Idosa de 91 anos supera covid-19 na UPA Boqueirão

A covid-19 é mais uma das superações na vida de Dona Luiza Pereira Marcondes, 91 anos. Depois de 13 dias de tratamento, nesta sexta-feira (11/12) ela recebeu alta da UPA Boqueirão, unidade que a Prefeitura de Curitiba transformou em leitos de retaguarda nesta pandemia.

Do lado de fora da UPA, a família comemorou a recuperação da matriarca.

“Minha avó passou por tanta coisa nos últimos anos. Perdeu dois filhos no mesmo ano (2018), teve AVC (acidente vascular cerebral) e a agora a covid. Graças a Deus ela foi muito bem atendida e cuidada e agora tá indo pra casa pra gente ter um Natal mais feliz”, disse emocionado o neto Andrei Ferreira Marques.

Dona Luíza é de Colombo mas procurou atendimento na UPA Boa Vista. Chegou lá já em estado grave, onde foi diagnosticada com covid-19 e encaminhada para internamento da UPA Boqueirão.

Durante os 13 dias em que ficou internada, a equipe procurou tranquilizar a família com ligações de vídeo, fotos enviadas pelo celular e ligações para atualizar o estado de saúde dela.
 

“Não faltou nada para minha vó. Ela foi cuidada como se estivesse num hospital de grande porte, com muita eficiência e, principalmente com muito carinho da equipe da UPA”, disse Andrei.

Desde o dia 27 de novembro a UPA Boqueirão virou uma unidade de retaguarda exclusiva de internamento de pacientes de covid-19.

Com capacidade para 50 leitos, a unidade tem equipes multidisciplinar de médicos, enfermeiros. Com a covid, a UPA também recebeu fisioterapeutas e assistentes sociais.

“Os assistentes sociais fazem a ponte entre os pacientes e as famílias, um trabalho muito importante”, explicou Aline Pizzolato, gestora da UPA Boqueirão.

A UPA conta com respiradores, monitores cardíacos e teve a rede de oxigênio ampliada para essa fase da pandemia.   

Mais 14 leitos de UTI

Nesta sexta-feira (11/12) a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba começou a ativação de mais 14 leitos de UTI exclusivos para covid-19.

Dez desses novos leitos já estão com pacientes, oito deles no Hospital Victor Ferreira do Amaral e dois no Hospital do Idoso, que até terça-feira (15/11) contará com mais quatro leitos de UTI.

Com isso, a cidade chegará a 372 leitos de UTI do SUS curitibano exclusivos para covid-19 e 532 leitos de enfermaria. Desse total, 185 abertos nos últimos 15 dias.

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Prefeitura de Curitiba abre inscrições para PSS de profissionais de enfermagem

Profissionais de enfermagem já podem se inscrever para o processo seletivo simplificado (PSS) para a contratação temporária e emergencial de enfermeiros e técnicos de enfermagem em saúde pública. A Prefeitura de Curitiba abriu, na noite desta segunda-feira (19), o prazo para que os interessados possam se cadastrar.

A inscrição poderá ser feita até as 17 horas desta sexta-feira, 23 de abril, exclusivamente pelo site da Prefeitura de Curitiba. A recomendação aos que quiserem participar é para que leiam atentamente o edital que escolherem. Há um edital para a função pública de Enfermeiro e outro para a de Técnico de Enfermagem.

Para participar, o profissional não terá cobrança de taxa de inscrição e também não fará provas, mas deverá comprovar sua experiência profissional, especialmente nos últimos 15 anos. Todos devem ter registro no Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR). O candidato será pontuado se tiver feito cursos como os relacionados ao enfrentamento da covid-19.

Técnicos de enfermagem em saúde pública terão pontuação se tiverem feito formação em cuidados com pacientes de UTI, urgência e emergência. Enfermeiros pontuarão se fizeram cursos de pós-graduação lato sensu.

