Cidade no Paraná recorre a equipamentos do zoológico para enfrentar Covid-19

Cascavel é a maior cidade do oeste do Paraná e funciona como polo médico para municípios menores

Com a explosão de casos de Covid-19 e internações pela doença, pacientes em Cascavel, no Paraná, passaram a conviver com improvisos. Foi essa a saída encontrada por gestores para lidar com a alta demanda por leitos de UTI.

Um dos dois hospitais públicos da cidade recorreu a equipamentos usados no zoológico. UPAs (unidades de pronto-atendimento) passaram a intubar pacientes, e em uma das três unidades da cidade a recepção foi transformada em enfermaria.

Cascavel é a maior cidade do oeste do Paraná e funciona como polo médico para municípios menores. A região foi a mais afetada do estado pela alta de casos e internações por Covid-19.

Segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (3) pela secretaria estadual de Saúde, 95% dos leitos de UTI exclusivos para Covid-19 estavam ocupados no oeste. A marca se mantém acima dos 90% desde o último dia 20. Em Cascavel, a taxa bate 99%.

Nos últimos dias, médicos das redes pública e privada do município relataram à reportagem cenas de desespero. Entre elas, casos de pacientes idosos que tiveram atendimento recusado por falta de respirador e pacientes intubados em corredores.

Um dos locais no olho do furacão é o Hospital de Retaguarda, municipal. Desde julho do ano passado, passou a receber exclusivamente casos de Covid-19. Com a alta dos últimos dias, abriga hoje 31 pacientes de UTI. A capacidade é para receber até 20.

Para atender a demanda excedente, parte dos pacientes de terapia intensiva está na enfermaria. A enfermaria, por sua vez, foi transferida para uma área que até então era usada como depósito. Com isso, conseguiram tirar as pessoas dos corredores.

Por lá, a situação ficou particularmente calamitosa no último domingo (28). Faltaram equipamentos, e a direção da unidade recorreu ao zoológico, de onde recebeu nove bombas de infusão e um respirador.

“Eu poderia sentar no meio-fio, chorar e reclamar que não tem coisas ou tentar dar um jeito”, diz Lisias de Araujo Tomé, diretor-geral do Hospital de Retaguarda e ex-prefeito da cidade.

Tomé explica que não há diferença entre os equipamentos usados entre humanos e animais e diz que todos são homologados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O empréstimo serve para aliviar a situação enquanto aguardam a entrega de unidades vindas do Ministério da Saúde ou do governo do estado –sem data para acontecer.

Segundo o diretor do hospital, as bombas de infusão, equipamento usado controlar as doses de medicamentos aplicados diretamente na veia, foram usadas na noite de domingo para suprir a emergência. No entanto, elas logo precisaram ser substituídas, porque não são compatíveis com as mangueiras que havia por ali.

O ventilador foi usado em um paciente e agora continua no hospital, aguardando para suprir outra alta na demanda.

A Secretaria da Saúde do Paraná prevê a abertura de 22 novos leitos de UTI em Cascavel nos próximos dias, mas não especifica quando. Desses, dez serão no Hospital de Retaguarda.

Para Tomé, no entanto, a abertura de novos espaços não é o suficiente. Ele reclama de algo comum a outros hospitais da região: a falta de profissionais.

“Tínhamos 14 vagas de UTI. Hoje, temos 31, só que a equipe é a mesma. Não basta aumentar ventilador. Estamos sobrecarregados”, diz.

“Estamos tentando contratar, mas falta mão de obra no mercado. Não tem mais técnico para contratar. Não tem mais médico.”

No último dia 26 o Paraná decretou o fechamento de atividades não essenciais para tentar conter a pandemia. A restrição está marcada para encerrar na próxima segunda-feira (8), mas o secretário de Saúde do estado, Beto Preto, diz que o governo local deve discutir a prorrogação dessas medidas no próximo fim de semana.

Em entrevista à RPC nesta quinta-feira, Preto defendeu medidas restritivas mais rígidas em nível nacional. “Seria importante”, afirmou.
Nesta terça, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual entraram com uma ação pedindo à União a transferência de pacientes de Cascavel para outras regiões.

A cidade, que tem cerca de 300 mil habitantes, registrava 24.832 casos de Covid-19 e 343 mortes no boletim divulgado nesta quarta-feira pela prefeitura. Nesta quinta-feira, 6.000 novas doses de vacina chegaram à cidade, que anota 17.719 pessoas que receberam a primeira dose e 5.354 imunizadas com a segunda.

Informações Banda B.

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Pela 1ª vez, Brasil aplica mais de 2 milhões de vacinas contra covid em 24 horas

O Brasil registrou a aplicação de 2.220.845 doses de vacinas contra a covid-19 nesta quinta-feira (17), segundo dados reunidos e divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa. Essa é a maior marca diária de imunização desde o início da campanha em janeiro.

No total, 2.088.159 de pessoas receberam a primeira dose e 132 686 receberam o reforço da vacina, necessária para completar a imunização.

Com isso, a quantidade de pessoas vacinadas com a primeira dose contra a covid-19 chegou a 60.381.020. O número representa 28,51% da população brasileira.

Já levando em consideração as pessoas que receberam as duas doses, a quantidade é de 24.085.577, ou 11,37% dos habitantes.

O Mato Grosso do Sul é o Estado onde a aplicação da primeira dose está mais avançada, em números proporcionais. Lá, 36,59% da população recebeu a vacina. Já nos dados relativos à segunda dose, a vacinação está mais avançada no Rio Grande do Sul, onde 14,45% da população recebeu a imunização completa.

Se tiver vacina, Curitiba consegue imunizar público-alvo em 30 dias, diz prefeitura

Se recebesse a quantidade necessária de vacinas anticovid-19 para seu potencial de atendimento, em menos de 30 dias Curitiba terminaria de imunizar com a primeira dose toda a população acima de 18 anos (1.453.329 pessoas) – considerando um plano de vacinação de domingo a domingo. A cidade tem capacidade para vacinar até 30 mil pessoas por dia.

No entanto, com a atual quantidade de vacinas recebidas desde 20 de janeiro, início da campanha de vacinação, Curitiba conseguiu imunizar com a primeira dose 650.472 pessoas – pouco mais de um terço do público-alvo (população até 18 anos). 

Outro fator que dificulta acelerar a imunização é a quantidade de grupos prioritários inseridos nos planos Nacional e Estadual de Vacinação Contra a Covid-19, e que precisam ser atendidos pelo município, responsável por colocar o plano em prática.

Foto: SMCS

Atualmente, Curitiba tem mais de dez grupos prioritários com cronograma de vacina aberto. As doses entregues pelo Governo do Estado vêm “carimbadas”, ou seja, com as quantidades já definidas para cada um desses grupos. 

“Se pudéssemos vacinar a população apenas por critério de idade, como fizeram países como Inglaterra e Israel, por exemplo, seria muito mais rápido, menos burocrático e atenderíamos a população indistintamente de categorias”, avalia Márcia Huçulak, secretária municipal de Saúde de Curitiba.

Estoque de doses em Curitiba

Nesta quinta-feira (17), Curitiba abriu as salas de vacinação contra a covid-19 com um estoque de 41.758 doses para a primeira aplicação, já descontado as perdas eventuais que ocorrem no processo de aplicação, que hoje é de cerca de 1,9%, índice bem abaixo dos 5% previstos pelo Plano Nacional de Imunização.

O público estimado até o fim da semana é de 43.012 pessoas dos seguintes grupos agendados ou com doses já definidas para atendimento:

Forças de segurança – 4.200 doses 
Educação Superior – 14.132 doses 
Educação básica – 2.500 doses 
Trabalhadores da limpeza – 3.200 doses 
Gestantes, puérperas e comorbidades – 5.000 doses (média de 1.800/dia) 
Trabalhadores de saúde – 12.900 doses (agendados pelo aplicativo Saúde Já) 
Pessoas privadas de liberdade – 1.080

Além desses grupos, Curitiba segue atendendo a população com 53 anos completos e mais que ainda não tomaram a primeira dose