Governador pede apoio da União contra crise hídrica

O governador Carlos Massa Ratinho Junior se reuniu nesta quarta-feira (4) com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, em Brasília, e pediu apoio da União no enfrentamento da crise hídrica que assola o Paraná desde o começo do ano. O Estado passa por uma das maiores estiagens da sua história e está sob regime de emergência nessa área há mais de 180 dias – o decreto que prorroga essa condição por mais 180 dias foi editado na semana passada.

“Estamos muito preocupados com essa situação. É uma dificuldade adicional em meio à pandemia. Estamos tentando novas parcerias com a União para acelerar investimentos que serão essenciais nos próximos meses”, afirmou o governador. “Nesse momento precisamos do apoio da população e de todos os entes públicos, de Brasília ao menor município do Estado”.

De agosto a outubro, o regime de chuvas ficou entre 50% e 70% abaixo da média no Paraná, com uma situação ainda mais preocupante na Região Metropolitana de Curitiba. O déficit hídrico na região, onde o impacto no abastecimento público é mais grave, foi de 650 milímetros nos últimos 12 meses. O rodízio atual nas unidades consumidoras é de 36 horas em 36 horas, dada a situação crítica dos reservatórios, que estão com 27,5% de capacidade.

E não é apenas o abastecimento de água que fica comprometido com a falta de chuvas. A estiagem é ruim para o meio ambiente, aumenta o risco de queimadas e reduz a qualidade do ar, causando vários problemas respiratórios, além dos impactos danosos para a economia, afetando a agricultura, a produção industrial e o fornecimento de energia.

A solução ainda vai demorar, segundo o Simepar. A previsão é que a estiagem se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão, entre dezembro e fevereiro do ano que vem. Além disso, o Paraná pode ser impactado pelo fenômeno La Ninã. O resfriamento das águas do Pacífico pode ter como consequência um verão mais seco no Estado, justamente quando são esperadas as chuvas mais intensas.

“É um momento urgente. Estive em Brasília para buscar apoio nessa pauta que tem nos preocupado. É uma luta que envolve nossa bancada de senadores e nossos deputados. Precisamos encontrar alternativas para minimizar o impacto da seca e para estimular, ainda mais, o uso consciente da água”, destacou o governador.

MONITOR – O Paraná integra o Monitor de Secas do Brasil, instituído pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que faz o acompanhamento regular da escassez hídrica no País. No balanço mais recente, divulgado pelo monitor em setembro, o Paraná era o Estado com a situação mais crítica entre as 19 unidades da federação monitoradas.

INVESTIMENTOS – Como parte dos investimentos nessa área, a Sanepar corre contra o tempo para entregar a Barragem de Miringuava, em São José dos Pinhais. Com investimentos de R$ 160 milhões, a barragem vai incrementar 38 bilhões de litros de água na reservação do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (Saic), formado pelas barragens Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. A capacidade de produção de água passará dos atuais 1.000 litros/segundo para 2.000 litros/segundo, abastecendo cerca de 650 mil habitantes.

Em meio à crise hídrica, o Governo do Estado e a Sanepar também pretendem criar uma reserva hídrica junto ao Rio Iguaçu. A proposta prevê a implantação de um sistema de reservatórios lineares capaz de armazenar volume superior a 100 bilhões de litros de água.

Pelo projeto, serão feitas intervenções em uma área total de 17 mil hectares, abrangendo as quatro barragens do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana. Ao todo, haverá estruturação em 97 quilômetros lineares ao longo do traçado do Rio Iguaçu, entre os municípios de Quatro Barras e Porto Amazonas. Os reservatórios lineares serão criados com a interligação de cavas já existentes.

Informações AEN.

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Pelo menos três cidades da RMC seguem bandeira vermelha de Curitiba

As cidades, da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul e Campo Magro publicaram novos decretos de combate à Covid-19 com restrições que se assemelham às regras da bandeira vermelha em Curitiba. A expectativa é que ainda outras cidades acompanhem a capital com medidas mais rígidas.

Os três municípios citados determinaram toque de recolher das 21h até as 5h da manhã do dia seguinte. O comércio está autorizado a funcionar de segunda a sábado, mas não de forma presencial.

Restaurantes também podem funcionar, porém apenas na modalidade delivery, drive-thru e retirada no balcão. Os mercados estão proibidos de abrir aos domingos.

Pinhais e Balsa Nova

As cidades de Pinhais e Balsa Nova também publicaram novos decretos, no entanto com medidas mais flexíveis.

Em Pinhais, o toque de recolher acontece das 21h às 5h, mas as atividades de rua não essenciais e prestação de serviços continuam presencialmente de segunda a sábado, das 9h às 18h, sendo suspensas apenas no domingo.

