Bolsonaro e presidente do Paraguai se encontram na Ponte da Amizade para reabrir fronteira

Ligação está fechada desde 18 de março. Agenda presidencial inclui visita às obras da Ponte da Integração, financiadas pela usina de Itaipu

O Palácio do Planalto confirmou que a Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (Departamento paraguaio de Alto Paraná) fechada há quase sete meses em decorrência da pandemia da covid-19, será reaberta no próximo dia 15. A principal ligação entre os dois países está bloqueada desde 18 de março deste ano.

A reabertura será feita durante ato simbólico, nas proximidades das aduanas entre os dois países, com as presenças dos presidentes do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, o “Marito”.  

Bolsonaro e Marito na posse do DGB, em fevereiro de 2019. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Ambos estarão acompanhados de comitiva. Do Brasil estão confirmadas a vinda do ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite de Albuquerque.

Por questões de segurança, a solenidade devera ser restrita. A população poderá acompanhar a solenidade nas imediações (ou por meio de transmissão on-line). Na mesma data, também devem ser reabertas as fronteiras de Ponta Porã (MS) com Pedro Juan Caballero (Paraguai) e de Mundo Novo (MS) com a cidade paraguaia de Salto del Guairá.

A agenda a Foz inclui visita à Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, vizinha a Ciudad del Este. A construção que está avançada, mais de 40% concluída, é financiada pela margem brasileira da usina de Itaipu.

Os detalhes do encontro dos dois mandatários estão sendo discutidos. A agenda poderá sofrer alterações. As medidas sanitárias estão em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde. As fronteiras de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero e de Mundo Novo com Salto del Guairá também devem ser reabertas.

A reabertura da Ponte da Amizade virou um clamor popular. Os paraguaios foram às ruas inúmeras vezes protestar para que a ligação fosse liberada.  No lugar do “fiquem em casa”, “voltar a viver”. Esse é o apelo dos moradores do país vizinho. 

Sinal verde em live

O anúncio da reabertura da fronteira mediante todos os protocolos de segurança foi feito no dia 2 de outubro. Foi um dia depois de o presidente Bolsonaro divulgar em sua live tradicional no último dia 1º que se encontraria com o presidente do Paraguai para debater a possível reabertura da Ponte da Amizade. Acompanhado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o presidente afirmou: “Foz do Iguaçu está bombando”.

Na ocasião, o presidente também voltou a comentar sobre as obras estruturantes financiadas pela Itaipu na região, sob a administração do diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna.

Elogios à administração Silva e Luna

“[A] segunda ponte de Foz [Ponte da Integração Brasil – Paraguai] está 40% executada, fora a ampliação do Aeroporto de Foz do Iguaçu”, disse Freitas. “Foz do Iguaçu está bombando”, reforçou o ministro em sua fala. 

“[Com] 40% da obra executada, eles estão trabalhando em três turnos, é uma obra bonita de ver. Vale a pena”, concluiu.

Na live, Bolsonaro perguntou ao ministro: “Vamos dar uma chegada lá?”. “Quem sabe neste dia [da reunião com o presidente paraguaio] a gente vá à Ponte da Amizade para depois ir à outra ponte”, ressaltou o presidente.

Os investimentos de Itaipu em obras de infraestrutura somam cerca de R$ 1 bilhão. Nesse pacote estão a segunda ponte, a perimetral leste e a duplicação do trecho de 8,7 Km da 469, a Rodovia das Cataratas – uma das principais reivindicações da população e que vai garantir o grande salto de qualidade para Foz do Iguaçu se tornar num grande hub logístico, já que o aeroporto internacional também está passando por melhorias. O terminal está passando por uma ampliação da pista de pouso e decolagem.

O pacote de obras da Itaipu inclui ainda, finalização do mercado municipal, revitalização do Gramadão da Vila A num parque de lazer, construção de ciclovias e pistas de caminhadas e a transformação da Vila A no primeiro bairro inteligente do Brasil. 

Quarta vez em Foz em menos dois anos, segunda em 2020

Esta será a segunda vez que Bolsonaro vem a Foz neste ano. A última foi no dia 27 de agosto. Na ocasião, ele participou do lançamento da pedra fundamental da duplicação de um trecho de 8,7 KM da BR-469, a chamada Rodovia das Cataratas, cujas obras devem ter início no primeiro trimestre de 2021. No ano passado, o presidente visitou a fronteira no dia 26 de fevereiro, durante a posse do general Joaquim Silva e Luna como diretor-geral brasileiro de Itaipu. No dia 10 de maio de 2019, ele retornou à cidade para o lançamento da pedra fundamental da segunda ponte.    

