Discussão sobre Poluição por Plástico Ganha Destaque com COP30 no Brasil
08/09/2025 – 17:28
Vinicius Loures /Câmara dos Deputados
Assunto foi debatido na Comissão de Legislação Participativa.
Na Câmara dos Deputados, a audiência pública sobre a produção mundial de plásticos destacou o potencial da COP30, marcada para ocorrer no Brasil, em impulsionar as discussões sobre poluição plástica. Os participantes acreditam que o evento pode posicionar o Brasil como protagonista nas negociações internacionais sobre o tema.
Resultados da Reunião em Genebra
O debate ocorreu após a reunião em Genebra, na Suíça, onde foi discutido um tratado internacional sobre a poluição por plásticos. O evento foi promovido pela Comissão de Legislação Participativa em conjunto com a Frente Parlamentar Mista em Apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A deputada Erika Kokay (PT-DF), responsável por solicitar a audiência, enfatizou que a poluição plástica representa uma grave ameaça ambiental, impactando ecossistemas terrestres e marinhos.
Divergências e Desafios na Negociação
Segundo Luciana Melchert Saguas Presas, representante do Ministério das Relações Exteriores, não houve consenso nas discussões em Genebra. As principais divergências giraram em torno de dois pontos:
- Financiamento das ações e definição de responsabilidades;
- Elaboração do ciclo de vida completo dos plásticos.
Ela destacou que as posições dos países variam significativamente, especialmente entre nações produtoras de petróleo e aquelas mais vulneráveis à poluição.
Apoio à Economia Circular
Adalberto Felício Maluf, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, defendeu um pacto global para mitigar os impactos da poluição plástica no meio ambiente e na saúde. Ele afirmou que 38% da gestão de resíduos no mundo continua inadequada e conectou a produção de resíduos à falta de investimentos em modelos de economia circular, mencionando a importância da reintegração dos catadores no processo de reciclagem. “O Brasil ainda descarta R$ 38 bilhões em produtos recicláveis anualmente”, lamentou.
Perspectivas da Indústria Plástica
André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), ressaltou a relevância da indústria de plásticos para a economia nacional, destacando que o Brasil ocupa a quarta posição no setor químico global. Ele mencionou o uso de fontes de energia renováveis e a baixa emissão de carbono comparada a outros países.
Impactos na Saúde Pública
No entanto, Juliana Ferreira, assessora de advocacy da ACT Promoção da Saúde, alertou para os riscos associados ao aumento da produção de plásticos e seu reflexo na crise climática. A ACT atua em favor de políticas de saúde pública há quase duas décadas. Juliana acrescentou que a continuação da produção em alta escala, sem resolver os conflitos de interesse, pode intensificar uma crise de saúde pública devido aos micro e nanoplásticos que entram em contato com o organismo humano.
Reportagem – Mônica Thaty
Edição – Geórgia Moraes
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