Aqueles que participaram do PSS de 2020 e não foram convocados podem se inscrever para o PSS de 2021. Os que cumpriram seus contratos de trabalho pelo PSS em 2020 e 2021 também podem se inscrever.

De acordo com os editais, por causa da pandemia, fica impedida a contratação de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, gestantes e as que enfrentam condições crônicas de saúde de natureza grave. As patologias estão mencionadas nos editais (anexo I).

Manutenção das equipes de saúde

Com este novo PSS, o segundo desde iniciada a pandemia pelo novo coronavírus, em 2020, a Prefeitura de Curitiba poderá manter as equipes de saúde em número adequado, para prestar assistência direta à população. Também permitirá repor os profissionais, conforme o encerramento dos contratos vigentes e de acordo com a necessidade do serviço municipal de saúde.

Inicialmente, de acordo com os editais, serão contratados 14 enfermeiros e 68 técnicos de enfermagem. Mas o PSS aberto permitirá a contratação de até 613 profissionais de saúde, sendo 155 enfermeiros e 458 técnicos de enfermagem em saúde pública.

As futuras contratações emergenciais temporárias para o enfrentamento à situação de emergência de saúde pública serão feitas ao longo dos próximos meses. Elas serão definidas conforme os indicadores da cidade relativos à covid-19, que são acompanhados pela Secretaria Municipal da Saúde, responsável pela política municipal de saúde e pela execução do plano de contingência definido de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Manual e perguntas

Além do edital correspondente, a Secretaria de Administração e de Gestão de Pessoal alerta para que os candidatos interessados leiam, antes de fazer a inscrição, o Manual do Candidato – PSS (Como se inscrever). Para cada uma das duas funções existe também um campo com as dúvidas mais frequentes e que também poderá auxiliar os candidatos. Está no topo da página à direita junto ao edital do PSS de Enfermeiro e ao de Técnico de Enfermagem em Saúde Pública.

Depois de finalizar a inscrição pelo site, o candidato deverá imprimir o comprovante de inscrição e aguardar as convocações, que serão feitas por editais publicados no Diário Oficial e no site da Prefeitura de Curitiba, além de outros meios como e-mail e telefone cadastrados no ato da inscrição e, se necessário, telegrama.

O início do processo de contratação será nas próximas semanas. Os candidatos serão convocados, de acordo com o dia e o horário da inscrição e com base naquilo que cada um declarar como experiência e formação profissional. A divulgação da classificação final está prevista para o dia 30 de abril.

Covid-19: mortes de grávidas e puérperas dobram em 2021

Aumento do grupo foi maior do que na população em geral

O número de mortes de grávidas e puérperas – mães de recém-nascidos – por covid-19 mais que dobrou em 2021 em relação à média semanal de 2020. Além disso, o aumento de mortes neste grupo ficou muito acima do registrado na população em geral, segundo dados analisados pelo Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19).

Uma média de 10,5 gestantes e puérperas morreram por semana em 2020, chegando a um total de 453 mortes no ano passado em 43 semanas epidemiológicas. Já em 2021, a média de óbitos por semana chegou, até 10 de abril, a 25,8 neste grupo, totalizando 362 óbitos neste ano durante 14 semanas epidemiológicas.

Segundo o levantamento houve um aumento de 145,4% na média semanal de 2021 quando comparado com a média de mortes semanal do ano passado. Enquanto isso, na população em geral, o aumento na taxa de morte semanal em 2021 na comparação com o ano anterior foi de 61,6%.

A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e uma das criadoras do observatório, a médica Rossana Francisco avalia que o país precisa de políticas públicas direcionadas para a população de gestantes e puérperas para conseguir reduzir sua mortalidade. O OOBr Covid-19 usa dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) e, segundo a atualização mais recente, com números até 10 de abril deste ano, desde o início da pandemia foram confirmados 9.985 casos de covid-19 entre gestantes e puérperas, com 815 mortes.

