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Há 30 anos, Petraglia assumia o comando do Athletico: revolução, conquistas e controvérsias

Petraglia

26 de maio de 1995. Há exatas três décadas, uma das datas mais simbólicas da história recente do Clube Athletico Paranaense marcava o início de uma nova era nos bastidores do Furacão. Naquele dia, o empresário Mario Celso Petraglia era oficializado como presidente da comissão gestora do clube — início de um longo ciclo que uniu profundas transformações estruturais e esportivas a episódios de conflitos internos e controvérsias públicas.

A origem da mudança

Embora o clássico Atletiba da Páscoa, em abril de 1995, seja frequentemente lembrado como o estopim da reestruturação — quando o Athletico foi goleado por 5 a 1 pelo Coritiba —, o movimento por uma nova gestão já vinha sendo articulado. Segundo o então presidente do Conselho Deliberativo, José Henrique de Faria, uma mudança no estatuto do clube foi aprovada em assembleia para permitir a criação de uma comissão gestora. O objetivo era reorganizar o Athletico, então mergulhado em dívidas e em crise esportiva, com Petraglia à frente do processo.

Reestruturação patrimonial como prioridade

Desde o início, a gestão de Petraglia teve como foco a reestruturação do patrimônio do clube. Com articulação política, especialmente com o então governador Jaime Lerner, o Athletico conseguiu uma indenização pela desapropriação de uma área em São José dos Pinhais, o que possibilitou a aquisição do terreno onde seria construído o Centro de Treinamento do Caju — hoje um dos mais modernos do país.

Paralelamente, a Arena da Baixada começou a ser remodelada, transformando-se no primeiro estádio do Brasil com padrão FIFA, o que garantiu sua participação na Copa do Mundo de 2014. Essas obras vieram acompanhadas de um esforço de saneamento financeiro que ajudou a renegociar dívidas superiores a R$ 2 milhões na época.

Conquistas esportivas e ascensão nacional

Os resultados dentro de campo não tardaram. Ainda em 1995, o Athletico conquistou o título da Série B e, em 2001, levantou o troféu do Campeonato Brasileiro, maior conquista nacional da história do clube até então. Ao longo dos anos seguintes, vieram também participações relevantes em torneios continentais, como as finais da Copa Libertadores em 2005 e 2022, além dos títulos da Copa Sul-Americana (2018 e 2021) e da Copa do Brasil (2019).

Rupturas, afastamentos e retorno ao poder

Nem tudo, porém, foi marcado por estabilidade. Em 2002, Petraglia deixou o cargo após divergências internas, retornando posteriormente com apoio popular, no movimento conhecido como “Fica, Petraglia”. Em 2008, nova ruptura, desta vez com o então presidente do Conselho Administrativo, Marcos Malucelli, o afastou da direção até 2011.

Durante o período fora, o dirigente se tornou crítico da gestão vigente, expondo bastidores e valores salariais. Ao retornar, reassumiu o protagonismo e liderou a entrega da nova Arena para a Copa do Mundo, além de uma sequência de campanhas sólidas em competições nacionais e internacionais.

A era Petraglia em números e impacto

Com Petraglia à frente por boa parte dos últimos 30 anos, o Athletico:

  • Saiu da Série B e conquistou o Brasileirão;
  • Modernizou sua infraestrutura com o CT do Caju e a Arena da Baixada;
  • Se tornou presença constante em torneios sul-americanos;
  • Construiu um modelo de negócios sustentado na formação de atletas e equilíbrio financeiro.

As críticas e o futuro do clube

Apesar dos avanços, a centralização de decisões e o estilo combativo de Petraglia sempre geraram críticas — tanto de opositores políticos quanto de torcedores. Recentemente, a relação com parte da torcida se deteriorou, com episódios de atritos em público, inclusive dentro da Arena.

Outra preocupação levantada por conselheiros e ex-dirigentes é a falta de sucessão clara na gestão do clube. Afastado por motivos de saúde em 2024, Petraglia deixou um vácuo de liderança que ainda não foi preenchido com a mesma estabilidade. Para alguns, o modelo concentrado funcionou enquanto ele esteve no controle direto, mas pode dificultar a transição para um novo ciclo.

Um legado em construção

Trinta anos após assumir o comando do clube, Mario Celso Petraglia é, sem dúvida, um dos nomes mais marcantes da história do Athletico Paranaense. A discussão sobre se sua gestão fez mais bem ou mal ao clube divide opiniões, mas os fatos revelam uma trajetória marcada por resultados expressivos, polêmicas e um estilo de liderança único.

A “era Petraglia” pode estar chegando ao fim, mas o seu impacto — seja na estrutura, nas conquistas ou na cultura do clube — permanecerá como parte fundamental da identidade rubro-negra.

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