Brasil mantém voos vindos do Reino Unido e diz ‘acompanhar situação’

Uma série de nações anunciou nesta segunda-feira que vai bloquear a entrada de viajantes oriundos do Reino Unido

Enquanto mais de 40 países já estabeleceram vetos para voos oriundos do Reino Unido para se proteger de uma mutação do coronavírus, o Brasil limitou-se, até o momento, a acompanhar a situação e exigir resultado negativo no teste de RT-PCR para qualquer viajante que quiser ingressar em território nacional.

“A portaria número 630, de 17 de dezembro de 2020, em seu artigo 7º, exige o teste do RT-PCR negativo para qualquer viajante, brasileiro ou estrangeiro, que queira ingressar no Brasil por via aérea, inclusive os passageiros de procedência do Reino Unido”, disse a Casa Civil em nota enviada no início da noite desta segunda-feira (21).

“Cabe destacar que o Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19 acompanha diariamente a situação do coronavírus no Brasil e no mundo”, encerra o breve comunicado da pasta comandada pelo general Walter Braga Netto.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que as decisões sobre o fechamento ou abertura de fronteiras e de políticas restritivas para a entrada no país cabem a um grupo interministerial.

O GEI (Grupo Executivo Interninisterial em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional) foi criado em janeiro, quando o novo coronavírus ainda estava praticamente restrito ao território chinês. O objetivo era estabelecer medidas de preparação e enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Integram o grupo sete ministérios, além da Anvisa. Sob a coordenação do Ministério da Saúde também estão Casa Civil, Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Regional e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

“Dessa forma, a decisão de bloquear voos do Reino Unido é do GEI”, informou a agência em nota.

“A Anvisa participa do grupo como órgão de caráter técnico, fornecendo os subsídios necessários para a avaliação e decisão dos ministérios. Neste momento a agência está trabalhando neste assessoramento”, completa.

A reportagem apurou que uma nota técnica pode ser enviada ao GEI nas próximas horas. O documento está sendo elaborado pela Gerência Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras.

Antes da pandemia, a decisão final cabia à própria Anvisa. No entanto, com a criação do GEI, que é coordenado pelo Ministério da Saúde, a decisão saiu da esfera da agência.

O GEI toma decisões referentes a isolamento social, quarentena e também sobre “restrição excepcional e temporária de entrada e saída do país, conforme recomendação técnica e fundamentada da Anvisa, por rodovias, portos ou aeroportos”, afirma legislação de fevereiro.

A reportagem procurou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que não respondeu ao questionamento.

O Ministério das Relações Exteriores informou que não é responsável pelo assunto e sugeriu que fossem procuradas a Casa Civil, ou as pastas da Justiça, da Infraestrutura e da Saúde.

A ausência de uma medida do governo brasileiro é alvo de crítica.

“Mundo fecha as portas para o Reino Unido, devido a preocupação com a alta transmissibilidade da nova variante do vírus. O Brasil, até o momento, não impôs restrição. Estamos sem vacinas. O que está ruim pode piorar. Mas nós cientistas é que somos ansiosos. Para que a pressa?”, escreveu em uma rede social Ethel Maciel, enfermeira, epidemiologista e professora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo).

Ela já havia criticado o governo no dia 12 de dezembro. Maciel é uma das pesquisadoras que assessoravam o governo na elaboração do Plano Nacional de Vacinação da Covid-19. A epidemiologista e outros 35 colegas assinaram uma nota à época relatando surpresa ao saber pela imprensa da existência do plano já consolidado.

Uma série de nações anunciou nesta segunda-feira que vai bloquear a entrada de viajantes oriundos do Reino Unido, aumentando o isolamento de Londres e deixando o país à beira do caos a apenas dez dias do brexit.

Os vetos vieram dois dias após o governo britânico endurecer o lockdown na capital e em outras cidades por causa da mutação do vírus.
De acordo com levantamento da agência de notícias AFP, 42 nações haviam tomado esse tipo de medida até a tarde desta segunda -na noite de domingo, eram 13.

