Empresária do Paraná Reconhece Envio de Áudios com Declarações Homofóbicas
A empresária Rosangela Silva Pinto, investigada pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR) por áudios com declarações discriminatórias contra homossexuais, prestou depoimento nesta segunda-feira (18) na delegacia de Marialva. Durante o interrogatório, ela confirmou a autoria das mensagens, mas justificou que a exigência de não contratar profissionais LGBTQIA+ teria partido de clientes.
Depoimento e Repercussão
Segundo o delegado Aldair de Oliveira, Rosangela, que estava tentando recrutar funcionários para uma clínica geriátrica, reconheceu o envio dos áudios, mas alegou que as exigências referentes à orientação sexual dos candidatos foram feitas por clientes. O advogado dela, Augusto Braga, reforçou que as conversas ocorreram em um contexto privado.
“O conteúdo das mensagens não reflete opiniões pessoais dela, mas sim orientações de clientes”, afirmou o advogado. Contudo, o delegado observou que ela usa termos na primeira pessoa, como “Eu” e “Minha Equipe”, ao fazer as afirmações controversas.
Indiciamento por Racismo
A PC-PR concluiu que, apesar de Rosangela negar que sua posição seja pessoal, a gravidade das afirmações resultou em indiciamento por crime de racismo. Vale ressaltar que, no Brasil, não existe legislação específica para crimes contra a comunidade LGBTQIA+, sendo estes tratados com base na Lei 7.716/89, também conhecida como “Lei do Racismo”.
O delegado revelou que Rosangela já havia sido convocada para prestar depoimento na sexta-feira (15), mas não compareceu alegando problemas de saúde.
Conteúdo dos Áudios
Os áudios que geraram a investigação foram entregues à polícia por uma enfermeira lésbica, que registrou um boletim de ocorrência. Nos áudios, Rosangela afirma não aceitar indicações de profissionais homossexuais, recomendando, inclusive, que sejam indicados somente homens.
Em um dos áudios, ela diz: “Se você quiser me indicar técnicos de enfermagem homens, que não ‘seje’ homossexual… E lésbica também não, tá?”. Em outro, expressou preocupações sobre a visibilidade da homossexualidade na sociedade.
Manifestação do Coren-PR
O Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) manifestou repúdio à conduta da empresária. Em nota oficial, o Coren declarou: “Repudiamos veementemente qualquer ato de discriminação por homofobia contra profissionais de Enfermagem. A profissão é plural e deve respeitar a identidade e dignidade de todos”.
O Coren também ressaltou que a situação está sendo apurada para que as medidas adequadas sejam implementadas.
Próximos Passos na Investigação
Com o término das diligências, a Polícia Civil encerrará a fase investigativa e seguirá com os procedimentos legais necessários. A defesa de Rosangela se comprometeu a acompanhar todas as etapas do processo.
A situação continua a gerar discussões sobre discriminação e inclusão no ambiente de trabalho, especialmente em profissões ligadas à saúde.
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Fonte/Imagem: G1
