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Brasil Avança 19 posições no Ranking de Liberdade de Imprensa da RSF

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O Brasil apresentou uma melhora em sua posição no índice anual de liberdade de imprensa, conforme divulgado nesta terça-feira (9) pela ONG francesa Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com sede em Paris. Entretanto, a situação global para os jornalistas continua alarmante, com um aumento nos assassinatos, detenções e desaparecimentos de profissionais neste ano, em grande parte devido a conflitos armados e atividades do crime organizado.

Melhora na Liberdade de Imprensa no Brasil

De acordo com a RSF, a evolução na classificação do Brasil reflete uma normalização nas relações entre a imprensa e os órgãos governamentais, especialmente após a posse do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa mudança é considerada um contraste significativo em relação à administração anterior de Jair Bolsonaro, marcada por uma postura hostil em relação aos jornalistas.

Apesar do avanço, a RSF destaca que persistem graves desafios no país, como a violência estrutural contra jornalistas, a concentração de mídias em poucas empresas e a proliferação de desinformação, que prejudica o debate público.

Violência e Assassinatos de Jornalistas

O relatório informa que, nos últimos dez anos, pelo menos 30 jornalistas foram assassinados no Brasil, com três mortes em 2022 diretamente relacionadas à atividade jornalística. Entre esses casos, destaca-se o assassinato do britânico Dom Phillips na Amazônia, quando ele investigava crimes ambientais em terras indígenas.

Panorama Global Alarmante

Em um contexto global, a China ocupa a antepenúltima posição do ranking da RSF e é descrita como a “maior prisão aberta de jornalistas do mundo”, com 121 profissionais detidos entre um total de 503 prisões em 47 países. O relatório também aponta Israel como responsável por mais de 43% dos assassinatos de jornalistas na Faixa de Gaza, com 67 mortes registradas mundialmente desde dezembro de 2024, a maioria resultante de ações de forças armadas ou por organizações ligadas ao crime organizado.

Na América Latina, o México é apontado como o país mais perigoso para jornalistas, com nove assassinatos em 2025.

Jornalistas como Alvos

A RSF lamenta o aumento no número de jornalistas mortos entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, ressaltando que essas mortes são frequentemente resultantes de ações intencionais por parte de forças armadas ou do crime organizado. Atualmente, 503 jornalistas estão presos, com uma significativa concentração na China, Rússia e Mianmar, além de 135 profissionais desaparecidos e 20 mantidos reféns, principalmente na Síria e no Iémen.

No contexto do conflito na Faixa de Gaza, com a guerra entre Israel e Hamas, a RSF afirmou que o exército israelense se tornou um dos principais inimigos dos jornalistas. Vários profissionais foram mortos ou ameaçados, e a organização considera que os jornalistas estão sendo deliberadamente atacados.

Denúncias e Respostas

Apesar das alegações de que ataques a jornalistas são acidentais, a RSF sustenta que essas ações são deliberadas, buscando censurar a informação sobre a situação real nos territórios afetados. O exército israelense defende suas ações como necessárias para combater o Hamas; no entanto, a RSF refuta essa justificativa, chamando atenção para a falta de provas nas alegações de que jornalistas atuam como “terroristas”.

O México, por sua vez, enfrentou o ano mais letal para jornalistas em três anos, com nove mortes, refletindo um cenário grave de impunidade e violência, apesar dos compromissos da presidente Claudia Sheinbaum. Outros países como Ucrânia e Sudão também registraram números altos de jornalistas mortos em 2025.

A diversidade de metodologias usadas por diferentes organizações explica variações nos dados, sendo que a Unesco, por exemplo, aponta 91 jornalistas mortos globalmente em 2025.

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