Com corte previsto de R$ 1,2 bi, universidades federais temem evasão de estudantes

As universidades federais calculam uma redução da ordem de R$ 1,2 bilhão no orçamento para este ano, valor que ameaça a permanência de estudantes mais vulneráveis e até mesmo pesquisas de combate à covid-19. Com a previsão de cortes, as instituições já estão reduzindo bolsas destinadas a alunos, o que pode levar ao aumento da evasão de estudantes de graduação.

Os números relativos à redução no orçamento foram apresentados nesta quinta-feira, 18, pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Houve diminuição de 18,2% nos recursos previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) enviado ao Congresso Nacional para 2021. O porcentual equivale a R$ 1,056 bilhão a menos em relação aos valores de 2020.

A situação se agrava com novo corte, de R$ 121,8 milhões, aprovado em relatório setorial nesta semana na Comissão Mista de Orçamento. Os valores atingem a assistência estudantil e o pagamento de despesas como energia elétrica nas 69 universidades federais. Também podem comprometer o funcionamento de hospitais universitários, já que parte deles depende dos recursos destinados às instituições.

“Para atender os estudantes vulneráveis, os recursos do Pnaes (Plano Nacional de Assistência Estudantil) teriam de ser de R$ 1,5 bilhão. Já temos evasão porque o recurso é insuficiente. Com 20% a menos do Pnaes, o impacto na evasão é imediato”, diz Edward Madureira, presidente da Andifes e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG). A Andifes calcula que os recursos do Pnaes este ano sejam de R$ 800 milhões apenas.

“As universidades já se programam para ver como acomodar isso, reduzir o número, o tempo de bolsas ou valores”, completa Madureira. Na UFG, por exemplo, para evitar deixar estudantes sem auxílio, foi feita uma redução nos valores pagos aos estudantes já contemplados. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também vê prejuízo ao programa de bolsas para alunos de graduação.

Na Ufal, foram suspensos no início deste ano os auxílios pagos a estudantes que desenvolvem atividades de monitoria e extensão, programas que existiam há décadas na universidade. A assistência estudantil aos mais vulneráveis também fica ameaçada com os cortes. “Pagávamos bolsas com recursos de manutenção e tínhamos quase 6 mil estudantes bolsistas”, diz o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo. Hoje, são 4 mil. “E estudantes mais vulneráveis não estão podendo receber os recursos porque há problema de repasses.”

O corte nas bolsas também ocorre porque a liberação da verba para as universidades federais vem sendo feita de modo parcial. O ano de 2021 teve início com a liberação apenas de 1/18 de 40% do orçamento previsto para as universidades. O Orçamento Geral da União ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional.

Os auxílios garantem a permanência dos alunos, em um contexto em que as universidades recebem cada vez mais estudantes de baixa renda. Segundo estudo da Andifes, 26,6% dos alunos de graduação têm renda de até meio salário mínimo. O retorno às aulas presenciais também deve demandar uma série de adequações nos câmpus e a aquisição de equipamentos para aulas híbridas, o que onera as universidades.

“(Os cortes) podem comprometer segurança, limpeza, tornando os ambientes impossíveis de trabalhar”, explica Marcus David, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). As atividades de pesquisa também podem ser afetadas com as despesas de custeio ameaçadas. “Imagine uma de nossas universidades que, por inadimplência, tem a energia suspensa, o impacto de tudo o que está armazenado em laboratórios”, diz Madureira. “Tem universidade funcionando com mandado judicial em relação à empresa de energia.”

Na Ufal, até problemas com cupins atrapalham o andamento de pesquisas e outras atividades nos câmpus e falta dinheiro para contratos de manutenção, segundo o reitor. “Toda a sociedade se beneficiou e continuará se beneficiando da atuação das universidades na pandemia”, diz a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho, destacando a atuação de hospitais universitários e as pesquisas ligadas à covid. “Precisamos de aumento no orçamento, não podemos admitir qualquer que seja a redução.”

Procurado para comentar a previsão de cortes nas universidades federais, o Ministério da Educação (MEC) ainda não se manifestou.

