Governo investe R$ 700 mil em vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela UFPR

O Brasil pode ganhar uma nova vacina contra a Covid-19 integralmente desenvolvida no Paraná. O Governo do Estado formalizou nesta quinta-feira (22) o apoio financeiro para o desenvolvimento da vacina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O investimento inicial será de R$ 700 mil por meio da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), vinculada à Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). 

O imunizante, que ainda está em fase de testes, apontou a produção de anticorpos comparáveis e até superiores aos reportados pela vacina AstraZeneca/Oxford, em estudos na fase pré-clínica. Os resultados do projeto devem contribuir com uma alternativa economicamente viável para a produção de uma vacina segura e sem a necessidade de manipulação do vírus. 

Os pesquisadores da UFPR usaram um polímero bacteriano chamado polidroxibutirato (PHB), que utiliza a proteína spike da Covid-19, responsável por ligar o coronavírus à células humanas e de outros mamíferos. As partículas do PHB são recobertas com a proteína do Sars-CoV-2, induzindo o organismo a uma forte resposta imune. Esse fato já foi demonstrado em camundongos.

“Além das duas vacinas novas anunciadas no início de março, o Brasil tem cerca de outras 10 em fase de pesquisa e a da UFPR é uma das que está em estágio mais avançado”, afirma o reitor da universidade, Ricardo Marcelo Fonseca. 

Divulgação UFPR

Micropartículas de PHB com antígenos superficiais já foram utilizadas com sucesso para imunizar camundongos contra hepatite C e tuberculose. A vacina desenvolvida na universidade deve ser protocolada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a fase clínica em seis meses, solicitando a autorização para os testes em voluntários. O custo da dose, incluindo materiais e insumos, é calculado a um custo aproximado de R$ 10,00.

O professor da UFPR Emanuel Maltempi, doutor em Bioquímica e coordenador da pesquisa, explica que o polímero, quando combinado com a proteína S (utilizada pelo vírus para infectar a célula humana), induz a produção de anticorpos pelas células de defesa. A preparação vacinal será testada na forma nasal.

“Vamos realizar os testes da vacina injetada e também com aplicação nasal, para facilitar os ensaios clínicos. Essa nova plataforma tecnológica que desenvolvemos será um legado não só relacionado ao combate à Covid-19, como no desenvolvimento de outras vacinas paranaenses”, ressalta.

Para o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, o apoio do Governo do Estado será fundamental no desenvolvimento da primeira vacina paranaense contra a Covid-19. “Esse investimento é um marco histórico na valorização da pesquisa científica produzida no Paraná. A UFPR foi contemplada em um edital nacional com recursos para produção de vacinas e os primeiros testes mostraram resultados promissores. Para a continuidade da segunda fase, são necessários novos investimentos”, destaca. 

Além de agilizar a segunda etapa de testagem, a parceria entre o Governo do Estado e a UFPR também vai proporcionar a contratação de novos bolsistas de pós-doutorado que atuarão na pesquisa. O edital para a seleção dos bolsistas será realizado pela Fundação Araucária.

Para o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, este apoio à ciência é fundamental para que a pesquisa tenha sucesso. “O Governo do Estado tem atuado incansavelmente em várias frentes no combate à pandemia. Como instituição de apoio à pesquisa e inovação não estamos medindo esforços, desde o início, no incentivo às ações de extensão e agora na pesquisa no enfrentamento a esta doença. É uma ação integrada que tem trazido excelentes resultados e estamos otimistas com o estudo feito pela UFPR”, afirma.

PRÓXIMA ETAPA 

Os próximos testes pretendem descobrir se os anticorpos produzidos pela imunização têm efeito neutralizante, isto é, se eles impedem que o vírus interaja com os receptores das células. 

“Digamos que uma pessoa tenha, no organismo, anticorpos com potencial para reconhecer o coronavírus. Se a pessoa for infectada e esses anticorpos reconhecerem rapidamente o coronavírus e se ligarem aos receptores do vírus antes que eles reconheçam os receptores das células do organismo, há o efeito neutralizante, pois provavelmente o vírus não conseguirá infectar células do trato respiratório”, explica o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR e um dos responsáveis pelo estudo, Marcelo Müller dos Santos. 

Os pesquisadores acreditam que, pela quantidade de anticorpos presente no sangue imunizado, as chances de que tenham esse efeito neutralizante são altas. O projeto de investimento acontece em parceria com o Tecpar, que fornecerá recursos humanos e laboratórios durante o desenvolvimento do projeto, incluindo os testes pré-clínicos.

“É um passo importante para o Paraná e uma parceria fundamental entre UFPR, Seti e Tecpar. Nesse processo nós vamos avançar, não só na fase de testes clínicos, mas também nas etapas de produção e fornecimento ao Sistema Único de Saúde”, destaca o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado.

RECURSOS 

Até o momento, a pesquisa recebeu aporte de aproximadamente R$ 230 mil pela Rede Vírus, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), além de outros R$ 40 mil em recursos próprios da universidade. De acordo com o reitor da UFPR, os custos envolvidos podem chegar a R$ 30 milhões, considerando todas as fases dos testes pré-clínicos e clínicos, baseando-se em pesquisas já finalizadas e no material publicado sobre o assunto.