Morte materna elevada

A médica, que também é presidente da Associação de Medicina e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), afirma que a morte materna no Brasil, em geral, é elevada e que havia uma fragilidade no atendimento às gestantes e puérperas dentro do sistema de saúde no país. Diante de elementos como a sobrecarga nesse sistema por conta da pandemia e o surgimento de variantes de covid-19 – que podem estar associadas a casos mais graves da doença -, há uma piora no atendimento a este grupo.

“Quando olhamos a situação da gestante e da puérpera, já temos uma rede de saúde que não é muito organizada para atenção a casos graves para este público, tanto que [o Brasil] tem uma razão de morte materna de 55 [mortes por 100 mil nascidos vivos], deixando claro que realmente temos uma dificuldade na atenção para a saúde da mulher, especialmente gestante e puérpera”, disse a médica. A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que a razão de morte materna seja menor que 20. 

A falta de acesso aos tratamentos da doença, como internação em unidades de terapia intensiva (UTIs) e intubação, foram apontados como alguns dos gargalos no atendimento a esse grupo. Os dados do observatório mostram que uma em cada cinco gestantes e puérperas mortas por covid-19 (23,2%) não chegaram a ser admitidas em UTIs e, em um terço das mortes (33,6%), elas não foram intubadas.

“Para falarmos de acesso, pensando em uma doença que é grave e respiratória, todo mundo deveria ter acesso à intubação orotraqueal e também à UTI. Só nisso, já vemos que tem uma deficiência nessa atenção à gestante e puérpera”, avalia Rossana. Segundo a médica, para diminuir as mortes é preciso haver ações com o objetivo tanto de prevenção da covid-19 neste grupo específico como para melhorar a rede de atendimento.

A médica orienta que essas mulheres façam isolamento social e usem máscara, além de destacar a necessidade de garantia para que gestantes e puérperas possam fazer seus trabalhos em home office. “Temos que primeiro dar publicidade a esses dados para que as mulheres conheçam e entendam que gestantes e puérperas são um grupo de maior risco do que a população geral. Quando elas pegam covid-19, o risco que elas têm de evoluir para uma forma grave e precisar de uma UTI e de uma intubação é maior do que temos na população geral”.

Além disso, um dos objetivos do observatório é que os gestores públicos possam ter uma base de dados com este recorte. A ferramenta permite a análise não só dos casos no Brasil, mas de forma separada por estados e por municípios. “Então que se fortaleça e que se organize a rede de atenção à gestante e puérpera para garantir que ela consiga ter acesso a uma unidade hospitalar que tenha terapia intensiva, que tenha obstetras especializados em gestação de alto risco e também o serviço de neonatologia adequado.”

Rossana disse que, no ano passado, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) alertou que grávidas corriam mais risco de desenvolver formas graves da covid-19 na comparação com o total da população de mulheres. Segundo ela, a gestante tem um risco maior de precisar de uma internação em UTI, de precisar de intubação orotraqueal e até um risco maior de óbito.

Governo Federal

O Ministério da Saúde informou na semana passada, em coletiva de imprensa, que os municípios receberão R$ 247 milhões para prevenir a disseminação da covid-19 entre gestantes. De acordo com o ministério, os recursos deverão ser direcionados pelos municípios para custeio de hospedagem de grávidas e puérperas que não têm condições de isolamento domiciliar e distanciamento social e também para identificação precoce e o monitoramento de sintomas da covid-19, para qualificar o atendimento para o pré-natal, parto e puerpério e para o atendimento odontológico das gestantes.

 Além desse valor, a pasta informou que R$ 1 bilhão foi direcionado a gestantes, considerando investimentos feitos pelo governo em 2020 e 2021.

O secretário de Atenção Primária à Saúde do ministério, Raphael Câmara Medeiros Parente, acrescentou que a cepa P.1 do vírus, conhecida como variante de Manaus, mostrou agressividade maior em grávidas quando comparada com o vírus que circulava em 2020.