Informações Estadão Conteúdo

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Saúde distribui cerca de 1 milhão de vacinas contra a covid-19

O Ministério da Saúde informou que conclui, nos próximos dias, a distribuição de cerca de 1 milhão de doses de vacinas contra a covid-19. O imunizante CoronaVac, segundo a pasta, já passou por todas as etapas de certificação necessárias e chega aos estados pronto para utilização.

Um balanço da pasta mostra que, desde o início da campanha de vacinação, cerca de 520 milhões de doses foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal. Os imunizantes são distribuídos de acordo com solicitação feita pelas secretarias estaduais de Saúde, responsáveis por direcionar as vacinas aos municípios.

Até o momento, de acordo com o ministério, 483 milhões de doses foram aplicadas e 166 milhões de pessoas estão com o esquema vacinal completo – duas doses ou dose única-, o que equivale a 78% da população.

Por meio de nota, a pasta destacou que a média móvel de mortes por covid no país está no menor patamar desde abril de 2020.

“Para manter os índices em baixa, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de todos os públicos elegíveis buscarem postos de vacinação para completar o calendário vacinal primário, além da aplicação das doses de reforço”,diz a nota.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil

Em 2040, Brasil poderá ter carência de 235 mil professores, diz estudo

Uma pesquisa divulgada hoje (29) pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) mostra que até 2040 o Brasil poderá ter uma carência de 235 mil professores de educação básica. 

O estudo aponta para um crescente desinteresse, especialmente dos jovens, em seguir a carreira docente. Segundo o estudo, o crescimento no número de ingressantes em cursos de licenciatura foi menor do que no restante do ensino superior. De 2010 a 2020, houve um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que tem como carreira o ensino, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período.

O estudo aponta ainda o problema da evasão. Nos dez anos analisados, o percentual de estudantes que concluiu os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%.

O levantamento foi feito a partir de dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ainda a partir dessa base de dados, a pesquisa mostra que o percentual de novos alunos em cursos de licenciatura com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020.

Assim, a carreira vem registrando, segundo a pesquisa, um envelhecimento dos profissionais. Entre 2009 e 2021, o número de professores em início de carreira, com até 24 anos de idade, caiu de 116 mil para 67 mil, uma retração de 42,4%. Ao mesmo tempo, o percentual de docentes do ensino básico com 50 anos ou mais cresceu 109% no período.

A presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, destaca que a formação de professores com mais de 29 anos não significa, necessariamente, a entrada de novos professores na carreira. Segundo ela, esses profissionais são, na maioria das vezes, pessoas que já trabalham na área. “Isso acontece em razão da lei que obriga o professor em exercício a ter formação mínima na área de pedagogia ou em licenciaturas para o magistério na educação básica”, explica.

Cursos

Algumas carreiras estão em situação mais delicada do que outras. A pesquisa mostra que caiu em 21,3% o número de alunos que concluiu o curso de licenciatura em biologia entre 2016 e 2020. Em química, a redução ficou em 12,8% no período e, em letras, 10,1%.

De acordo com a pesquisa, o número total de docentes da educação básica está estabilizado em cerca de 2,2 milhões desde 2014, após ter tido um crescimento de 10,8% em comparação com 2009. Esses professores atendem uma população de aproximadamente 44,6 milhões de jovens com idade entre 3 e 17 anos.

A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que, em 2040, o Brasil tenha cerca de 40 milhões de jovens nessa faixa etária. Para manter a proporção atual de professores e alunos, seria necessário ter 1,97 milhão de docentes. No entanto, o estudo projeta, a partir das taxas observadas até 2021, que o país chegue a esse momento com apenas 1,74 milhão de professores.

Desinteresse

Professor dá aula em Manaus

Professor dá aula em Manaus – Caminhos da Reportagem/Arquivo TV Brasil

Entre os fatores que levam ao afastamento dos jovens da carreira de professor, o estudo destaca a baixa remuneração. Em 2020, os professores do ensino médio recebiam, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que representa 82% da renda média das pessoas empregadas com ensino superior (R$ 6,5 mil).

Além disso, o estudo aponta para “o abandono da profissão devido às condições de trabalho precárias, como infraestrutura ruim de algumas escolas, falta de equipamentos e materiais de apoio, violência na sala de aula e problemas de saúde, agravados com a pandemia de covid-19”.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil