indicadores da pandemia, agosto deve marcar um retorno mais amplo das atividades presenciais das redes estaduais de ensino. Até aqui, só 12 Estados reabriram as escolas após a quarentena demandada pelo cenário anterior de crescimento das infecções. O ritmo tem sido mais lento do que outras flexibilizações de regras anticovid notadas nas últimas semanas. Na rede privada, por outro lado, os alunos já foram liberados para voltar em pelo menos 22 Estados e no Distrito Federal.

Os números são de levantamento feito pelo Estadão junto a governos estaduais. Daquelas que ainda não liberaram a volta, dez redes estaduais e a do Distrito Federal pretendem convocar os alunos no próximo mês. Na Paraíba e no Acre, isso está previsto para setembro. Bahia e Roraima ainda não definiram cronograma de retorno.

O Brasil foi um dos países onde alunos ficaram mais tempo fora dos colégios, fechados inicialmente em março de 2020 para conter a transmissão do vírus. Com isso, educadores estimam graves prejuízos de aprendizagem e socioemocionais aos alunos, sobretudo os mais vulneráveis.

Na pandemia, especialistas criticaram parte dos gestores, que priorizaram a reabertura de shoppings, bares e igrejas em detrimento das escolas. E o Ministério da Educação (MEC), por sua vez, vem sendo considerado omisso, por falta de apoio às redes na implementação de classes remotas ou preparação dos colégios para a reabertura.

Em Roraima,um protocolo experimental de retorno gradual deve ser implementado ainda este ano, mas somente após a Vigilância Sanitária informar o balanço de professores vacinados. O retorno presencial total é previsto para 2022. A Bahia também disse adotar modelo 100% remoto e monitorar índices da covid.

Já na rede paulista, por exemplo, as escolas poderão a partir de agosto receber a totalidade dos alunos, se respeitado o distanciamento de um metro entre pessoas. São Paulo foi um dos primeiros a reabrir as salas de aula. As redes estaduais cuidam, na maioria, de alunos das séries finais do ensino fundamental (11 a 14 anos) e do ensino médio – neste caso, como os adolescentes estão no fim do ensino básico, o pouco tempo para recuperar o conteúdo até o fim do ciclo é um desafio.

“Queremos que quando os alunos voltem, encontrem um ambiente muito melhor”, diz a diretora do Departamento de Educação Básica de Roraima, Raimunda Rodrigues, citando reformas nas escolas e lembrando de perdas diversas durante a pandemia. Mesmo com a vacinação liberada aos profissionais da educação, a gestora informa que campanhas serão necessárias para atrair o público mais resistente.

No 3º ano do ensino médio na rede roraimense, Beatriz Eduarda Sousa, de 18 anos, recorreu a aulas de reforço e pré-vestibular para tentar o sonho: uma vaga em psicologia na universidade federal. “Foi muito difícil e ainda está sendo, pois nós alunos nunca tivemos o costume de ter aulas online”, conta ela, de Boa Vista.

“As maiores dificuldades que senti foram os desânimos, medos e com certeza a ansiedade. Querendo ou não, sair de casa e ir para a aula ajudava na hora das provas, de tirar dúvidas, diz a jovem, que destaca o privilégio de os pais poderem pagar cursos extras. Ela também começou a trabalhar em uma academia para ajudar nos gastos.

Alunos com mais recursos, em geral, retornaram à sala de aula mais cedo em várias regiões. A rede do Piauí prevê regresso presencial em agosto, mas unidades privadas adotaram o ensino híbrido em janeiro. A rede potiguar também planeja voltar no mês que vem, enquanto as particulares retomaram ainda em 2020.

Sete capitais ainda não têm previsão de retorno

Até julho, apenas 13 capitais já haviam retornado parcialmente às atividades presenciais de suas redes de ensino. Entre aquelas que optaram por atividades remotas, quatro pretendem voltar à escola em agosto, três em setembro e sete permanecem sem previsão de retorno. As redes municipais atendem, na maioria, as séries iniciais do ensino fundamental (6 a 10 anos) e a educação infantil (creche e pré-escola), justamente os alunos que têm mais dificuldades de acompanhar aulas online.