Já restaurantes, pizzarias, lanchonetes e bares, podem funcionar com limitação de 50% de ocupação. Aos domingos, o atendimento é apenas por meio das modalidades de entrega, ficando vedado o consumo no local.

Balsa Nova também manteve o comércio e mercados abertos, com 50% da capacidade do local, de segunda a sábado. Restaurante funcionam com metada da ocupação e no domingo somente na modalidade delivery, drive-thru e retirada no balcão. Bares ficam abertos de segunda a sábado. O toque de recolher vale a partir das 20h e vai até as 5h.

Os municípios de Araucária, Campina Grande do Sul, Colombo, Campo Largo, Fazenda Rio Grande, Piraquara, Pinhais, Quatro Barras e São José dos Pinhais ainda não apresentaram oficialmente novas definições de medidas restritivas.

Reunião

Representantes da Prefeitura de Curitiba se reuniram, nesta segunda-feira (31), com lideranças de municípios da Região Metropolitana, em mais um esforço para promover medidas conjuntas de combate à expansão da pandemia da covid-19. Segundo a gestão municipal, a falta de adesão das cidades vizinhas compromete os resultados necessários para redução da expansão da doença, além de manter a pressão da rede de saúde da capital.

Na reunião por videoconferência, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) discutiu a minuta de decreto que busca servir de base para cidades da Grande Curitiba ampliarem as restrições neste momento de agravamento da covid-19.

A base do documento é o decreto municipal nº 940/2021, que estabeleceu a bandeira vermelha em Curitiba e entrou em vigor no último sábado (29/5). A expectativa é a de que os municípios façam os ajustes necessários de acordo com a realidade de cada um.

O vice-prefeito Eduardo Pimentel, representando o prefeito Rafael Greca, que também é presidente da Assomec, reiterou a importância dos municípios da Grande Curitiba adotarem as medidas de ampliação das restrições de circulação.  

“Quanto mais alinhadas estiverem as ações da Região Metropolitana melhores serão os resultados no combate à pandemia. Não tem sentido uma cidade restringir atividades e outras deixarem livre. Aí o vírus vai continuar circulando”, argumentou Pimentel, que é coordenador municipal de Ações Integradas com a Região Metropolitana de Curitiba.

A secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, também pediu durante o encontro que os municípios metropolitanos adotem as restrições previstas na bandeira vermelha de Curitiba.

Informações Banda B

ANA declara situação crítica de escassez de recursos hídricos da bacia do Paraná

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação crítica de escassez quantitativa dos recursos hídricos na Região Hidrográfica do Paraná. A Resolução, que reconhece a situação até o dia 30 de novembro de 2021, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta terça-feira, 1º.

O ato da ANA considera o alerta de emergência hídrica, emitido pelo governo na última sexta-feira (28) para o período de junho a setembro em cinco Estados brasileiros – Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, unidades da Federação que estão na bacia do Rio Paraná. O anúncio foi antecipado pelo Broadcast. Esse é o primeiro alerta dessa natureza em 111 anos de serviços meteorológicos do País.

A ANA diz na Resolução que “poderá definir condições transitórias para a operação de reservatórios ou sistemas hídricos específicos, inclusive alterando temporariamente condições definidas em outorgas de direito de uso de recursos hídricos”.

Se for necessário, diz o órgão regulador, serão emitidos atos específicos para o estabelecimento de outras regras de uso da água para assegurar os usos múltiplos durante a vigência da resolução.

Será criado pela ANA um Grupo Técnico de Assessoramento da Situação da Região Hidrográfica do Paraná (GTA-RH Paraná), com a participação dos órgãos gestores dos recursos hídricos dos Estados abrangidos. Esse grupo terá caráter de assessoramento e consulta às ações de gestão dos recursos hídricos adotadas pelos entes responsáveis.

Na Resolução, a agência reguladora destaca que a região hidrográfica do Paraná abrange importantes usos dos recursos hídricos, de relevância econômica e social, e concentra os principais reservatórios de regularização do SIN (Sistema Interligado Nacional), com importância para manutenção da segurança hídrica da região energética do País.

“O cenário observado na Região Hidrográfica do Paraná é de escassez hídrica relevante em comparação com períodos anteriores e que a situação desfavorável prevista para os próximos meses representa impactos a usos da água, em especial para os usos não consuntivos de lazer e turismo, navegação e geração hidrelétrica, inclusive conforme reconhecimento por deliberação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE em sua 248ª Reunião Extraordinária, de 27 de maio de 2021, que apontou o risco de comprometer a geração de energia elétrica para atendimento ao SIN”, diz a resolução.