Estiagem também afeta a produção de alimentos no Paraná

A vida de milhares de paranaenses tem sido afetada desde 2019 pela estiagem mais intensa das últimas décadas, que assola boa parte do Estado há cerca de um ano e meio. No Paraná, ao longo desse período, choveu em média 70% abaixo do esperado. Os reservatórios da Sanepar também estão com nível 70% abaixo do normal.

A seca interfere em todas as atividades. “Quando as consequências da falta de chuvas afetam estes três setores essenciais à sobrevivência, abastecimento de água, geração de energia e produção de alimentos, dizemos que estamos numa condição de seca extrema. É o que estamos vivendo, e o prognóstico não é muito positivo para o verão, quando costuma chover mais”, explica o hidrólogo do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Arlan Scortegagna. A previsão do instituto é de que a estiagem se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão – entre dezembro deste ano e fevereiro de 2021.

O engenheiro agrônomo Rubens Antônio Sieburger Costa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná) é enfático: sem água é impossível produzir. “Sem produção, não há comida. Água é fundamental para a produção de alimento. E é sempre uma preocupação do agricultor quando e quanto vai chover para fazer o plantio e a colheita, e ter um produto com boas condições de consumo e nutricionais. Falta de chuva também interfere na qualidade daquilo que o produtor vai oferecer”, diz ele.

ABAIXO DO ESPERADO – Para o agricultor Otavino Rovani, a produção deste ano deve ficar aquém da expectativa devido à falta de água. “Este período longo de falta de chuvas nos afeta”, diz ele. “A produção e a colheita possivelmente ficarão abaixo do esperado. Não temos o costume de irrigar as lavouras, então, dependemos da chuva. Sem água, não temos agricultura. Sem agricultura, não temos alimento”, ressalta.

 Otavino, que também é engenheiro agrônomo há 47 anos, diz nunca ter visto uma estiagem tão intensa e prolongada. “Nasci no Rio Grande do Sul, moro em Guarapuava há mais de 40 anos e não me recordo de ter vivido uma seca como esta.”

Relatório divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento informou, no início deste mês, que as chuvas registradas são insuficientes para a agricultura. E a Sanepar ressalta que são insuficientes, também, para normalizar a produção e a distribuição de água. É necessária ao longo dos meses uma chuva volumosa e constante para que os reservatórios comecem a se recuperar.

LODO AGRÍCOLA – O engenheiro agrônomo do IDR-Paraná diz, em relação à produção de alimento no campo, que a atenção do agricultor deve estar voltada a algo bastante importante: a conservação do solo.

Ter um solo em condições de absorver e manter a água é essencial para uma ótima produção. Se houver pouca matéria orgânica no solo, a água da chuva cai, mas não vai permanecer ali por muito tempo. Se o solo for muito arenoso, boa parte da água vai percolar e se perder”, explica. “A preocupação com a conservação do solo existe, então, também para manter disponível a maior quantidade de água para as plantas até a próxima chuva.”

A propriedade de reter mais água no solo é um dos benefícios do uso do lodo agrícola, distribuído pela Sanepar a proprietários rurais. “A aplicação do lodo garante a adição de nutrientes e matéria orgânica ao solo. O lodo de esgoto desempenha o papel de condicionador do solo, melhorando a formação de agregados, a infiltração e a retenção de água”, destaca o engenheiro agrônomo da Sanepar, Rebert Skalisz.

Ele enfatiza, também, que com a correção da acidez do solo promovida pela cal virgem presente no lodo, as plantas desenvolvem maior enraizamento. “E, com isso, ocorre a melhoria na capacidade de absorção de água do solo”.

Para o uso agrícola, o lodo é corretamente tratado e são feitas análises do lodo e do solo, que garantem a qualidade do produto e definem a quantidade a ser aplicada em cada local.

Em 2019, mais de 27 mil toneladas de adubo produzido a partir do lodo de esgoto da Sanepar foram distribuídas a 122  agricultores de 46 municípios paranaenses. O lodo agrícola pode ser usado em culturas anuais, como soja, milho, feijão, trigo, cevada e aveia (cobertura); em culturas perenes, como café, grama, palmito juçara, goiabeira, cítricos, fruteira de caroço e amoreira (produção de seda); e em culturas florestais, como a da seringueira.

Histórico – A Sanepar iniciou em 2002 o uso agrícola do lodo de esgoto. Em 2016, o Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), principal autoridade na definição da agenda ambiental mundial, divulgou a experiência de uso agrícola do lodo da Sanepar como um bom exemplo na conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Agricultores interessados em participar do programa podem enviar e-mail para: lodoagricola@sanepar.com.br

Informações AEN.

