O estudante Gustavo Bachmann, do Centro Estadual de Educação Profissional do Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, desenvolveu um revestimento biodegradável para sementes, como as de soja, utilizando fibroína, proteína extraída da seda do bicho-da-seda (Bombyx mori). A pesquisa busca oferecer uma alternativa sustentável aos tratamentos químicos convencionais, com potencial para melhorar a germinação, proteger as sementes contra microrganismos e favorecer o desenvolvimento inicial das plantas.
A fibroína é usada nas indústrias têxtil e de biomateriais, além de estar presente em cosméticos e produtos médicos. O Paraná é o principal produtor brasileiro de casulos do bicho-da-seda e responde por aproximadamente 85% da produção nacional de seda. O Estado também lidera a produção de casulos na América Latina, atividade desenvolvida majoritariamente por agricultores familiares. A seda paranaense é exportada para países como França, China, Índia, Itália e Japão.
Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da sericicultura no Paraná chegou a R$ 34,57 milhões, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Dos 399 municípios paranaenses, 137 participam efetivamente da atividade.
O projeto de Gustavo propõe aproveitar a fibroína da anafaia, considerada um resíduo de baixo valor de mercado, para criar uma película protetora aplicada sobre a superfície das sementes. A iniciativa busca reduzir a dependência de insumos químicos, agregar valor à matéria-prima da sericicultura e beneficiar produtores interessados em práticas agrícolas mais sustentáveis.
“O meu principal objetivo com o projeto foi valorizar a fibroína do bicho-da-seda, que não tem muito valor agregado para os produtores de seda, e também ajudar os produtores de produtos orgânicos”, explica Gustavo.
A professora coordenadora do projeto, Lydiane Damaceno Carvalho Franchin, explica que a anafaia é formada por fios produzidos pelo bicho-da-seda no início da construção do casulo. Como são desalinhados, esses fios costumam ser considerados resíduos da produção, embora também possam ser aproveitados pela indústria têxtil. O estudo busca ampliar as possibilidades de uso desse material na agricultura.
“A ideia é ampliar as possibilidades de uso desse material no revestimento ecológico de sementes, utilizando a fibroína como uma camada protetora e a sericina para dar sustentação à estrutura. Dessa forma, buscamos uma alternativa mais sustentável aos produtos químicos convencionais”, explica Lydiane.
Para desenvolver o revestimento, o estudante realizou a extração da fibroína e preparou o material para aplicação nas sementes. A pesquisa também contempla a associação da proteína à nisina, substância de origem natural com propriedades antimicrobianas. Depois da aplicação e da secagem, o material forma uma película sobre a superfície das sementes, que pode contribuir para protegê-las durante a germinação.
Os testes apresentaram resultados positivos em condições adversas. “O primeiro teste foi realizado com um solo salino, no qual o revestimento biológico apresentou vantagem sobre o convencional químico, com uma germinação mais eficaz. O segundo foi realizado com bactérias e fungos no solo, e o revestimento biológico ajudou a defender a semente dos ataques de microrganismos”, relata o estudante.
O trabalho também reúne referências científicas que demonstram o potencial dos revestimentos à base de seda para melhorar a germinação e o crescimento das plantas em situações de estresse ambiental. A proposta está alinhada aos princípios da economia circular ao buscar novas aplicações para materiais provenientes da sericicultura e incentivar o desenvolvimento de tecnologias agrícolas de menor impacto ambiental.
Para Gustavo, os resultados indicam que a fibroína pode representar uma alternativa promissora para o tratamento de sementes. “Em relação ao desenvolvimento inicial das plantas, o nosso revestimento biológico também apresentou uma vantagem considerável sobre o convencional químico”, destaca.
Outro estudo relacionado ao uso do insumo foi desenvolvido por Maria Vitória Ferreira, mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela criou um produto facial hidratante com fibroína. Após testes clínicos com mais de 50 voluntários, o sérum foi patenteado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e apresentou alto potencial antioxidante e de regeneração.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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