O Brasil reafirma sua posição de líder na agenda climática global durante o 21º Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, que se encerra nesta sexta-feira em Nova Iorque. Em entrevista, Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, destacou os avanços no combate à desflorestação e nos planos direcionados às metas de 2030, enfatizando a importância da resiliência e da ação institucional.
Floresta como Sistema Autossustentável
Batmanian ressaltou a conexão essencial entre a cobertura vegetal e a segurança hídrica. Ele observou que as florestas vão além de atuarem como depósitos de carbono; elas funcionam como motores hidrológicos. Um exemplo específico é o ciclo hidrológico na Amazônia, em que quase metade da água na região é gerada pela própria floresta. O diretor argumentou que manter a mata preservada não só ajuda a resistir às mudanças climáticas, mas também a equilibrar as bacias hidrográficas.
O Brasil, segundo o diretor, tem se esforçado para combater a degradação florestal, adotando medidas que vão além da proibição do corte, focando também na recuperação de áreas degradadas que tornam as florestas mais vulneráveis a incêndios.
“O governo conta com um programa que envolve 13 ministérios e 145 ações, resultando numa redução de 55% no desmatamento entre 2022 e 2025. Com a vontade política e os recursos adequados, é possível alcançar essas metas. Estamos também dedicados à restauração de margens de rios e cabeceiras, o que aumenta a resiliência do ecossistema a secas e incêndios.”
A iniciativa destaca a importância da vontade política e da mobilização de recursos para fortalecer os investimentos ambientais e integrar múltiplos ministérios, criando um programa mais robusto.
Estratégia Brasileira em Três Frentes
Batmanian sublinhou a relevância de diferenciar programas de governo dos compromissos de Estado, enfatizando que o Brasil mantém metas ambiciosas até 2030, as quais não dependem de mudanças políticas.
“Temos um programa que valoriza a floresta em pé, oferecendo apoio a pequenos produtores, ao mesmo tempo em que intensificamos ações de comando e controle. Estamos também focados na restauração de áreas já desmatadas, com um compromisso de restaurar 12 milhões de hectares já assumido em 2015.”
O Brasil busca um equilíbrio entre conservação e crescimento, priorizando a valorização de florestas em pé. Além disso, a ativação de fiscalizações para combater crimes ambientais se torna uma peça-chave na estratégia nacional. Para finalizar, o país investe na recuperação ativa das margens de rios e cabeceiras, aumentando a resiliência do sistema contra os impactos de secas e incêndios.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
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