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PM lança edital de ingresso no curso de formação de oficiais para policial e bombeiro militar

A Polícia Militar abriu as inscrições para o concurso público de ingresso ao Curso de Formação de Oficiais (CFO) turma 2022. São 60 vagas para cadete policial militar (seis para candidatos afrodescendentes) e 10 vagas para cadete bombeiro militar (uma para candidatos afrodescendentes). Os interessados podem fazer a inscrição até as 12h do dia 10 de novembro. Confira o link do Edital.

Os candidatos devem ler atentamente o que prevê o edital e verificar os pré-requisitos básicos para concorrer às vagas. As inscrições devem ser feitas pela internet, no site do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná, mediante o preenchimento do formulário de inscrição, e serão consolidadas com o pagamento da taxa, ou após a homologação da isenção dessa taxa (ver critérios no edital).

A SELEÇÃO – O processo seletivo será feito em duas etapas, sendo a primeira com a UFPR e a segunda com a Academia Policial Militar do Guatupê (APMG). A primeira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste provas de Conhecimentos Gerais e de Compreensão e Produção de Textos, em fase única, para avaliar o domínio dos conteúdos das disciplinas do Ensino Médio, as capacidades de articular ideias com clareza, de relacionar e interpretar fatos e dados e de raciocinar de maneira lógica.

Na segunda etapa, os candidatos serão submetidos às Provas de Habilidades Específicas (PHE) no âmbito da PMPR, reguladas por edital. As PHE, de caráter eliminatório, serão compostas pelas seguintes fases: Investigação Social (IS), Avaliação Psicológica (AP), Exame da Capacidade Física (ECAFI) e Exame de Sanidade Física (ESAFI).

CFO – O curso, oferecido pela Escola de Formação de Oficiais (EsFO), é disponibilizado todos os anos pela UFPR. As disciplinas fundamentais estão ligadas diretamente à vida militar, buscando adaptar os cadetes para o melhor cumprimento da sua atividade como policial militar e bombeiro militar. São diversos segmentos do direito, uso correto de armas de fogo, psicologia, estatística, educação física, direitos humanos e policiamento comunitário, além de técnicas de salvamento e prevenção de incêndios, entre outras.

DURAÇÃO – O curso tem duração de três anos e, no 1º ano, o cadete recebe um subsídio de R$ 3.277,88. No 2º ano o valor é de R$ 3.671,24 e, no 3º ano, de R$ 4.221,93. Ao concluir o 3º ano o cadete é declarado Aspirante à Oficial com subsídio no valor de R$ 7.211,35. Após o período de estágio probatório, estará apto a ser promovido ao posto de 2º tenente, com subsídio de R$ 9.735,33.

Corpo de Bombeiros abre 167 vagas em curso de guarda-vidas civil voluntário para temporada

O Corpo de Bombeiros do Paraná vai disponibilizar 167 vagas para o curso destinado a pessoas que queiram trabalhar como guarda-vidas civil no Litoral e nas regiões Noroeste e Oeste do Estado na temporada de verão 2021/2022. A inscrição para a capacitação é gratuita e deve ser feita no site da corporação até às 12h do dia 15 de outubro de 2021.

Os guarda-vidas civis atuarão como reforço ao trabalho dos bombeiros militares na prevenção de ocorrências e no atendimento a afogamentos no mar, rios e lagos.

Das 167 vagas, 90 são para os municípios litorâneos de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná (30 vagas para cada município), 30 vagas para a região de Paranavaí (Noroeste), 25 para Foz do Iguaçu (Oeste), 12 para Umuarama (Noroeste) e 10 para Morretes (Litoral).

Na inscrição o candidato deve apontar onde quer fazer o curso. Para efetivar a inscrição é necessário ter entre 18 e 50 anos, ser brasileiro nato, ter concluído o Ensino Médio até a data de término das inscrições (15 de outubro) e não possuir antecedentes criminais.

ETAPAS  A seleção será dividida entre as etapas de inscrição, exame de capacidade física e entrega de exames, documento e matrícula. Concluídas essas fases, a previsão de início da etapa de instrução é no dia 16 de novembro. O estágio operacional ocorrerá a partir do dia 10 de dezembro.

As datas do cronograma podem ser alteradas pelo Corpo de Bombeiros em edital à parte e cabe aos candidatos acompanhar o andamento do concurso no site oficial da instituição.

No período de estágio, o guarda-civil voluntário receberá o uniforme e uma ajuda de custo para cobrir despesas de alimentação e hospedagem no valor de R$ 100,00 por dia trabalhado.