Acidente com Trem e Ônibus em Curitiba Deixa 11 Feridos
Um acidente envolvendo um trem de carga e um ônibus biarticulado na última terça-feira (22), no centro de Curitiba, resultou em 11 feridos e ocasionou a divisão do coletivo ao meio. Este incidente, embora grave, insere-se em um cenário mais amplo de frequentes acidentes ferroviários na capital paranaense, que continua a ser a cidade brasileira com o maior número de ocorrências desse tipo.
Dados Alarmantes de Acidentes com Trens
Conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), entre 2021 e 2024, Curitiba contabilizou 152 acidentes ferroviários, que deixaram mais de 60 feridos e 27 mortos. Apenas em 2023, até maio, ocorreram 13 acidentes com duas fatalidades. Esses números enfatizam a precariedade das linhas férreas que cortam a área urbana da cidade, a última entre as grandes do Brasil a ter trilhos em seu território.
Desafio da Remoção da Linha Férrea
A Prefeitura de Curitiba vem buscando há anos a remoção da linha férrea que atravessa a cidade, desde Rio Branco do Sul até Pinhais. A proposta inclui a construção de um contorno ferroviário, uma solução considerada complexa e cara.
O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) tem destacado a urgência do tema e buscou apresentá-lo em encontros com o Ministério dos Transportes. No entanto, a responsabilidade pela implementação do contorno não é municipal, já que se trata de uma concessão federal.
Concessão da Malha Sul e Contorno Ferroviário
A Rumo, concessionária que opera a Malha Sul, não tem obrigação de realizar o contorno ferroviário no atual contrato, que expira em 2027. Qualquer eventual projeto deverá ser destinado pelo poder público e discutido nas tratativas futuras do novo contrato que está em desenvolvimento.
“Estou lutando para que Curitiba tenha voz nesse processo. Acredito que é um tema fundamental”, declarou Pimentel, após o acidente, destacando sua missão em Brasília para trazer as necessidades da cidade ao governo federal.
Implicações da Renovação da Malha Sul
O contrato atual da Rumo, que abrange mais de 7,2 mil quilômetros, precisa de renovação ou licitação, já que uma parte significativa da malha está fora de operação. A urgência cria um cenário em que o grupo de trabalho montado pelo Ministério dos Transportes para avaliar o futuro da Malha Sul está enfrentando prazos apertados e diversas prorrogações.
Enquanto isso, governadores dos estados que abrigam a Malha Sul estão mobilizados com um manifesto para apresentar suas demandas ao ministro dos Transportes, ressaltando a deterioração da malha e os impactos econômicos na região.
Medidas Paliativas para Reduzir Acidentes
Apesar da falta de uma solução definitiva, a Rumo implementou medidas temporárias para minimizar riscos de acidentes nas passagens em nível. Em 2021, a empresa introduziu tecnologia de inteligência artificial para monitorar a aproximação de trens e garantir a segurança nas travessias.
Investimentos de R$ 10 milhões resultaram em uma redução de 50% em acidentes em cruzamentos críticos. Além disso, iniciativas educacionais também estão em andamento para aumentar a conscientização sobre a segurança nas interações entre o tráfego urbano e o sistema ferroviário.
Sobre o recente acidente, a Rumo afirmou que o motorista do ônibus desrespeitou a sinalização e não seguiu os procedimentos de segurança, o que resultou na colisão.
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