NOVAS PESQUISAS 

O Tecpar e a Seti anunciaram no dia 25 de março a criação de um grupo de trabalho para fortalecer a pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos imunobiológicos no Paraná. O grupo é formado por pesquisadores do Tecpar, da Seti e de seis universidades estaduais do Paraná, todos com expertise na área.

O objetivo do grupo é analisar propostas e o desenvolvimento de ações na área de imunobiológicos (vacinas, soros e antígenos, entre outros) no âmbito do Tecpar. A medida é fundamental para ampliar a capacidade do desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, já que o instituto tem sido procurado por diversas instituições internacionais para a realização de parcerias para este tipo de produção. 

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Três em cada quatro cidades paranaenses já vacinam a faixa dos 30 anos contra a Covid-19

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde junto aos 399 municípios nesta quinta-feira (22) mostra que 304 (76%) municípios paranaenses estão vacinando o público em geral na faixa dos 30 a 39 anos, conforme o calendário divulgado em meados de junho. Isso significa que três em cada quatro cidades paranaenses estão imunizando a população dentro do mesmo intervalo, conquistando, juntas, novos públicos.

Outras 16 cidades (4%) já avançaram nesta faixa e estão imunizando cidadãos de 18 a 29 anos. Isso foi possível por causa da quantidade de grupos prioritários nesses municípios, o que naturalmente adiantou a imunização. E apenas 79 ainda estão acima de 40, sendo que 48 delas estão vacinando entre 40 e 41 anos, projetando alcançar a faixa dos 30 até o fim dessa semana.

Em todo Estado, a média geral de idade é de 36,3 anos, mas ela deve cair rápido porque os municípios começam a aplicar nesta quinta suas cotas das 377.505 doses enviadas na quarta-feira (21). De acordo com o calendário do Governo do Paraná, a meta é que até setembro toda a população acima dos 18 anos esteja vacinada com a primeira dose.

“Com as doses recebidas nesta semana, iremos avançar na vacinação do público geral, o que temos feito de maneira exemplar. O Paraná é o 5º estado que mais imunizou no País. A agilidade logística do Estado em distribuir os imunizantes para os municípios e ações de incentivo como a campanha De Domingo a Domingo, além do esforço ininterrupto das prefeituras, são alguns dos motivos para o sucesso da vacinação com as doses já disponibilizadas”, disse o secretário estadual de Saúde, Beto Preto.

“Com exceção de casos excepcionais, de cidades em que boa parte da população foi atendida dentro das prioridades elencadas pelo Ministério da Saúde, há uma uniformização na aplicação dos imunizantes, com a maioria dos municípios vacinando a mesma faixa etária. É o que sempre buscamos desde o início: equilíbrio e agilidade para os paranaenses”, completou o secretário.

Ele ainda disse que com a nova metodologia de distribuição a expectativa é de aproximar mais as faixas etárias.

Até a manhã desta quinta-feira (22), os municípios paranaenses já aplicaram 7.265.955 doses, sendo 5.323.744 com a primeira dose e 1.942.211 com as duas doses da vacina ou a dose única.  O Paraná também é o 3º que mais imunizou a chamada população em geral, que não entrou em nenhum grupo prioritário, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, e o 5º lugar em população totalmente protegida, um em cada cinco cidadãos.

IDADE – Dos 399 municípios, apenas 78 ainda vacinam a população acima dos 40 anos, com Nova Tebas (48) e Altamira do Paraná (47) com as idades mais altas. Outras 16 cidades paranaenses já estão vacinando a população abaixo dos 29 anos, com Santa Cecília do Pavão (18), Guaraqueçaba (18) e Antonina (18) na outra ponta.

A maioria dos municípios mais populosos do Paraná está na faixa dos 30: Curitiba (38), Londrina (39), Maringá (35), Ponta Grossa (36), Cascavel (33), São José dos Pinhais (38), Guarapuava (33) e Colombo (36). Todos já anunciaram novas reduções com a distribuição das novas doses, avançando a novos públicos.

Apenas Foz do Iguaçu (28) e Paranaguá (22) estão mais adiantadas, a primeira por conta da estratégia de controle de variantes na fronteira, a segunda pela quantidade de grupos prioritários na população, como portuários, vacinados anteriormente. 

“É muito importante que toda a população esteja atenta ao chamado dos municípios para a vacinação, estamos tendo baixas tanto na ocupação de leitos como na taxa de transmissão em todo Estado, isso é reflexo do avanço da vacinação, aliada às medidas protetivas como o uso da máscara e do álcool em gel e distanciamento social”, acrescentou o secretário.   

MAIS DOSES – O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (22) que tem mais de 3,5 milhões de doses em estoque para enviar aos estados nos próximos dias. São 1,03 milhão de AstraZeneca/Oxford, pela Covax Facility, 1,05 milhão de Pfizer/BioNTech e 1,5 milhão de Coronavac/Butantan.

Confira o levantamento completo AQUI.

