Decreto estabelece normas para reduzir circulação na Região Metropolitana de Curitiba

O Governo do Estado emitiu decreto (4.885/20) nesta sexta-feira (19) com novas recomendações para restringir a circulação de pessoas nos municípios que compõem a Região Metropolitana de Curitiba. A região é a que mais concentra casos confirmados de Covid-19 desde o começo da pandemia e onde a ocupação de leitos de UTI está acima de 60%.

Os principais pontos do decreto são fechamento de shopping centers aos finais de semana e a padronização do horário de funcionamento destes estabelecimentos em dias úteis (das 12h às 20h), a partir de segunda-feira (22). As demais atividades de comércio poderão funcionar das 10 horas até as 16 horas. A nova regulamentação será válida por 14 dias e inclui ainda a restrição de acesso de crianças menores de 12 anos em supermercados, a partir deste sábado (20).

O decreto tem caráter de orientação e leva em conta a emergência de saúde pública. Caberá aos municípios editar normas locais de regulamentação da prestação do serviço público com a finalidade de diminuir a circulação de pessoas, bem como instituir regime de teletrabalho, resguardando, para manutenção de serviços essenciais, quantitativo mínimo de servidores em sistema de rodízio.

Todas as medidas serão acompanhadas pelos órgãos de fiscalização e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Eventuais multas serão disciplinadas pelos 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba.

AGLOMERAÇÕES – Ao anunciar as medidas, o governador Carlos Massa Ratinho Junior ressaltou que o decreto tem a motivação de diminuir a circulação de pessoas entre os municípios da RMC e a Capital, principalmente para evitar as aglomerações registradas nos últimos dias no transporte público.

“Estamos entrando em um momento mais agudo da doença e temos que amenizar o impacto do vírus. Desde o início da pandemia temos essa preocupação com o transporte coletivo, em especial na hora de rush, de manhã e no final da tarde”, destacou Ratinho Junior.

Ele também disse que a decisão foi construída de maneira colegiada com a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) para manter o setor produtivo trabalhando, mas com menos circulação e mais cuidados.

“Tem município na RMC que não registra essa lotação, que tem outra realidade, mas a medida é especialmente necessária para aqueles conurbados na Capital. Temos que ter esse controle para que o vírus não se prolifere de maneira a impedir o bom funcionamento dos hospitais”, acrescentou o governador.

Márcio Wozniak, presidente da Assomec e prefeito de Fazenda Rio Grande, destacou o apoio fundamental do Governo do Estado nessa nova diretriz. O decreto atinge quase quatro milhões de habitantes. “Temos que nos unir para enfrentar um inimigo sem cura, e só podemos fazer isso com distanciamento social. Vamos batalhar juntos por 14 dias para ver se estabiliza. É uma grande união”, frisou.

RMC – De acordo com o boletim epidemiológico desta sexta-feira (19), são 4.061 casos e 160 óbitos entre 27 municípios da Região Metropolitana de Curitiba – apenas em Tunas do Paraná e Doutor Ulysses não há casos. Já há mais de 150 diagnósticos positivos em Araucária, Colombo, Pinhais, Piraquara e São José dos Pinhais, além dos 2 mil casos de Curitiba.

LEITOS – Diante desse quadro delicado, o Governo do Estado ativou mais 80 leitos de UTI na região, sendo 51 no Hospital do Rocio, em Campo Largo, e 15 no Hospital de Clínicas (HC), e 14 no Hospital de Reabilitação (que pertence ao Complexo Hospitalar do Trabalhador). Também foram adicionados mais 17 leitos de enfermaria no Hospital do Trabalhador.

A macrorregião Leste tem 358 leitos de UTI e 546 leitos de enfermaria, exclusivos para atendimento de Covid-19, além de 21 UTIs pediátricas e 32 leitos de enfermaria pediátricos. O Paraná já ativou 749 UTIs e 1.171 enfermarias, com taxas de ocupação de 55% e 39%, respectivamente.

“Montamos uma estrutura paralela de enfrentamento e atendimento aos paranaenses. Em pouco mais de três meses temos 749 leitos de UTI disponíveis em todas as regiões do Estado, isso que o estoque dos últimos 30 anos era de 1.200 leitos de UTI. Mas estamos entrando em uma outra fase, com acréscimo de casos em junho. É preciso ter cuidado”, complementou o secretário estadual de Saúde, Beto Preto.

