Em 8 dias, Pazuello reduz previsão de vacinas pela quinta vez

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, voltou a reduzir, em discurso nesta quarta-feira (10), a previsão de doses de vacina contra Covid-19 a serem distribuídas a estados e municípios no mês de março. Esta é a quinta redução apontada a partir de cronogramas da pasta ou de declarações do ministro somente neste mês –a primeira foi dia 2.

Segundo Pazuello, a previsão atual é ter entre 22 e 25 milhões de doses neste mês. Na segunda (8), em evento no Rio de Janeiro, o ministro havia citado estimativa de ter “entre 25 a 28 milhões”. O montante é praticamente a metade daqueles anunciados em 17 de fevereiro (46 milhões) e 22 de fevereiro (48,9 milhões).

“Nós estamos garantidos para março entre 22 e 25 milhões de doses, podendo chegar a até 38 milhões de doses. São números realmente impactantes e que vão fazer a diferença na nossa campanha de vacinação”, disse Pazuello nesta quarta, em cerimônia no Planalto.

Antes de citar os números, ele tentou se antecipar a críticas, negando haver “redução” no volume de doses, apesar dos dados anteriores terem sido divulgados por ele mesmo.

“A gente, quando planeja março, por exemplo, abril, garante o que está sendo produzido no Brasil. E deixamos como possibilidade aquilo que está importado. E isso, às vezes, fica de uma forma errada na visão da imprensa e do restante do povo. Não é uma redução. É uma garantia com possibilidades de ir além”, afirmou.

Questionado pela reportagem sobre possíveis novos ajustes no cronograma, o Ministério da Saúde não respondeu até a publicação desta reportagem.

As revisões na previsão de entrega de vacinas têm ocorrido sucessivamente. Cronograma divulgado por Pazuello em 17 de fevereiro em reunião com governadores previa 46 milhões de doses para este mês. Já em 2 de março, a pasta divulgou nova previsão com 39,1 milhões de doses, revista dois dias depois para cerca de 38 milhões.

Na época, a maior redução veio a partir da mudança no cronograma da Fiocruz, que teve atrasos na fabricação e a previsão de importação de doses extras travadas no Serum Institute, na Índia.

Também saiu de cena, no entanto, a previsão de entrega de 400 mil doses da vacina Sputnik, cujo contrato para compra de doses era esperado pelo ministério, mas não chegou a ser fechado.

No sábado (6), a pasta divulgou cronograma com novas estimativas para março, de 30 milhões de doses. A redução ocorreu porque a pasta deixou de contar com 8 milhões de doses que estavam previstas para serem importadas ainda neste mês da vacina Covaxin por meio da empresa Bharat Biotech, da Índia.

Isso ocorre porque, apesar de ter fechado o contrato com um laboratório brasileiro que representa a Covaxin, o imunizante ainda não tem aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial –e ainda não há previsão de quando deve ser feito esse pedido.

As previsões mais recentes foram divulgadas pelo próprio ministro, mas ainda não confirmadas pela pasta. Na terça (9), o ministério divulgou um informativo falando ainda em 30 milhões de doses.

VAI E VEM DAS VACINAS

>> 17.fev – a governadores, ministro apresenta cronograma com 46 milhões de doses em março:
16,9 milhões da Fiocruz
18 milhões do Butantan
2,7 milhões da Covax Facility
400 mil da União Química/Gamaleya
8 milhões da Bharat Biotech/Precisa

>> 22.fev – cronograma da Saúde prevê 48,9 milhões de doses:
16,9 milhões da Fiocruz
21 milhões do Butantan
2,6 milhões da Covax
400 mil da União Química/Gamaleya
8 milhões da Bharat Biotech/Precisa

>> 2.mar – Cronograma da Saúde passa a prever 39,1 milhão de doses:
5,8 milhões da Fiocruz
22,7 milhões do Butantan
2,6 milhões da Covax
8 milhões da Bharat Biotech/Precisa

>> 4.mar – Cronograma divulgado pela Saúde no Senado cita 38 milhões de doses em março:
3,8 milhões da Fiocruz
23,3 milhões do Butantan
2,9 milhões da Covax
8 milhões da Bharat Biotech/Precisa

>> 6.mar – Informativo divulgado pelo ministério fala em 30 milhões de doses em março:
23,3 milhões do Butantan
3,8 milhões da Astrazeneca
2,9 milhões da Covax

>> 8.mar – Pazuello fala em previsão “de 25 a 28 milhões de doses” para março; informativos da pasta, porém, ainda citam previsão de 30 milhões

>> 10.mar – Em nova redução, Pazuello fala em 22 a 25 milhões de doses para este mês; pasta ainda não informou o cronograma.

