A comédia e o mau humor

Outro dia fui até um famosos clube de comédia em Curitiba assistir um show de Stand Up. Nos últimos tempos o gênero tem me atraído bastante, posso sentar numa mesa, pegar um drink e não preciso falar com ninguém. Perfeito para quem não é muito afeito a ser sociável.

Sentei na minha mesa na companhia de um livro – sim, levo livros para os lugares – e aguardava o show começar, quando a mesa ao lado foi ocupada por uma uma galera. Puta pessoal bonito. Se fossem cachorros, seria uma mesa de Golden Retriever, sedosos e elegantes. E eu ali do lado, com minha cara e porte do Pug.

O show iniciou e o comediante deu início à sua torrente de piadas. Eis que em dado momento ele fez uma  sátira contra um eminente político, cuja capacidade de fazer o número um estava comprometida. O número um, pois sua capacidade de fazer o número dois é notadamente reconhecida.

Os Golden Retriever se tornaram Pit Bulls. Trocaram olhares de descontentamento, e estamparam uma expressão sisuda em seus semblantes. Claramente a piada não agradara. Pobre do comediante continuou seu espetáculo sendo fuzilado pelos olhares da mesa ao lado. Não riram de mais nada. Desnecessário dizer que sequer aplaudiram o artista.

Fiquei ali, achando divertida a situação. A piada é o auge daquilo que é lúdico, é concebida para causar o riso – pode falhar neste intento, mas é uma piada, não uma Tese de Doutorado. Se descarta e a vida continua, oras.

Temo que nos tornamos mimados, desmasiadamente mimados, onde ouvir um dissabor se torna prontamente uma ofensa pessoal grave. Somos mais propensos às vaias do que aos aplausos.

Prefiro continuar aqui, se não rir do comediante, ao menos rio da reação alheia, aplaudindo, sarcasticamente, o mau humor.

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