A Escola de Dança Teatro Guaíra (EDTG) completa 70 anos neste sábado (11), consolidando-se como a instituição pública de formação em dança mais antiga do Brasil ainda em operação. Desde a sua fundação em 1956, a EDTG tem sido um alicerce para a formação de bailarinos, servindo como braço artístico do Teatro Guaíra, atualmente conhecido como Balé Teatro Guaíra.
Uma Trajetória de Sucesso
Ao longo de suas sete décadas de história, a EDTG tem se destacado no cenário nacional, formando mais de 15 mil alunos, além de realizar mais de mil apresentações e conquistar cerca de 350 prêmios, tanto em nível nacional como internacional.
No momento, a escola possui 108 estudantes matriculados em um curso de sete anos, que abrange desde o nível preparatório até o aperfeiçoamento. As aulas são gratuitas e incluem modalidades como balé clássico, dança contemporânea e estudos do movimento, com carga horária parcial. O ingresso é realizado através de um processo seletivo, com edital divulgado ao final de cada ano letivo.
Integração com a Comunidade
A coordenadora da EDTG, Larissa Pansera, enfatizou que um dos principais objetivos da escola é a aproximação com outros corpos artísticos do Centro Cultural Teatro Guaíra e com o público em geral. Esse envolvimento visa também promover a formação de novas plateias.
“Desde que ingressei em 2022, nosso trabalho visa aproximar a escola dos demais corpos artísticos, permitindo que os alunos acompanhem a preparação de um espetáculo, passando pela cenografia até a criação de figurinos e coreografias,” declarou Larissa.
Ela destacou ainda a importância da presença da EDTG no projeto “Guaíra para Todos”, que levou os alunos para se apresentarem em escolas de Curitiba e região, atingindo cerca de 12 mil estudantes e professores. “Este projeto atua como uma extensão do Teatro Guaíra para crianças que, muitas vezes, não teriam acesso ao espaço. Nossa intenção é despertar o interesse pela dança e descobrir novos talentos,” completou.
Reconhecimento e Futuro
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, ressaltou que a EDTG não é apenas um espaço de ensino, mas um importante polo de profissionalização artística, promovendo a cultura para futuras gerações.
“A Escola de Dança Teatro Guaíra é um dos pilares do nosso centro cultural, formando talentos que fascinam plateias no Brasil e no exterior,” ressaltou.
A secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande, acrescentou que os 70 anos da EDTG são motivo de orgulho para o Paraná e para o Brasil, destacando a escola como um símbolo de democratização cultural e transformação de vidas.
Eventos Comemorativos
No ano passado, a EDTG iniciou suas celebrações de aniversário com masterclasses exclusivas realizadas pela Ópera Nacional de Paris. As aulas foram conduzidas por Élisabeth Platel, uma das profissionais mais respeitadas da dança mundial, além de estrelas do balé parisiense.
Para o próximo mês, estão programadas apresentações de um novo espetáculo, que está sendo ensaiado com coreografia do renomado Allan Keller. “Este é um projeto coletivo, que visa celebrar o aniversário da instituição com alegria e realização de sonhos,” comentou Keller. A direção-geral do espetáculo será de Larissa Pansera.
Além disso, será lançado um livro que retrata as sete décadas de história da EDTG, escrito por Zeca Corrêa Leite, que já havia produzido uma obra sobre os 140 anos do Teatro Guaíra.
Memórias e Legado
Alunos e ex-alunos da EDTG frequentemente destacam não apenas a formação artística, mas também o acolhimento encontrado na escola. Silvia Andrejeski, ex-coordenadora, relembra a atmosfera familiar entre alunos e professores.
Patricia Otto, ex-aluna e coordenadora, salienta que a escola forma cidadãos e não apenas artistas. “Muitos dos meus ex-alunos seguem em distintas profissões levando consigo os valores aprendidos aqui,” disse.
Eleonora Greca e Regina Kotaka, ambas bailarinas do Balé Teatro Guaíra, guardam com carinho suas memórias da escola. Eleonora descreve a EDTG como a raiz de toda sua carreira na dança. “Minha história começou aqui, em uma escola pública e gratuita que me ofereceu um futuro,” declarou.
Histórico da EDTG
A criação da EDTG ocorreu discretamente em 1956, com a abertura de um curso de ballet, sob coordenação de Teresa Pedron de Siqueira. O Teatro Guaíra ainda estava em construção, e as aulas aconteciam em uma pequena sala. Com o tempo, o curso foi ampliado e estruturado, e novos professores foram integrados, como Lorna Kay e Yara de Cunto, até a chegada de grandes nomes como Yuri Shabelewski e Liane Frank Essenfelder.
A EDTG apresentou inovações ao longo das décadas, incluindo a introdução de dança moderna e contemporânea, e a criação de projetos que ampliaram a participação dos alunos em festivais. Mais recentemente, em 2020, a escola adaptou suas atividades para o ambiente online durante a pandemia, mantendo-se ativa e relevante.
Atualmente, sob a liderança de Larissa Pansera, a EDTG continua seu compromisso em aproximar a arte da comunidade através de projetos como “Guaíra para Todos,” reforçando seu papel social e cultural na formação de novas gerações de artistas.
