A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aprovou, por 16 votos a 7, uma moção de protesto apresentada pelo vereador Guilherme Kilter (Novo) contra o episódio que resultou no cancelamento de uma palestra na Universidade Federal do Paraná (UFPR), no último dia 9 de setembro. O documento repudia a ação de manifestantes que, segundo o autor, “impediram com violência” a realização do evento.
O que motivou a moção
A palestra “O STF e a interpretação constitucional” ocorreria no Salão Nobre do curso de Direito da UFPR e teria como convidados os vereadores Guilherme Kilter e Rodrigo Marcial, ambos do Novo, além do advogado Jeffrey Chiquini. Manifestantes contrários à realização do evento protestaram no local, o que levou ao seu cancelamento.
Diante do tumulto, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) foi acionada e entrou no prédio histórico da universidade. A dispersão resultou em confronto entre policiais e estudantes.
Na semana anterior, a Câmara já havia aprovado outra moção, em apoio à PMPR, pelo seu envolvimento no caso.
Como votaram os vereadores
A favor da moção estiveram, além de Kilter e Marcial, os vereadores: Andressa Bianchessi (União), Bruno Rossi (Agir), Bruno Secco (PMB), Carlise Kwiatkowski (PL), Da Costa (União), Delegada Tathiana Guzella (União), Fernando Klinger (PL), Indiara Barbosa (Novo), João Bettega (União), Meri Martins (Republicanos), Olimpio Araujo Junior (PL), Pier Petruzziello (PP), Renan Ceschin (Pode) e Tiago Zeglin (MDB).
Votaram contra: Angelo Vanhoni (PT), Camilla Gonda (PSB), Giorgia Prates – Mandata Preta (PT), Laís Leão (PDT), Marcos Vieira (PDT), Professora Angela (PSOL) e Vanda de Assis (PT).
Parlamentares contrários afirmaram que a moção representa um ataque à UFPR e criticaram o uso político do episódio. Já os favoráveis defenderam a liberdade de expressão e condenaram o que classificaram como “censura e violência” contra convidados da palestra.
Declarações em plenário
Durante a votação, Guilherme Kilter disse que foi alvo de agressões verbais e físicas no episódio:
“Fui ameaçado, jogaram bebida em mim e me mantiveram detido contra a minha vontade. Quem cuspiu, agrediu e roubou, vai responder judicialmente. Se não forem expulsos da UFPR, terão de arcar com as consequências financeiras.”
O vereador anunciou que pretende acionar judicialmente estudantes envolvidos.
O colega de partido, Rodrigo Marcial, relatou ter sentido medo dentro da universidade:
“Foi algo muito chocante, especialmente por estar de volta à faculdade em que estudei e me sentir inseguro como nunca.”
A Delegada Tathiana Guzella (União) reforçou que o episódio foi um “atentado contra a democracia”, enquanto Renan Ceschin (Pode) afirmou que a moção não é contra a universidade, “nem contra os estudantes de bem”.
Críticas à moção
A oposição reagiu com indignação. A vereadora Giorgia Prates (PT) exibiu em plenário um vídeo com imagens do protesto, defendendo que a narrativa apresentada pelos vereadores do Novo não corresponde ao ocorrido:
“O extremista que buscou a confusão não foram os manifestantes. Ninguém aguenta mais esse extremismo que coloca os outros em risco para ganhar like.”
Já a Professora Angela (PSOL) afirmou que a aprovação representa uma perseguição aos estudantes:
“A moção é uma violência contra a juventude, contra a universidade e contra a democracia.”
Angelo Vanhoni (PT) destacou a cena da PM entrando na UFPR “com escopetas apontadas para estudantes” e pediu mais responsabilidade ao Legislativo.
Outros parlamentares, como Laís Leão (PDT) e Marcos Vieira (PDT), defenderam o papel da UFPR como produtora de conhecimento. Camilla Gonda (PSB) acrescentou que o episódio serve para enfraquecer a universidade pública e atingir diretamente jovens de periferia.
O que a aprovação significa
Tanto a moção de protesto aprovada nesta segunda-feira (22) quanto a de apoio à Polícia Militar, votada na semana anterior, têm caráter simbólico e político. Elas não representam ações judiciais ou administrativas, mas expressam o posicionamento oficial da Câmara sobre o caso.
O episódio continua a repercutir em Curitiba, dividindo opiniões entre quem defende a liberdade de expressão dos palestrantes e quem aponta a ação dos vereadores como um uso político do ambiente universitário às vésperas das eleições de 2026.
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