China diz que OMS aprovou uso emergencial de vacina contra coronavírus

País lançou programa emergencial em julho

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse à China que apoia e compreende que o país inicie a administração de vacinas contra coronavírus experimentais enquanto os testes clínicos ainda estão em andamento, disse uma autoridade de saúde chinesa nesta sexta-feira (25).

A China fez contato com a OMS no final de junho e lançou seu programa emergencial em julho, de acordo com Zheng Zhongwei, autoridade da Comissão Nacional de Saúde do país.

Centenas de milhares de trabalhadores essenciais e outros grupos limitados de pessoas que se consideram correrem risco alto de infecção receberam a vacina, embora sua eficácia e segurança ainda não tenham sido plenamente estabelecidas, já que os testes clínicos de estágio avançado estão incompletos.

“No final de junho, o Conselho de Estado da China aprovou o plano de um programa de uso emergencial de vacina contra coronavírus”, disse Zheng em uma coletiva de imprensa.

“Após a aprovação, em 29 de junho, fizemos contato com os representantes relevantes do escritório da OMS na China e obtivemos apoio e compreensão da OMS”, disse.

O representante da OMS na China não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

A cientista-chefe da agência, Soumya Swaminathan, disse em Genebra neste mês que autoridades reguladoras nacionais podem aprovar o uso de produtos médicos em suas próprias jurisdições na situação atual de emergência, mas descreveu a medida como uma “solução temporária”.

A solução de longo prazo está na conclusão dos testes de estágio avançado, disse a autoridade da OMS.

Informações Agência Brasil.

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Vacina do Butantã é segura, mas aval sobre eficácia fica para o fim do ano

Os dados de eficácia, porém, devem ser divulgados somente entre novembro e dezembro, o que deve atrasar a previsão do governador João Doria (PSDB) de iniciar a imunização ainda neste ano

O governo de São Paulo anuncia nesta segunda-feira, 19, que a vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, se mostrou segura também em testes com 9 mil voluntários brasileiros, reafirmando os resultados de pesquisa anterior com 50 mil participantes chineses. Os dados de eficácia, porém, devem ser divulgados somente entre novembro e dezembro, o que deve atrasar a previsão do governador João Doria (PSDB) de iniciar a imunização ainda neste ano.

De acordo com Dimas Covas, diretor do Butantã, os testes com os 13 mil voluntários não foram finalizados e a análise de eficácia ainda não pode ser feita. O pesquisador afirmou que foi concluída nesta semana só a primeira etapa do estudo, com 9 mil pessoas. Mesmo nesse grupo, nem todos tomaram as duas doses ainda, o que deve ocorrer até o fim do mês. “Já temos os dados de segurança dessa etapa, eles são muito parecidos com os chineses (estudo em que mais de 90% dos voluntários não tiveram eventos adversos).

“São esses dados que vou detalhar na segunda. Eficácia ainda não dá para falar porque temos de esperar as pessoas terem contato com o vírus. Pela minha impressão, acho que teremos dados conclusivos mais para o fim do ano, entre novembro e dezembro”, disse ao Estadão.

Eficácia da vacina

Covas explicou que as conclusões sobre eficácia dependem da ocorrência de um número mínimo de infecções por covid-19 entre os voluntários. Esse índice, definido por cálculos estatísticos, é necessário para que os pesquisadores comparem quantos dos contaminados estavam no grupo vacinado e quantos faziam parte do grupo que recebeu o placebo. Se o total no segundo grupo for significativamente superior ao do primeiro, haverá evidência de que a vacina foi capaz de proteger contra a covid.

No caso do estudo da Coronavac, o número mínimo para uma primeira análise é de 61 contaminados, o que, de acordo com o diretor do Butantã, ainda não foi atingido. “Esse é o número necessário para que possamos fazer a análise interina (tipo de avaliação feita antes da conclusão da pesquisa). Se com 61 casos não for possível demonstrar a eficácia, vamos esperar ter 151 casos. Aí certamente conseguiremos concluir.”

Com resultados de eficácia esperados somente para novembro ou dezembro, é improvável que o início da vacinação aconteça ainda em 2020 não só pelo tempo que falta para os testes serem concluídos, mas também pelo prazo para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analise as informações e emita o registro do produto.

A análise da vacina

Embora o órgão tenha criado um novo fluxo de análise, que permite aos pesquisadores enviarem de forma contínua os dados da pesquisa assim que eles são produzidos, só informações das fases pré-clínicas (testes feitos em laboratório ou animais) da Coronavac já estão com a agência, como afirmou ao Estadão Gustavo Mendes, gerente geral de medicamentos da Anvisa. “Ainda não recebemos os dados de fase 1 e 2, por exemplo, mas alguns pesquisadores preferem enviar os dados de todas as fases clínicas de uma vez só”, afirmou.

Ele conta que, mesmo diante de um momento de emergência como o da pandemia, a análise dos estudos precisa seguir alguns trâmites e destaca que análises interinas nem sempre apresentam dados suficientes para a liberação do registro. “A grande questão da análise interina é que, dependendo do porcentual de voluntários infectados, ela pode não ter um poder estatístico para confirmar a eficácia. Para subsidiar registro, a análise interina precisa ter evidência muito robusta”, explica.

Mendes destaca que o prazo máximo para a agência avaliar um pedido de registro de um medicamento ou vacina contra covid é menor do que o adotado para situações normais – dois meses, ante um ano. Mas a análise não é simples. “Um pedido de registro inclui aproximadamente 10 mil páginas de documentos. A gente avalia informações de eficácia e segurança, mas também de qualidade da produção. Precisamos emitir uma certificação para a fábrica na China que vai produzir as doses”, detalha.

Por causa da pandemia, a agência reviu suas regras também quanto à eficácia mínima exigida para a concessão do registro para a vacina. Geralmente, imunizantes só são aprovados se conferirem a partir de 70% de proteção. Para vacinas contra covid, a Anvisa já admite que poderá conceder a licença com 50%.

Caso a Coronavac seja aprovada, já há acordo entre o governo paulista e a farmacêutica chinesa para o fornecimento de 46 milhões de doses ainda este ano.

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ricardo Gazzinelli defende que haja um tempo maior de seguimento dos voluntários antes de ser solicitado o registro. “O ideal é que fossem pelo menos dez meses para medir eficácia”, afirma.

Análise medirá também ação da vacina na redução de casos graves

As análises de eficácia em um estudo de vacina podem medir não só quanto o produto é capaz de reduzir infecções, mas também outros resultados associados à prevenção da doença. “Os pesquisadores podem querer medir o número de infecções, mas podem também verificar se houve redução de mortalidade, se houve redução de casos graves”, explica Gustavo Mendes, gerente geral de medicamentos da Anvisa.

De acordo com informações do site Clinicaltrials.gov, portal do governo americano que reúne informações de ensaios clínicos, os dois desfechos primários que serão medidos no estudo da Coronavac são a incidência de covid nos voluntários duas semanas após a aplicação das duas doses e a ocorrência de eventos adversos. Mas a pesquisa prevê ainda monitorar outros sete desfechos secundários, entre eles a incidência de casos graves de covid, a incidência da doença com apenas uma dose do imunizante, a taxa de soroconversão (quando os anticorpos contra a doença passam a ser detectáveis por exames), entre outros.

A Coronavac é hoje a vacina com pesquisas em estágio mais avançado no Brasil, com 9 mil voluntários já imunizados. O imunizante desenvolvido por Oxford em parceria com a Astrazeneca está em etapa similar, com 6 mil dos 10 mil voluntários já vacinados com ao menos uma dose.

‘Plantão extra’ na corrida por voluntários

Na corrida pela vacina contra a covid-19, os 16 centros de estudo da Coronavac espalhados pelo País estão sendo estimulados pelo Instituto Butantã a acelerar o recrutamento de voluntários. No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, um dos hospitais que participa da pesquisa, foi montada uma força-tarefa para atingir o número esperado de participantes ainda neste mês.

A unidade, que iniciou a imunização de voluntários no final de julho, passou, em setembro, a funcionar também aos sábados. Na mesma época, a equipe que trabalha no estudo foi ampliada de 24 para 40 profissionais. Até o diretor do Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira Júnior, entrou na escala para fazer triagem e consultas com os inscritos. “Particularmente, me motivei demais porque sou médico e não poderia me furtar em contribuir com o time nesse projeto que tem uma finalidade tão nobre.

Após a perda de mais de 1 milhão de pessoas no mundo, sendo 150 mil brasileiros, ajudar a parar essa trágica estatística é o que nos dá todo esse entusiasmo, não só a mim, mas a toda a equipe”, disse Pereira Júnior.

Há seis semanas, o diretor, que também é infectologista, concilia as atividades administrativas nos dias úteis com o atendimento de voluntários nos fins de semana.

O esforço se repete entre outros profissionais, que cancelaram férias e trabalham até 14 horas por dia para atender o maior número possível de voluntários. O Estadão esteve na sexta-feira no centro e acompanhou a rotina de pesquisadores e voluntários, desde o primeiro atendimento até a imunização de fato.

De acordo com Ana Paula Rocha Veiga, infectologista e coordenadora do estudo de campo da Coronavac no Emílio Ribas, a força-tarefa teve resultados. “Nos dois primeiros meses de atendimento (julho e agosto), fizemos a imunização de 190 voluntários. Com a ampliação dos atendimentos em setembro, chegamos a 550 e agora estamos com 750 participantes com pelo menos uma dose tomada”, conta ela, entusiasmada. No Emílio, participarão mil voluntários. Somados todos os centros, serão 13 mil – metade receberá a vacina e a outra metade, placebo.

Cada participante inscrito, antes de tomar o imunizante ou o placebo, precisa passar por consulta médica, exames de sangue, de urina e PCR, para descartar uma infecção pelo coronavírus. Após o resultado dos testes, o participante é liberado para ser vacinado. Todos esses procedimentos são feitos na primeira visita ao centro. Catorze dias depois, o participante volta ao Emílio Ribas para tomar a segunda dose do imunizante ou placebo. Na ocasião, ele passa novamente por consulta e exames. Depois das duas visitas para a aplicação do produto, o paciente passa ainda por mais seis consultas presenciais mensais e acompanhamento semanal por telefone ou mensagem.

Sigilo

Tanto as doses da Coronavac quanto as de placebo ficam guardadas na sala secreta ou sala do sigilo. Somente duas enfermeiras têm acesso ao local. Após receber a primeira dose, o participante ganha um diário em que deve anotar a temperatura dos dias seguintes e outros sintomas que possam aparecer, como dor, enjoo, inchaço no local da aplicação, entre outros. A primeira dose é sempre aplicada no braço direito. A segunda, no braço esquerdo.

Entre os voluntários, a maior ansiedade é saber quando serão informados se tomaram placebo ou a vacina. “Me inscrevi porque queria ajudar na pesquisa, mas também porque tenho esperança de ter tomado a vacina verdadeira e ela ser efetiva”, conta a dentista Elizabeth Paisana Yshay, de 50 anos, que já tomou as duas doses.

A enfermeira Silvana Morais, de 53 anos, tomou a primeira dose nesta semana depois de ser estimulada por um colega médico. “Ele disse que era segura a vacina e me inscrevi por solidariedade. Quanto mais pessoas se dispuserem, mais rápido teremos uma vacina para todos, inclusive no SUS.”

Informações Banda B.

Saiba percentual de população contaminada e taxa de letalidade da covid-19 por cidade da RMC

A cidade de Tunas do Paraná, por exemplo, não teve nenhum dos 8796 moradores morto pela doença

Com base dos dados da Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa) divulgou nesta quinta-feira (15), a Banda B realizou um levantamento detalhado sobre como a covid-19 afeta as cidades da região metropolitana de Curitiba. Grandes centros urbanos, como Curitiba, Colombo e Piraquara, têm uma taxa de mortalidade maior, enquanto cidades mais afastadas, como Piên, Agudos do Sul e Tunas do Paraná, têm números bem mais baixos. A cidade de Tunas, por exemplo, não teve nenhum dos 8796 moradores morto pela doença.