Belo Horizonte, por exemplo, iniciou o retorno da educação infantil em maio, após quase 12 meses de creches fechadas. A partir disso, fez a liberação gradativa das séries seguintes, mas alunos do 6º ao 9º ano voltam só em 5 de agosto.

Outras capitais decidiram por retorno mais tardio. É o caso de Rio Branco, que pretende retomar depois que todos os professores tomarem a 2ª dose da vacina, o que acontecerá na 2ª quinzena de setembro. Como Rio Branco, Belém e Aracaju também estimam o retorno das atividades presenciais em setembro. No caso da capital do Sergipe, a abertura de colégios particulares também não foi liberada.

Maceió, por outro lado, segue sem previsão de regresso. Os docentes da rede devem receber a 2ª dose da vacina na 2ª semana de agosto, mas a Secretaria de Educação informa que as aulas presenciais voltarão quando houver segurança tanto para trabalhadores, como para estudantes.

Evasão e acolhimento são pontos de alerta

“Todas as evidências levantadas até o momento, seja no Brasil ou no exterior, demonstram que os estudantes deixaram de aprender durante a pandemia”, diz Alexandre Schneider, pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público da FGV

Para o ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, o modelo remoto não substitui perfeitamente o presencial, sobretudo no ensino básico. É preciso considerar o “elevado contingente de crianças e adolescentes que vivem em condições precárias, sem internet, sem dispositivos eletrônicos ou mesmo um lugar adequado para estudar”.

Há o risco, acrescenta ele, “de ampliação da evasão escolar dada a desconexão de um grande contingente de estudantes de suas escolas no período”. Segundo Schneider, serão necessárias políticas educacionais e também de apoio, como recuperação de conteúdos e acolhimento.

Anna Helena Altenfelder, presidente do Cenpec Educação, diz que a situação nas redes municipais é ainda mais preocupante. “Falta coordenação nacional, que deveria ser feita pelo MEC”, avalia. Ela analisa que a demora no retorno presencial às aulas se deve, principalmente, à falta de planejamento de Estados e municípios e ao atraso da vacinação em todo País.

Ceará realiza avaliação para mensurar impacto da suspensão das aulas

A rede cearense, que agenda o retorno presencial para agosto, vai colocar em curso uma estratégia de avaliação diagnóstica, apontada por especialistas como essencial para identificar as principais defasagens e grupos mais prejudicados.

Parceria entre a Secretaria da Educação e a Universidade Estadual (Uece) prevê uma avaliação amostral em todas as 184 cidades cearenses, com turmas do 5º ao 9º anos do ensino fundamental e o 3º do médio.

A aplicação segue métricas de diagnóstico em larga escala, como as do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), organizado pelo MEC. Com isso, os resultados poderão ser comparados com a série histórica.

Conforme Jorge Lira, cientista chefe da Educação do Estado, a amostra considera, por exemplo, o nível socioeconômico do aluno, tipo e modalidade da escola, localidade, gênero dos respondentes “O Ceará ganha autonomia com produtos pedagógicos para um novo horizonte de práticas pedagógicas. Começar a personalizar e acompanhar mais de perto o aluno ou grupos de alunos, principalmente respeitar as diferenças”, pontua.

As aplicações já foram finalizadas com o ensino médio e último ano do ensino fundamental. No 5º ano está sendo aplicado. Detentora da maior rede de ensino do estado, Fortaleza só deve aplicar as avaliações em agosto ou setembro.

Secretária executiva do Ensino Médio e Profissional da pasta cearense da Educação, Jucineide Fernandes afirma que as atividades letivas dos próximos meses serão orientadas conforme o que for observado nos testes. “No 2º semestre, agiremos no sentido de propor ações e estratégias para a rede com o objetivo de garantir as aprendizagens essenciais a todos os estudantes que concluam a educação básica”, ressalta.

