O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, criticou o governo de Trinidad e Tobago por autorizar novos exercícios militares na região caribenha, próximos ao estado venezuelano de Sucre. Maduro descreveu as manobras, que envolvem a participação de tropas dos Estados Unidos, como “irresponsáveis” e “ameaçadoras”, colocando em risco a estabilidade do Caribe.
Acusações de Intimidação
Em seu pronunciamento, Maduro afirmou que as ações do país vizinho são uma tentativa de intimidação. “Eles pretendem ameaçar uma república como a Venezuela, que não se deixa ameaçar por ninguém”, declarou.
Como resposta, o presidente convocou a população dos estados do leste da Venezuela a realizar “vigílias e marchas permanentes com a bandeira venezuelana hasteada”, como um ato de defesa da soberania e da paz regional.
Operação Lança do Sul
Em 13 de novembro, o governo dos Estados Unidos anunciou o lançamento da operação militar chamada Lança do Sul, que abrangerá operações na América Latina, incluindo América Central, América do Sul e Caribe. Essa ação elevou as tensões diplomáticas na região.
Nos últimos meses, uma frota de navios de guerra dos EUA, juntamente com caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford, foi mobilizada para o Caribe. Desde então, Washington anunciou 19 bombardeios contra embarcações suspeitas de estarem ligadas ao tráfico de drogas, resultando em pelo menos 80 mortes. No entanto, não foram apresentadas provas concretas que comprovem a ligação das embarcações com atividades criminosas.
Tensão Diplomática no Caribe
- Os exercícios militares colaboram para a crescente tensão diplomática entre Caracas e Porto Espanha.
- A Venezuela acusa os Estados Unidos de usar operações conjuntas de combate ao narcotráfico como pretexto para aumentar sua presença militar na região e pressionar o governo chavista.
- Por outro lado, Trinidad e Tobago afirma que as manobras são parte de um cronograma regular de cooperação contra o tráfico transnacional.
- Embora o país caribenho não tenha respondido diretamente às críticas de Maduro, autoridades de defesa reafirmam que as atividades ocorrem em águas sob jurisdição trinitina.
Histórico Conturbado
A relação entre Venezuela e Trinidad e Tobago tem sido marcada por disputas sobre fronteiras marítimas, fiscalização de embarcações e pressões migratórias. O arquipélago abriga uma das maiores comunidades de venezuelanos refugiados no Caribe e mantém um alinhamento próximo aos Estados Unidos em questões de segurança, o que desagrada Caracas.
Nos últimos anos, episódios envolvendo apreensões de barcos de pesca, expulsões de migrantes e acusações mútuas de violações territoriais aumentaram a tensão política entre os dois países. As novas manobras militares acrescentam um novo ponto de atrito a essa relação já complexa.
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