Na última quinta-feira (5), a Holanda devolveu ao Egito uma escultura de 3,5 mil anos que havia sido retirada ilegalmente do país. O artefato, uma cabeça esculpida em pedra, foi descoberto em uma feira em 2022, após ter entrado clandestinamente no território holandês.
Investigação e Restituição
Uma investigação realizada pela polícia holandesa e pela inspetoria de patrimônio cultural revelou, em 2025, que a escultura foi saqueada, possivelmente durante os tumultos da Primavera Árabe, entre 2011 e 2012. Após uma década, o artefato reapareceu em uma feira de artes e antiguidades em Maastricht, sendo identificado por meio de uma denúncia anônima.
Especialistas sugerem que a escultura, que faz parte de uma estátua maior, pode ter origem em Luxor, no sul do Egito, e retrataria um alto funcionário do Egito antigo durante o reinado do faraó Tutmés III (1479–1425 a.C.).
A Ação da Galeria
A escultura foi confiscada em 2022 em Maastricht, onde a galeria Sycomore Ancient Art, que havia adquirido o objeto, optou por entregá-lo após verificar sua procedência. “Nosso princípio é devolver o que não nos pertence e sempre devolvê-lo ao grupo cultural ou país ao qual é de direito”, declarou o Ministro da Cultura da Holanda, Gouke Moes, durante a entrega ao embaixador egípcio.
Importância Cultural e Turística
O embaixador do Egito na Holanda, Emad Hanna, destacou que o seu país monitora artefatos que são expostos ou leiloados, ressaltando a importância dessa restituição para o turismo e a economia do Egito. “Isso significa muito para nós, porque atrai turistas ao Egito, aumentando o interesse pelo nosso patrimônio cultural”, afirmou.
O Grande Museu Egípcio
Atualmente, os planos do Egito para exibir a escultura ainda não foram definidos. Em novembro, o país inaugurou o Grande Museu Egípcio (GEM), localizado nos arredores do Cairo. Com um projeto do escritório irlandês Heneghan Peng Architects, o museu ocupa uma área de aproximadamente 500 mil metros quadrados, equivalente a cerca de 70 campos de futebol, e abriga mais de 100 mil artefatos que abrangem sete milênios de história egípcia.
Entre as exposições permanentes, destaca-se a coleção completa do faraó Tutancâmon, que inclui mais de 5 mil artefatos recuperados de sua tumba, pela primeira vez expostos ao público, incluindo a famosa máscara funerária de ouro. Outro destaque é o barco funerário de 42 metros de comprimento do faraó Quéops, considerado a maior e mais antiga embarcação de madeira encontrada no Egito.
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