OUTRO DECRETO – Além disso, outro decreto, também publicado nesta sexta-feira (19), trata da recomendação para proibição de aglomerações, da venda e de consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos depois das 22 horas. Esse texto tem validade em todo o Paraná.

Confira os principais pontos do decreto válido apenas para a Regional de Saúde Curitiba

– Restrição de horário para todas as atividades comerciais não essenciais: das 10h às 16h. Válido a partir de sábado (20).

– Restrição de horário para shoppings: das 12h às 20h. Válido a partir de segunda-feira (22).

– Proibição de abertura dos shoppings aos sábados e domingos.

– Municípios terão autonomia para criar critérios de punição para quem não respeitar a solicitação.

– Recomendação de restrição de acesso de crianças menores de 12 anos aos supermercados.

– Decreto válido por 14 dias.

Em Brasília, Comec cobra conclusão do Contorno Norte de Curitiba

O presidente da Comec, Gilson Santos, se reuniu nesta semana em Brasília com o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, Rafael Vitale, para falar sobre a conclusão do Contorno Norte de Curitiba, no trecho ainda não existente, mas que deverá ligar a PR-418 (Rodovia da Uva) à Rodovia Régis Bittencourt, no município de Colombo.

A obra está prevista no contrato de concessão da rodovia Régis Bittencourt, sob responsabilidade da concessionária Arteris, mas ainda não teve início e nem mesmo definição de traçados e apresentação de projetos. O contrato foi assinado em 2008 e tem duração de 25 anos.

“Nós já ultrapassamos a metade do contrato e sequer temos a previsão de início desta obra. Vale lembrar que ela é paga com o valor arrecadado pelo pedágio, ou seja, a população já está pagando por isso. E sabemos que é uma obra complexa e que levará tempo até sua conclusão. Não podemos mais ficar esperando que algo aconteça. A importância desta obra para todo o contexto metropolitano é enorme”, destacou Santos.

Segundo a Arteris, a empresa trabalha na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental – EIA/RIMA da obra, que deverá ser entregue no primeiro semestre de 2022, após atrasos ocasionados pela pandemia.

Durante o encontro, Santos lembrou que existe uma grande expectativa pela execução deste trajeto e que o seu andamento é uma preocupação do Governo do Estado, municípios impactados e principalmente da sociedade.

“Além da questão da mobilidade urbana, que será amplamente beneficiada com esta obra, a sua não conclusão tem impactos na logística de produtos e no desenvolvimento da região, visto que as áreas ainda sem definição ficam congeladas pelo poder público e impossibilitadas de receber qualquer empreendimento”, afirmou.

Santos solicitou que houvesse ao menos um cronograma estabelecido com as etapas a serem cumpridas pela concessionária para que a sociedade pudesse compreender o que está sendo feito e tivesse informações mais assertivas.

Vitale se comprometeu a participar de uma reunião presencial com todos os interessados, no início do próximo ano, na região das futuras obras, para esclarecer o que está sendo feito e as próximas etapas do trabalho. Ele também renovou o comprometimento e interesse do governo federal com a conclusão do projeto.

Após incêndio criminoso, Prefeitura de Campo Magro cancela festividades de Natal

A Prefeitura de Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), decidiu cancelar as festividades de Natal na cidade. A decisão foi tomada após o incêndio criminoso que atingiu o pátio da Secretaria de Obras na madrugada da última quinta-feira (2) e que provocou, segundo o Executivo, um prejuízo de R$ 7 milhões.

O comunicado da Prefeitura lamentou o ocorrido:

“É com muita tristeza que comunicamos que o evento de Natal foi cancelado, devido ao incêndio criminoso ocorrido na madrugada do dia 02/12 na Secretaria de Obras da Prefeitura”, publicou o Executivo nas redes sociais.

No incêndio, 13 veículos foram atingidos, além de outras máquinas da Prefeitura. A Polícia Civil segue investigando o caso. Um vigia chegou a ser rendido e foi utilizado um coquetel molotov para causar a combustão. A ação dos criminosos seria uma retaliação a uma operação policial que aconteceu no município. Os autores do incêndio também picharam a parede da prefeitura com a frase: “a Rona executa e o estado finge que não vê”.