Informações Banda B.

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ANA define plano de recuperação dos reservatórios de água do Brasil

A diretoria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aprovou ontem (18) um plano de contingência para recuperação dos principais reservatórios de água do país. A medida foi tomada para aproveitar o período chuvoso, que vai de dezembro deste ano a abril de 2022, e garantir a recuperação dos níveis para os anos seguintes. Neste ano, a falta de chuvas provocou redução significativa da capacidade dos reservatórios. 

O plano define vazões defluentes máximas que devem ser praticadas durante o período chuvoso nos reservatórios de Serra da Mesa, Três Marias, Sobradinho, Emborcação, Itumbiara, Furnas, Marechal Mascarenhas de Moraes, Jupiá e Porto Primavera. Novos reservatórios poderão ser incluídos nas medidas de contingência. 

A agência informou que as regras serão comunicadas ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para adoção no Sistema Interligado Nacional (SIN). A implementação das medidas será acompanhada por meio de boletins e sala de crise específicas. 

Desigualdade cresce mais no Brasil do que em outros países, aponta FGV

‘Meu filho esqueceu as letras’

Adriana Telles de Menezes, de 37 anos, mora com o marido, os sete filhos – com idades entre 10 e 20 anos – e uma neta de 3 anos no bairro Linhares, na zona leste do município de Juiz de Fora (MG). Quando as escolas foram fechadas, em março de 2020, ela teve de lidar com os desafios de um ensino remoto sem conexão de internet e sem aparelhos eletrônicos. As apostilas impressas, distribuídas pela escola estadual, substituíram as aulas virtuais dos filhos.

Gabriel, o filho mais novo de Adriana, estava aprendendo a ler e a escrever. Sem contato direto com os professores e com os colegas, o aprendizado ficou comprometido. “Ele perdeu o interesse pelo estudo. Fala que não sabe fazer mais, que esqueceu as letras. Começa a ficar nervoso e a chorar falando que não consegue. O professor fala para a gente não forçar”, relata a mãe.

Além da ausência de recursos tecnológicos, a alimentação é mais um aspecto que evidencia as dificuldades enfrentadas pela família. “Na escola eles costumavam ter refeições diferentes. Em casa a gente não consegue dar a mesma qualidade. E, ficando o dia todo em casa, eles querem comer toda hora.”

A preocupação com o desenvolvimento dos filhos torna-se ainda maior pelo fato de ela própria enfrentar, diariamente, as consequências de não ter concluído os estudos. Adriana trabalha como auxiliar geral em um supermercado da cidade e, sem o ensino médio completo, conta que é ainda mais difícil conseguir uma promoção de cargo ou um aumento.

“Vejo o quanto seria importante ter estudado mais. Eu não tive apoio e nem material para estudar. Não quero que eles percam tantas oportunidades. Hoje tento fazer diferente com eles para que consigam um futuro diferente do meu”, desabafa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A pandemia ampliou a desigualdade mais no Brasil do que nos demais países do mundo. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), com dados internacionais do Gallup World Poll, que mostra a percepção da população em relação às políticas públicas de saúde, educação e meio ambiente. O desempenho brasileiro nas três esferas foi pior do que o de outros 40 países.

Os dados, colhidos antes e depois da pandemia, destacam ainda que a deterioração social brasileira foi mais forte entre a população de renda mais baixa. “A pandemia é um choque global que afeta o dia a dia do mundo inteiro. Mas, no Brasil, a administração e o gerenciamento das áreas de saúde, educação e meio ambiente foram piores. Por isso, tivemos um resultado abaixo da média”, diz Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

Na educação, a satisfação dos 40% mais pobres caiu 22% no Brasil e 2,38% no mundo. Neri explica que esse porcentual reflete a piora de dados educacionais na prática. O tempo médio de estudo diário na população de 6 a 15 anos caiu para 2 horas e 18 minutos, enquanto o mínimo legal é de 4 horas.

Entre os mais pobres, esse tempo ficou abaixo de 2 horas, e nas classes A e B ficou acima de 3 horas, o que aumenta o abismo social. A família de Adriana Telles de Menezes, de Juiz de Fora (MG), viveu esse drama (mais informações abaixo). Neri ressalta ainda que as escolas ficaram fechadas mais no Brasil do que no restante do mundo. Isso sem contar que muitas crianças deixaram de estudar porque não tinham celular ou computador disponível e porque as apostilas não chegavam até elas.

Na saúde, houve queda de 10,5% entre os brasileiros mais pobres e alta de 2,28% na média dos demais países. A situação se inverte entre os 40% mais ricos. No Brasil, a satisfação dessa faixa da população subiu 0,5%; nos demais países caiu 0,08%. Em relação às políticas ambientais, houve piora em todas as faixas de renda, enquanto a percepção melhorou no resto do mundo.

“A pandemia deixou marcas sociais e econômicas muito fortes. Houve uma inversão de tendências. A desigualdade vinha diminuindo e a educação, apesar de ruim, também melhorava. Agora tudo mudou”, afirma Neri. Segundo ele, as matrículas escolares recuaram ao menor patamar desde 2007, e isso terá consequências no futuro, no aprendizado e na produtividade do trabalhador, que já estava estagnada há algum tempo.

Na prática, esses fatores têm um peso muito forte na competitividade do Brasil, sobretudo a questão da educação. O presidente da Trevisan Escola de Negócios, VanDick Silveira, destaca que o resultado de hoje terá efeito daqui a 20 anos na força de trabalho. A educação, diz ele, é muito ruim e deve piorar. “O PIB per capita é o mesmo de dez anos atrás. Em dólar, caiu 45% em 20 anos. A população ficou mais pobre em termos globais.”

Na avaliação de José Pastore, professor da Universidade de São Paulo, 500 dias sem aula deixam uma “cicatriz” nas crianças. “Não se trata de dar mais aulas, mas de ter uma estratégia de recuperação, o que não existe por enquanto”, diz. Segundo ele, sem essa política, o País corre o risco de perder toda uma geração. “É como diz Paul Krugman (Nobel de Economia), ‘para o desenvolvimento econômico, a produtividade não é tudo, mas quase tudo’. Na competitividade, educação não é tudo, mas quase tudo”, afirma.

Sobre a questão ambiental, o efeito é mais direto na exportação. Sem políticas rígidas, diz Marcelo Neri, pode haver perda de negócios. A pandemia aumentou a consciência de consumidores que passaram a pressionar as empresas por práticas mais sustentáveis, como um “trailer” de novos desafios do País.

‘Meu filho esqueceu as letras’

Adriana Telles de Menezes, de 37 anos, mora com o marido, os sete filhos – com idades entre 10 e 20 anos – e uma neta de 3 anos no bairro Linhares, na zona leste do município de Juiz de Fora (MG). Quando as escolas foram fechadas, em março de 2020, ela teve de lidar com os desafios de um ensino remoto sem conexão de internet e sem aparelhos eletrônicos. As apostilas impressas, distribuídas pela escola estadual, substituíram as aulas virtuais dos filhos.

Gabriel, o filho mais novo de Adriana, estava aprendendo a ler e a escrever. Sem contato direto com os professores e com os colegas, o aprendizado ficou comprometido. “Ele perdeu o interesse pelo estudo. Fala que não sabe fazer mais, que esqueceu as letras. Começa a ficar nervoso e a chorar falando que não consegue. O professor fala para a gente não forçar”, relata a mãe.

Além da ausência de recursos tecnológicos, a alimentação é mais um aspecto que evidencia as dificuldades enfrentadas pela família. “Na escola eles costumavam ter refeições diferentes. Em casa a gente não consegue dar a mesma qualidade. E, ficando o dia todo em casa, eles querem comer toda hora.”

A preocupação com o desenvolvimento dos filhos torna-se ainda maior pelo fato de ela própria enfrentar, diariamente, as consequências de não ter concluído os estudos. Adriana trabalha como auxiliar geral em um supermercado da cidade e, sem o ensino médio completo, conta que é ainda mais difícil conseguir uma promoção de cargo ou um aumento.

“Vejo o quanto seria importante ter estudado mais. Eu não tive apoio e nem material para estudar. Não quero que eles percam tantas oportunidades. Hoje tento fazer diferente com eles para que consigam um futuro diferente do meu”, desabafa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.