Na América do Sul, Argentina, Colômbia, Peru e Chile já anunciaram o veto para voos com passagem do Reino Unido.

Informações Banda B.

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Em manifesto, jogadores se dizem contra Copa América, mas confirmam participação

Por meio das redes sociais, os jogadores da seleção brasileira divulgaram o manifesto sobre a realização da Copa América no Brasil, após a vitória sobre o Paraguai nesta terça-feira (8), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. No texto, os atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo, em solo nacional, mas confirmaram a participação. “Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira.”

No manifesto, os jogadores explicam que não houve tentativa ou sugestão de boicote à Copa América. Assim se limitaram a expor o desconforto com as mudanças de sede e dificuldades com a organização. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais, nos últimos dias, para criticar a postura da seleção, principalmente do técnico Tite, contrária ao evento no Brasil.

“Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização”, dizem os jogadores, no manifesto.

“É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.”

As informações sobre o descontentamento de integrantes da seleção brasileira surgiram logo após o anúncio de que o Brasil passaria a receber o evento, diante das negativas de Colômbia e Argentina, países que originalmente abrigariam a competição. A insatisfação de jogadores e comissão técnica veio ao encontro da repercussão negativa em sediar a Copa América no Brasil mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus com números que ultrapassam os 470 mil mortos.

Além da situação da pandemia, outro fator que abalou a relação da seleção com a direção da CBF foi a falta de aviso e consulta aos atletas sobre a vinda do torneio para o País. Jogadores ficaram decepcionados com a postura do presidente afastado Rogério Caboclo. O dirigente é acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. O afastamento será pelo prazo de 30 dias.

Antes do duelo com o Equador, na última sexta-feira, o técnico Tite já havia pedido que seus comandados se concentrassem na missão de levar o País a mais uma Copa do Mundo. Mas deixou clara a insatisfação de sua parte e também dos atletas. Após o jogo, o volante Casemiro não entrou em maiores detalhes e reforçou as informações anteriores repassadas pelo treinador.

Nesta quarta-feira, Tite fará uma nova convocação para definir os nomes que atuarão na competição sul-americana. A expectativa é que haja mudanças, uma vez que alguns atletas podem ser chamados para atuar pela seleção olímpica. O Brasil defende o ouro em Tóquio, e alguns jogadores já se mostraram interessados em participar novamente dos Jogos.

A Copa América tem início agendado para 13 de junho. Em Brasília, no estádio Mané Garrincha, às 18h, a seleção brasileira enfrenta a Venezuela, pelo Grupo B. No mesmo dia, às 21h, Colômbia e Equador duelarão na Arena Pantanal, em Cuiabá. Em 14 de junho, será a vez da Argentina começar sua jornada na competição, enfrentando o Chile, no Engenhão, às 18h. Mais tarde, às 21h, Paraguai e Bolívia jogam em Goiânia. A final do torneio está marcada para 10 de julho, no Maracanã.

Confira abaixo o manifesto na íntegra:

“Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto a realização da Copa América.

Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.

Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.

É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.

Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.”

Brasil receberá mais de 4 milhões de vacinas da AstraZeneca em junho

O governador do Piauí e presidente do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT), anunciou a chegada de mais de 4 milhões de doses da vacina AstraZeneca ao Brasil em junho por meio da aliança Covax Facility. Segundo ele, a entrega está prevista para entre os dias 16 e 23 deste mês.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Dias agradeceu o esforço de integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) pela viabilização dos lotes. Segundo o governador, serão 4,038 milhões de doses “para salvar vidas no Brasil”.

Em abril, os governadores tiveram a primeira reunião com a ONU, solicitando a antecipação das doses para o Brasil, diante do elevado número de mortes e de contágio. No último dia 25, o Ministério da Saúde informou a antecipação das 4 milhões de doses, mas sem detalhes a respeito do calendário.