Foz contra a covid-19

Foz do Iguaçu tem adotado todos os protocolos sanitários em função da pandemia. Itaipu criou uma ala de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Ministro Costa Cavalcanti, mantido pela usina, e investiu mais de R$ 15 milhões nesta unidade e na compra de insumos, equipamentos e testes para aplicar na população. No total, os recursos contra a covid-19 chegam a R$ 25 milhões na região Oeste do Paraná, considerando ainda a contratação de 730 bolsistas da área de saúde e outras iniciativas como a concessão de auxílio eventual.

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Saúde distribui cerca de 1 milhão de vacinas contra a covid-19

O Ministério da Saúde informou que conclui, nos próximos dias, a distribuição de cerca de 1 milhão de doses de vacinas contra a covid-19. O imunizante CoronaVac, segundo a pasta, já passou por todas as etapas de certificação necessárias e chega aos estados pronto para utilização.

Um balanço da pasta mostra que, desde o início da campanha de vacinação, cerca de 520 milhões de doses foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal. Os imunizantes são distribuídos de acordo com solicitação feita pelas secretarias estaduais de Saúde, responsáveis por direcionar as vacinas aos municípios.

Até o momento, de acordo com o ministério, 483 milhões de doses foram aplicadas e 166 milhões de pessoas estão com o esquema vacinal completo – duas doses ou dose única-, o que equivale a 78% da população.

Por meio de nota, a pasta destacou que a média móvel de mortes por covid no país está no menor patamar desde abril de 2020.

“Para manter os índices em baixa, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de todos os públicos elegíveis buscarem postos de vacinação para completar o calendário vacinal primário, além da aplicação das doses de reforço”,diz a nota.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil

Em 2040, Brasil poderá ter carência de 235 mil professores, diz estudo

Uma pesquisa divulgada hoje (29) pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) mostra que até 2040 o Brasil poderá ter uma carência de 235 mil professores de educação básica. 

O estudo aponta para um crescente desinteresse, especialmente dos jovens, em seguir a carreira docente. Segundo o estudo, o crescimento no número de ingressantes em cursos de licenciatura foi menor do que no restante do ensino superior. De 2010 a 2020, houve um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que tem como carreira o ensino, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período.

O estudo aponta ainda o problema da evasão. Nos dez anos analisados, o percentual de estudantes que concluiu os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%.

O levantamento foi feito a partir de dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ainda a partir dessa base de dados, a pesquisa mostra que o percentual de novos alunos em cursos de licenciatura com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020.

Assim, a carreira vem registrando, segundo a pesquisa, um envelhecimento dos profissionais. Entre 2009 e 2021, o número de professores em início de carreira, com até 24 anos de idade, caiu de 116 mil para 67 mil, uma retração de 42,4%. Ao mesmo tempo, o percentual de docentes do ensino básico com 50 anos ou mais cresceu 109% no período.

A presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, destaca que a formação de professores com mais de 29 anos não significa, necessariamente, a entrada de novos professores na carreira. Segundo ela, esses profissionais são, na maioria das vezes, pessoas que já trabalham na área. “Isso acontece em razão da lei que obriga o professor em exercício a ter formação mínima na área de pedagogia ou em licenciaturas para o magistério na educação básica”, explica.

Cursos

Algumas carreiras estão em situação mais delicada do que outras. A pesquisa mostra que caiu em 21,3% o número de alunos que concluiu o curso de licenciatura em biologia entre 2016 e 2020. Em química, a redução ficou em 12,8% no período e, em letras, 10,1%.

De acordo com a pesquisa, o número total de docentes da educação básica está estabilizado em cerca de 2,2 milhões desde 2014, após ter tido um crescimento de 10,8% em comparação com 2009. Esses professores atendem uma população de aproximadamente 44,6 milhões de jovens com idade entre 3 e 17 anos.

A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que, em 2040, o Brasil tenha cerca de 40 milhões de jovens nessa faixa etária. Para manter a proporção atual de professores e alunos, seria necessário ter 1,97 milhão de docentes. No entanto, o estudo projeta, a partir das taxas observadas até 2021, que o país chegue a esse momento com apenas 1,74 milhão de professores.

Desinteresse

Professor dá aula em Manaus

Professor dá aula em Manaus – Caminhos da Reportagem/Arquivo TV Brasil

Entre os fatores que levam ao afastamento dos jovens da carreira de professor, o estudo destaca a baixa remuneração. Em 2020, os professores do ensino médio recebiam, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que representa 82% da renda média das pessoas empregadas com ensino superior (R$ 6,5 mil).

Além disso, o estudo aponta para “o abandono da profissão devido às condições de trabalho precárias, como infraestrutura ruim de algumas escolas, falta de equipamentos e materiais de apoio, violência na sala de aula e problemas de saúde, agravados com a pandemia de covid-19”.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil