O ano de 2026 marca o centenário de Dom Pedro Fedalto, arcebispo metropolitano de Curitiba entre 1971 e 2003. Para celebrar os 100 anos do religioso, estão previstos dois eventos em agosto: uma comemoração em família na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, na Região Metropolitana, onde ele nasceu, e outra no Seminário São José, em Curitiba, reservada a sacerdotes e bispos convidados.
Dom Pedro vive no Seminário São José, localizado no bairro Orleans. Por causa dos cuidados exigidos pela idade, atualmente exerce poucas atividades, mas mantém o hábito de rezar o terço diariamente. Uma vez por mês, familiares e amigos próximos o acompanham nas orações.
O sobrinho Pedro Jacob Fedalto, conhecido como Pedrinho, trabalha com o tio desde 1974, como auxiliar. Segundo ele, Dom Pedro acompanhou e participou de transformações importantes de Curitiba, sempre com simplicidade e dedicação, especialmente em favor das pessoas menos favorecidas. Diversas parcerias entre a Igreja Católica e setores sociais da Prefeitura foram iniciadas durante sua atuação. “Lembro de várias campanhas por obras sociais na cidade feitas com o apoio e incentivo dele”, lembra Pedrinho.
O sobrinho também destaca a ligação do arcebispo com a família. “Mesmo depois de ordenado, continuou visitando os pais e parentes sempre que pôde. Ele é um guardião de todos nós, garantindo que os familiares estejam bem”, conta.
Pedrinho afirma ainda que Dom Pedro sempre tratou as pessoas com a mesma afetuosidade, independentemente da classe social ou do cargo ocupado. “O legado que ele vai deixar para Curitiba é de um homem de coração, de fé, que sempre tratou bem a todos”, lembra.
Entre os momentos vividos ao lado do arcebispo, o sobrinho considera especialmente marcante a visita do Papa João Paulo II a Curitiba, em julho de 1980. “Dom Pedro trabalhou por esta visita por mais de um ano, em reuniões com outros bispos, o núncio apostólico e autoridades civis”.
O pontífice foi recebido no Aeroporto Afonso Pena e saudado por centenas de milhares de pessoas durante o trajeto até o Centro da cidade. Na ocasião, celebrou uma missa no Estádio Couto Pereira e, no dia seguinte, presidiu uma celebração na Praça Nossa Senhora de Salete, que reuniu grande público. A visita fez parte de um roteiro por 13 cidades brasileiras.
Pedro Antônio Marchetti Fedalto, filho de imigrantes italianos, nasceu em 11 de agosto de 1926. Em 1940, ingressou no Seminário Menor São José, em Curitiba, onde permaneceu até 1946. Depois, cursou Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo.
Ele foi ordenado padre em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, pelo então arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom Manuel da Silveira D’Elboux. Dois dias depois, celebrou a primeira missa solene na Capela de Nossa Senhora do Carmo, na Colônia Antônio Rebouças, localidade onde nasceu.
No início de 1954, foi designado secretário pessoal do arcebispo e passou a morar na Casa Arquiepiscopal, que ficava na Rua Mateus Leme. Em seguida, foi nomeado chanceler da Cúria. Nesse período, escreveu seu primeiro livro, “A Arquidiocese de Curitiba na Sua História”, publicado em 1956.
Como sacerdote, exerceu funções como reitor e diretor espiritual do Seminário Rainha dos Apóstolos, capelão de congregações religiosas, cerimoniário arquidiocesano e vigário geral. Também participou da organização do Congresso Eucarístico Nacional de 1960 e atuou em paróquias e obras pastorais.
Em 1966, aos 39 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Curitiba, em celebração presidida por Dom Sebastião Baggio, então núncio apostólico no Brasil. Para o lema episcopal, escolheu a expressão latina “Veritatem in caritate”, que significa “A verdade na caridade”.
Após a morte de Dom Manuel, em 1970, Dom Pedro Fedalto tomou posse como o quarto arcebispo metropolitano de Curitiba, em 1971. Ele permaneceu à frente da Arquidiocese por mais de 30 anos e presidiu durante 28 anos o Regional Sul II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne os bispos do Paraná.
Ao completar 75 anos, conforme determina o direito canônico, apresentou à Santa Sé o pedido de renúncia ao cargo. Antes do afastamento definitivo, celebrou o Jubileu de Ouro Sacerdotal, em 6 de dezembro de 2003, e concluiu a construção do Palácio Arquiepiscopal, no bairro Mossunguê. A sucessão ocorreu em 2004, com a posse de Dom Moacyr José Vitti. Desde então, Dom Pedro é arcebispo emérito.
Ao longo da vida, encontrou-se pessoalmente com quatro papas: Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Em 2008, recebeu da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) o título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento à contribuição para a educação, a cultura e a vida religiosa no estado.
Entre as principais iniciativas de sua gestão, esteve a descentralização da Arquidiocese em quatro grandes áreas pastorais, organizadas em 18 setores e distribuídas entre os bispos auxiliares. O setor central ficou sob responsabilidade direta de Dom Pedro.
Também se destacam a realização do primeiro Sínodo Arquidiocesano, entre 1987 e 1994, com o objetivo de fortalecer a ação evangelizadora, e a instituição das Santas Missões Populares, realizadas em 1975 e 2000, especialmente voltadas às comunidades mais vulneráveis.
Em 1998, durante a celebração do Ano Santo do Espírito Santo, foi organizada uma Crisma Comunitária no Estádio do Pinheirão. O evento reuniu mais de 12 mil jovens de 145 paróquias da Arquidiocese e contou com a participação de bispos auxiliares, padres, diáconos e catequistas.
Durante sua atuação, Dom Pedro Fedalto criou 74 novas paróquias, ordenou 74 padres diocesanos e acolheu diversas congregações religiosas femininas e masculinas na Arquidiocese de Curitiba.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
📲 Receba as notícias de Curitiba no WhatsApp!
Participe do grupo do Busão Curitiba e fique por dentro de tudo que acontece na cidade. Entrar no grupo ›



