Em um marco histórico, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) celebra 21 anos de inclusão feminina, desde a entrada oficial das primeiras mulheres na corporação, em 4 de abril de 2005. Com isso, a diversificação das equipes e a missão de salvar vidas ganharam novos contornos, refletindo a evolução social e profissional. Atualmente, 276 mulheres fazem parte dos 3.153 bombeiros militares da instituição, contribuindo com histórias inspiradoras.
Uma Trajetória Pioneira
Entre as pioneiras, a major Geovana Angeli Messias destaca-se como representante de uma nova era. Iniciando sua jornada como guarda-vidas civil voluntária, ela decidiu prestar concurso e ingressar na corporação, onde já acumula mais de duas décadas de serviço. “Os primeiros anos foram desafiadores, com estruturas e condições ainda inadequadas para nós. Desde a falta de alojamento até o estranhamento de alguns colegas, tudo foi superado com persistência”, relembra.
Em 2022, Geovana fez história ao assumir o comando de uma unidade operacional, sendo a primeira mulher a ocupar essa posição no 1º Subgrupamento de Bombeiros Independente, agora conhecido como 1ª Companhia Independente de Bombeiro Militar. “Ser mulher nunca foi um impedimento, conseguimos melhorar as condições daquela unidade”, afirma.
Pioneirismo e Legado
Para a major, o pioneirismo vai além de conquistas pessoais. “É sobre abrir caminhos e ser uma referência positiva. Ingressar em uma instituição tradicionalmente masculina requer adaptação, mas é essencial manter a essência”, salienta. Ela destaca que as características únicas de cada mulher são essenciais para a missão do Corpo de Bombeiros.
Uma Nova Geração
Quase duas décadas depois, novas profissionais representam essa história de transformação. A soldado Giovana Cupka, integrante da turma 2022/23, cresceu em uma família militar, com inspirações que foram fundamentais para sua escolha profissional. “Meu pai sempre foi um incentivador, e hoje compartilhamos não só a profissão, mas também valores que fortalecem nosso vínculo”, conta.
Desde sua formação, Giovana atua em áreas operacionais, incluindo atendimento pré-hospitalar e combate a incêndios. Ela reconhece o impacto das pioneiras na atual realidade da corporação: “Elas enfrentaram barreiras e quebraram preconceitos, tornando a nossa jornada mais leve. Merecem respeito e reconhecimento”, afirma.
Avanços e Desafios da Corporação
Conforme o CBMPR evolui, observa-se um avanço na estruturação e adequação dos equipamentos ao corpo feminino. Apesar de ser um dos últimos estados a incluir mulheres em seu efetivo, a corporação vem avançando significativamente, refletindo uma mudança institucional que ecoa na sociedade. Entre as gestas, destaca-se a major Keyla Karas, a primeira mulher piloto de helicóptero do CBMPR, simbolizando esse progresso.
Para as mulheres que desejam se juntar à corporação, Giovana ressalta a importância da coragem: “Se esse é o seu sonho, se prepare e acredite em si mesma. Precisamos de mais mulheres fortes aqui”, incentiva. Por sua vez, a major Geovana aconselha: “Acreditem na sua força e capacidade. O caminho pode ser desafiador, mas a resiliência transforma obstáculos em conquistas”.