Paraná recebe mais doses e começa a distribuir 377,5 mil vacinas nesta quarta

O Paraná começa a distribuir nesta quarta-feira (21) mais 377.505 vacinas contra Covid-19 para as 22 Regionais de Saúde. As doses fazem parte da 31ª pauta de distribuição do Ministério da Saúde. São 453,7 mil vacinas no total, sendo 296.550 da Covishield (AstraZeneca/Oxford); 88.200 da CoronaVac (Instituto Butantan/Sinovac); e 69.030 doses da Comirnaty (Pfizer/BioNTech). Parte do quantitativo será armazenada para segunda dose, e parte ainda é esperada para os próximos dias.

O lote inclui as 211.575 doses da AstraZeneca/Fiocruz/Oxford que aterrissaram no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, nesta terça-feira (20). Elas se somam às 141 mil que chegaram à Capital nesta segunda (19). Dentro do quantitativo estimado pelo Ministério da Saúde, há ainda as vacinas da Pfizer que chegam às 00h20 desta quarta-feira (21) e outras 32.175 doses da AstraZeneca, produzidas pela Fiocruz, que serão entregues nos próximos dias para completar o lote.

Todas elas passam por conferência detalhada no Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar). Segundo a Secretaria de Saúde, devem receber por via terrestre as Regionais de Paranaguá, Metropolitana, Ponta Grossa, Irati, Guarapuava, União da Vitória, Pato Branco, Francisco Beltrão e Telêmaco Borba. Já as Regionais de Cascavel, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Umuarama, Cianorte, Paranavaí, Londrina, Apucarana, Maringá, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Toledo e Ivaiporã terão seus quantitativos após transporte aéreo.

DIVISÃO – As 377.505 doses iniciais desse lote estão divididas entre D1 e D2 e em cinco esquemas: 32.760 Pfizer, 36.270 Pfizer, 44.100 CoronaVac, 52.800 Covax/AstraZeneca e 211.575 AstraZeneca/Fiocruz.

Da CoronaVac, das 88.200 vacinas recebidas, 44.100 D1 serão distribuídas aos municípios, enquanto a outra metade, destinada a D2, ficará armazenada no Cemepar até a data correta para sua aplicação (21 dias). As doses são destinadas à população em geral.

As da Pfizer também atendem D1 e D2. São 36.270 direcionadas à primeira dose da população em geral e outras 32.760 exclusivamente para Curitiba, atendendo à segunda dose das pessoas vacinadas com o primeiro lote da Pfizer que chegou ao Paraná e foi distribuído apenas na Capital, em maio. As D2 são para pessoas de 60 a 64 anos, gestantes e puérperas, pessoas com deficiência permanente e comorbidades.

Já as doses da Covishield são subdivididas entre diferentes grupos. As 52.800 vacinas importadas pelo consórcio Covax Facility são exclusivamente para D1 da população em geral.

As demais 211.575 da AstraZeneca/Fiocruz são: 135.010 D1 para população em geral; 57.940 D2 de pessoas com comorbidades; e 18.625 D2 de pessoas com deficiência permanente.

Segundo a Secretaria da Saúde, as outras 32.175 doses da AstraZeneca produzidas pela Fiocruz (para completar as 296.550 anunciadas) vão para D2 de trabalhadores da educação básica.

VACINÔMETRO – Dois dias após completar seis meses de vacinação, o Paraná ultrapassou a marca de 7 milhões de doses aplicadas. Até a tarde desta terça-feira (20), foram 7.102.872 aplicações: 5.239.114 primeiras doses (73,8% do total aplicado), 1.583.454 segundas doses (22,3%) e 280.304 doses únicas (3,9%).

Da população adulta paranaense, 63,28% já receberam ao menos uma dose. Já o percentual da população completamente imunizada, que já recebeu a segunda dose ou dose única, está em 21,37%. Os dados são do Vacinômetro do Sistema Único de Saúde (SUS), vinculado ao Ministério da Saúde.

Confira a quantidade de doses que cada Regional de Saúde recebe nesta remessa:

1ª RS – Paranaguá – 7.671 doses

2ª RS – Metropolitana – 140.887 doses

3ª RS – Ponta Grossa – 19.624 doses

4ª RS – Irati – 6.461 doses

5ª RS – Guarapuava – 14.894 doses

6ª RS – União da Vitória – 5.726 doses

7ª RS – Pato Branco – 8.915 doses

8ª RS – Francisco Beltrão – 11.403 doses

9ª RS – Foz do Iguaçu – 6.259 doses

10ª RS – Cascavel – 15.461 doses

11ª RS – Campo Mourão – 11.248 doses

12ª RS – Umuarama – 8.844 doses

13ª RS – Cianorte – 5.456 doses

14ª RS – Paranavaí – 8.837 doses

15ª RS – Maringá – 24.645 doses

16ª RS – Apucarana – 12.017 doses

17ª RS – Londrina – 30.378 doses

18ª RS – Cornélio Procópio – 6.738 doses

19ª RS – Jacarezinho – 9.119 doses

20ª RS – Toledo – 12.222 doses

21ª RS – Telêmaco Borba – 6.534 doses

22ª RS – Ivaiporã – 4.166 doses

TOTAL – 377.505 doses