Exposição “Julho Âmbar: Retratos do Luto Parental” no Espaço Cultural da Assembleia.
Créditos: Orlando Kissner/Alep
Na última quinta-feira (10), a Assembleia Legislativa do Paraná foi palco de uma roda de conversa promovida pela organização Dando Voz ao Coração (DVC). O encontro faz parte das atividades do Julho Âmbar, mês dedicado à conscientização sobre o luto parental, conforme estabelece a Lei nº 22.331/2025, proposta pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD). O evento buscou dar visibilidade e apoio a pais enlutados, proporcionando um espaço seguro para o compartilhamento de experiências.
Evento e Participação
Esta edição do Café das Estrelas foi a sétima, Contudo, é a primeira vez que ocorreu em um espaço público como a Assembleia Legislativa. Verônica Chimanski, tesoureira da DVC, destacou a importância da realização em um ambiente político, enfatizando que o tema é relevante para todos. Historicamente, as reuniões aconteciam em locais mais reservados, permitindo que os pais se sentissem mais à vontade.
No Salão Nobre Acioly Filho, pelo menos nove pais e mães compareceram. A participação varia significativamente: já houve encontros com apenas duas pessoas, enquanto outros contaram com mais de dez. Durante a roda de conversa, os participantes compartilharam sentimentos e memórias, além de participar de um exercício simbólico de escrita de mensagens para seus filhos falecidos, que foram transformadas em estrelas através de dobraduras.
Reflexões sobre o Luto
Verônica, que é mãe enlutada desde a morte de seu filho Pedro, falou sobre a necessidade de desmistificar a dor do luto. Para ela, é essencial que as mães se sintam confortáveis em compartilhar suas histórias, uma vez que a sensação de perda persiste. “Falar dos nossos filhos é tão gostoso, não é?” refletiu durante o encontro.
Fernanda Góss Braga, bióloga e fundadora da DVC, reforçou que a dor muitas vezes é suprimida por falta de entendimento dos outros, o que pode levar a um acúmulo emocional prejudicial. “Essa dor represada eventualmente precisa ser expressa”, disse, ressaltando a carência de apoio psicológico disponível na saúde pública para pais enlutados.
Além disso, abordou a questão das perdas gestacionais, que frequentemente não são reconhecidas como luto. Segundo Fernanda, o impacto emocional de um aborto espontâneo é subestimado, o que dificulta ainda mais o acolhimento social necessário para essas mães.
Programação e Conscientização
A roda de conversa faz parte de uma programação mais ampla promovida pela Assembleia Legislativa que visa dar voz a pais e mães enlutados. Até esta sexta-feira (11), o Espaço Cultural da Assembleia abriga a exposição “Julho Âmbar: Retratos do Luto Parental”, com curadoria de Katia Velo e Fernanda Góss Braga. A mostra apresenta fotografias de 27 famílias que vivenciam essa dor.
Celebrado globalmente desde 2013, o Julho Âmbar busca honrar filhos falecidos e apoiar famílias em luto. A data de 3 de julho é designada como Dia dos Pais Enlutados, e a cor âmbar simboliza o nascer do sol e a esperança de um acolhimento mais empático.



