A experiência financeira do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC) foi apresentada no segundo e último dia do Seminário de Investimentos 2026, realizado nesta quinta-feira (29/10), no Centro de Eventos Imap Barigui. O encontro reuniu técnicos, conselheiros de regimes próprios de previdência social (RPPS) da Região Sul e especialistas do mercado.
Anfitrião do seminário, o IPMC mostrou como enfrenta os desafios da área com uma equipe enxuta de servidores, ferramentas tecnológicas e gestores qualificados para selecionar investimentos. Segundo o Instituto, as medidas têm assegurado retorno financeiro seguro aos recursos usados no pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores da Prefeitura de Curitiba.
O diretor administrativo-financeiro do IPMC, Marcos Aurelio Litz, afirmou que a gestão passou a ser estratégica. “A política de investimento, que já é nosso livro de cabeceira, estabeleceu os alicerces de um novo modelo de gestão. A política passou a ser um instrumento estratégico de transformação”, declarou.
Litz apresentou a experiência de Curitiba em um dos painéis ao lado da gerente de investimentos do IPMC, Sandra Escobar, e dos analistas Angélica Oliveira e Robson Oliveira.
Sandra Escobar, que também integra o Conselho de Investimentos, falou sobre o uso das carteiras administradas. “O IPMC tem um patrimônio de R$ 2,8 bilhões”, informou. Ela também lembrou que a seleção dos gestores foi submetida a um processo rigoroso.
No novo modelo, gestores especialistas, analistas e economistas qualificados realizam análises qualitativas e quantitativas dos investimentos que integrarão as carteiras nas quais estarão os recursos do regime próprio de previdência.
A diretoria do IPMC também abordou a gestão de riscos e o uso da tecnologia. “A análise de riscos é um processo contínuo e nos possibilitou tomar decisões mais fundamentadas”, afirmou Angélica Oliveira, analista da área. De acordo com o Instituto, a gestão de riscos de investimentos pode prevenir comprometimentos ao patrimônio.
Robson Oliveira explicou o processo de utilização e as vantagens da plataforma eletrônica de negociação Trademate, da B3, a Bolsa de Valores. “Ela trouxe agilidade, rastreabilidade e governança”, disse. O analista também destacou que os recursos que antes ficavam com intermediários contratados para fazer a ligação entre o mercado financeiro e o IPMC passaram a vir diretamente para o Instituto.
“Os recursos pertencem aos servidores”, salientou Litz.
A Resolução 5272 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de dezembro de 2025, defende o uso de plataformas eletrônicas para garantir a eficiência operacional necessária aos regimes de previdência. O diretor afirmou ainda que o IPMC mantém dentro do próprio Instituto as atividades que a equipe realiza bem.
À tarde, as diretoras de Previdência Mariella Vicco Pereira, do IPMC, e Roseli Fabris Dalla Costa, de Toledo, abordaram o passivo atuarial como parte central da estratégia de investimentos.
Ampla programação
A programação desta quinta-feira (29/10) tratou de governança, gestão, tecnologia e regulação voltadas a decisões mais inteligentes.
Litz destacou o processo de elaboração do seminário. “Os assuntos abordados não foram escolhidos por acaso”, observou. Ele mencionou os temas do primeiro dia, que incluíram o cenário econômico, desafios e estratégias para 2027, e ressaltou a importância de cada RPPS tomar decisões sobre a política de investimentos para 2027 com base em informações de qualidade.
No painel de abertura, intitulado “2027 no radar dos RPPS: tendências, prioridades e estratégias”, o sócio da Aditus Consultoria, Guilherme Benites, apontou aspectos da recente eleição presidencial e seus impactos no mercado financeiro ao longo dos dias.
Ele destacou a perspectiva que deve orientar os RPPS. “Nosso foco é o investimento de longo prazo. Os regimes de previdência são investidores de longo prazo”.
O especialista e sócio da PFM Consultoria, Francisco Fernandes, abordou a gestão de riscos na política de investimentos dos RPPS. “Pensem na política de investimentos também como um instrumento de gestão de riscos”, incentivou.
Luciano Magalhães, sócio da 4UM Investimentos, falou sobre estruturas de investimento de alta performance e avaliou que o debate realizado em Curitiba é relevante. Segundo ele, o tema proposto se aplica a RPPS de pequeno e grande porte.
“Falta, em todos os níveis, a cultura previdenciária. Às vezes, pela cobrança de curto prazo, as alocações e investimentos acabam deixando de olhar para o que é importante para a previdência, que é o longo prazo”, argumentou.
Magalhães participa de diversos grupos de trabalho e associações envolvidos no debate previdenciário no Brasil.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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