Confira o balanço detalhado com o percentual da população contaminada e a taxa de letalidade:

Adrianópolis
População: 5937
Casos: 183
Porcentagem da população já contaminada: 3,08%
Mortes: 4
Taxa de letalidade: 2,13%

Agudos do Sul
População: 9400
Casos: 76
Porcentagem da população já contaminada: 0,80%
Mortes: 1
Taxa de letalidade: 1,31%

Almirante Tamandaré
População: 118985
Casos: 1758
Porcentagem da população já contaminada: 1,47%
Mortes: 59
Taxa de letalidade: 3,35%

Araucária
População: 144282
Casos: 4273
Porcentagem da população já contaminada: 2,96%
Mortes: 68
Taxa de letalidade: 1,59%

Balsa Nova
População: 12980
Casos: 238
Porcentagem da população já contaminada: 1,83%
Mortes: 5
Taxa de letalidade: 2,10%

Bocaiúva do Sul
População: 12983
Casos: 228
Porcentagem da população já contaminada: 1,75%
Mortes: 3
Taxa de letalidade: 1,31%

Campina Grande do Sul
População: 43420
Casos: 1030
Porcentagem da população já contaminada: 2,37%
Mortes: 23
Taxa de letalidade: 2,23%

Campo do Tenente
População: 7995
Casos: 114
Porcentagem da população já contaminada: 1,42%
Mortes: 3
Taxa de letalidade: 2,63%

Campo Largo
População: 132404
Casos: 3171
Porcentagem da população já contaminada: 2,39%
Mortes: 82
Taxa de letalidade: 2,58%

Campo Magro
População: 29407
Casos: 590
Porcentagem da população já contaminada: 2,0%
Mortes: 12
Taxa de letalidade: 2,03%

Cerro Azul
População: 17833
Casos: 178
Porcentagem da população já contaminada: 0,99%
Mortes: 9
Taxa de letalidade: 5,05%

Colombo
População: 244469
Casos: 3762
Porcentagem da população já contaminada: 1,53%
Mortes: 151
Taxa de letalidade: 4,01%

Contenda
População: 18641
Casos: 208
Porcentagem da população já contaminada: 1,11%
Mortes: 2
Taxa de letalidade: 0,96%

Curitiba
População: 1938999
Casos: 39863
Porcentagem da população já contaminada: 2,05%
Mortes: 1363
Taxa de letalidade: 3,41%

Doutor Ulysses
População: 5597
Casos: 63
Porcentagem da população já contaminada: 1,12%
Mortes: 1
Taxa de letalidade: 1,58%

Fazenda Rio Grande
População: 100515
Casos: 2443
Porcentagem da população já contaminada: 2,43%
Mortes: 75
Taxa de letalidade: 3,06%

Itaperuçu
População: 28721
Casos: 1026
Porcentagem da população já contaminada: 3,57%
Mortes: 21
Taxa de letalidade: 2,04%

Lapa
População: 48310
Casos: 1053
Porcentagem da população já contaminada: 2,17%
Mortes: 14
Taxa de letalidade: 1,32%

Mandirituba
População: 26951
Casos: 442
Porcentagem da população já contaminada: 1,64%
Mortes: 11
Taxa de letalidade: 2,48%

Piên
População: 12785
Casos: 66
Porcentagem da população já contaminada: 0,51%
Mortes: 2
Taxa de letalidade: 3,03%

Pinhais
População: 132560
Casos: 3273
Porcentagem da população já contaminada: 2,46%
Mortes: 92
Taxa de letalidade: 2,81%

Piraquara
População: 113281
Casos: 2267
Porcentagem da população já contaminada: 2,00%
Mortes: 91
Taxa de letalidade: 4,01%

Quatro Barras
População: 23631
Casos: 593
Porcentagem da população já contaminada: 2,50%
Mortes: 14
Taxa de letalidade: 2,36%

Quitandinha
População: 19107
Casos: 319
Porcentagem da população já contaminada: 1,63%
Mortes: 8
Taxa de letalidade: 2,50%

Rio Branco do Sul
População: 32496
Casos: 1002
Porcentagem da população já contaminada: 3,08%
Mortes: 26
Taxa de letalidade: 2,79%

Rio Negro
População: 34274
Casos: 403
Porcentagem da população já contaminada: 1,17%
Mortes: 13
Taxa de letalidade: 3,22%

São José dos Pinhais
População: 324326
Casos: 4117
Porcentagem da população já contaminada: 1,26%
Mortes: 180
Taxa de letalidade: 4,37%

Tijucas do Sul
População: 16919
Casos: 319
Porcentagem da população já contaminada: 1,88%
Mortes: 8
Taxa de letalidade: 2,50%

Tunas do Paraná
População: 8796
Casos: 91
Porcentagem da população já contaminada: 1,03%
Mortes: 0
Taxa de letalidade: 0%

Informações Banda B.