Após fazer avaliação diagnóstica própria em sua rede, o governo de São Paulo afirmou estimar 11 anos para recuperar a aprendizagem perdida em Matemática durante a pandemia nos anos iniciais do ensino fundamental. Alunos do 5.º ano da rede estadual perderam habilidades que já haviam adquirido, mostram os resultados do teste. Hoje, um aluno de 10 anos tem desempenho pior do que ele mesmo tinha quando estava com 8 anos. A secretaria paulista elaborou um projeto de recuperação de aprendizagem, com contratação de mais professores para reforço escolar.

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Universidades estaduais do Paraná aparecem entre as melhores da América Latina

As universidades estaduais de Maringá (UEM), Londrina (UEL), Ponta Grossa (UEPG) e do Oeste do Paraná (Unioeste) estão entre as 100 melhores da América Latina, segundo o “Latin America University Rankings 2021” da revista inglesa Times Higher Education (THE). Os dados refletem o ano de 2019 e foram divulgados nesta terça-feira (13), em evento sediado na Universidade de São Paulo (USP) e transmitido remotamente.

A revista, fundada em 2004, é responsável por ranquear a lista das melhores universidades do mundo. O ranking avaliou 177 universidades de 13 países da América Latina. Os critérios adotados são os mesmos aplicados no ranking mundial da THE. São considerados indicadores de desempenho em cinco áreas: ensino, pesquisa, citações, perspectiva internacional e renda da indústria – que avalia a transferência de conhecimento entre a iniciativa pública e privada.

Para o coordenador de Ciência e Tecnologia da Superintendência Geral da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Marcos Pelegrina, é possível notar uma evolução no desempenho das universidades na classificação ao longo dos anos.

“Nossas instituições de ensino conquistam a cada ano melhores posições nas avaliações internacionais. Isso é reflexo do empenho e dedicação dos professores, agentes universitários e alunos somados aos investimentos estratégicos realizados pelo Governo do Estado. A cada ano as universidades estaduais avançam rumo à excelência no ensino, pesquisa e nas atividades extensão”, afirma.

AVALIAÇÃO

A UEM saltou 33 colocações e agora alcança a posição 48º do ranking. A universidade evoluiu nas avaliações de ensino e pesquisa, internacionalização e recursos externos.

Nos critérios de análise, a UEM apresenta melhora significativa em ensino e em pesquisa, além de ligeira ascendência em internacionalização e em captação de recursos externos. “Ensino apresentou a melhor avaliação, a nota passou de 52,9 para 69,1. Pesquisa apresentou o maior aumento, pulou de 34,4 para 64,3”, destaca Bruno Montanari Razza, chefe da Divisão de Planos e Informações da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da UEM.

O professor explica que esse ranking usa os mesmos dados enviados para o THE Wur, ranking mundial de universidades, mas são reanalisados e utilizada uma metodologia diferente para a classificação.

A UEL também ganhou três posições e agora está entre as 47 melhores universidades da América Latina. É, também, a 28ª entre as instituições de ensino superior brasileiras. A instituição manteve o bom desempenho nos quesitos de ensino, pesquisa e renda da indústria.

De acordo com a diretora de Avaliação e Informação Institucional da Pró-reitoria de Planejamento da UEL, professora Elisa Emi Tanaka Carloto, o item melhor avaliado este ano foi renda da indústria, com nota superior a 84.

Segundo a professora, o resultado representa o esforço da instituição no trabalho de transferência do conhecimento, desenvolvimento de novas patentes, geração de royalties e demais aspectos ligados à cadeia produtiva nas mais diversas áreas. Neste quesito a UEL pulou de 35,3 no ano passado para 84,2 na mais recente pesquisa.

“Foi um aumento de mais de 100%, que reflete a política de inovação da UEL considerando o ensino, a pós-graduação e o relacionamento que mantemos com o setor produtivo, uma mudança de mentalidade que começa a aparecer e a gerar novos frutos”, avaliou a diretora.

A Unioeste também subiu colocações na classificação, comparada à classificação de 2020. A universidade foi da faixa 100-125 para a posição 74º. A UEPG se manteve entre as 90 melhores, ocupando a 86ª posição.

Ensino de espanhol pode se tornar obrigatório nas escolas públicas no Paraná

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi protocolada na Assembleia Legislativa pelo deputado Arilson Chiorato (PT) para instituir o ensino da língua espanhola como disciplina obrigatória nas escolas públicas no Paraná. A proposição, que endossa a luta do Movimento Fica Espanhol, prevê o ensino do idioma do ensino fundamental II ao final do ensino médio, em todas as escolas paranaenses, no horário regular de ensino, no mínimo, de duas horas-aulas por semana.

O deputado Arilson avalia que a PEC do Espanhol, caso seja aprovada, irá representar um avanço para o processo de formação dos estudantes. “Saber um novo idioma, em especial o espanhol, língua falada por nossos vizinhos, abre não só um leque de possibilidades na comunicação pessoal, como também profissional. Com certeza, vai facilitar a integração a sul-americana e o desenvolvimento regional”, avalia.

Ainda segundo Arilson, a implementação do ensino da língua espanhola na Educação Básica faz parte de uma estratégia eficaz para assegurar a formação de uma comunidade latino-americana de nações a longo prazo, promovendo a integração social e cultural dos povos da América Latina, conforme prevê o artigo 4º da Constituição Federal do Brasil.

A professora universitária Amábile Piacentine, de Apucarana e integrante do Movimento Fica Espanhol, lembra que a luta começou em 2016. “Ver a PEC do Espanhol ser protocolada traz um misto de gratidão, ansiedade e esperanças. Gratidão ao deputado Arilson Chiorato e aos deputados e deputadas que assinaram e estão assinando à PEC; ansiedade acompanhando cada um que assina, que indica, que se manifesta a favor, que escreve uma moção de apoio, que deixa uma mensagem nas redes sociais, etc., e esperança de que o resultado seja favorável ao Paraná, que essa PEC seja aprovada e que nossas crianças, adolescentes e jovens tenham esse direito assegurado, que o Espanhol seja para todos e esteja em todas as escolas”,  diz Amábile.

A proposta foi assinada também pelas deputadas Luciana Rafagnin (PT), Mabel Canto (PSC) e peos deputados Ademir Bier (PSD), Anibelli Neto (MDB), Delegado Fernando Martins (PSL), Delegado Jacovós (PL), Do Carmo (PSL), Galo (PODE), Goura (PDT), Luiz Fernando Guerra (PSL), Michele Caputo (PSDB), Nelson Justus (DEM), Professor Lemos (PT), Requião Filho (MDB), Soldado Adriano José (PV), Soldado Fruet (PROS), Tadeu Veneri (PT) e Tercílio Turini (CDN).

A PEC precisa ser analisada incialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que aprovará ou não a admissibilidade da proposta. Caso aprovada, será criada uma Comissão Especial para análise da proposição. após parecer desta Comissão, o texto segue para votação em plenário, sendo necessário 33 votos favoráveis em dois turno de votação para a aprovação da PEC.

Dados – O espanhol é falado por mais de 585 milhões de pessoas em diferentes países do mundo. É o segundo idioma em relevância comercial. A língua oficial de 21 países, sendo que 19 deles na América, 7 países fazem fronteira com o Brasil e 2 países fazem fronteira com o estado do Paraná. Também é língua de estudo de mais de 22 milhões de alunos em 110 países, inclusive na China e no Japão, que são os principais países parceiros do Brasil em transações comerciais fora da América Latina.

Na perspectiva econômica, a língua é um componente essencial de capital humano e social de uma comunidade, estima-se que 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de um estado está vinculado à língua.

No campo educacional, desde 2010, o espanhol é opção para nossos estudantes na prova de Língua Estrangeira do ENEM e, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), desde essa data em todos os anos, sem exceção, o percentual de alunos que escolhe Espanhol é superior ao que escolhe Inglês.