Beto Preto define atual momento do Paraná como “dramático” e admite possível compra de vacinas

Na terça-feira (2), a taxa de ocupação das UTIs no Paraná era de 92%

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, definiu o atual momento de enfrentamento à Covid-19 como “dramático” no Paraná. Em entrevista coletiva, concedida durante o recebimento de mais 146 mil e 800 doses da Coronavac, nesta quarta-feira (3), ele afirmou que a estrutura de atendimento do estado está no limite e apenas com a redução na circulação das pessoas é possível evitar a falta de leitos de enfermaria e UTI.

“Muitas pessoas parecem não estar entendendo ainda, mas temos nesse momento a maior quantidade de leitos Covid desde o início da pandemia. Nós batemos quase 1,4 mil leitos de UTI. Hoje a internação entre leitos SUS e não SUS bate na casa de 3,8 mil pacientes internados no Paraná, é muito grave”, explicou o secretário.

Na terça-feira (2), a taxa de ocupação das UTIs no Paraná era de 92%. Segundo o boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), 699 pacientes aguardavam internação entre leitos de UTI e enfermaria.

De acordo com Beto Preto, o Governo do Paraná não gosta de impor medidas restritivas, mas elas são necessárias. “A você, que acha que já acabou, que está saindo de casa nesse período, não ache que queremos interromper atividade de ninguém. Nós queremos o Paraná trabalhando, avançando, mas não temos mais equipes, não temos mais equipamentos, nós mais do que dobramos a rede de UTI neste período de pandemia, isso sem hospital de campanha e leitos sem condição de atendimento”, desabafou.

Variante brasileira

Ao reforçar o pedido por isolamento social, Beto Preto lembrou da presença da nova variante sobre o estado, a surgida em Manaus. “A transmissão dela é de quatro a seis vezes mais rápida e agressiva. É uma variante que muitas vezes afeta pessoas mais jovens”, disse.

O secretário ainda citou um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que comprovaria a transmissão comunitária da nova cepa. Entre 216 testes realizados no Paraná, 70% dos infectados estaria com a nova variante.

Vacinas

O Paraná recebeu nesta quarta-feira mais 146 mil e 800 doses da CovonaVac, vacina desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Segundo Beto Preto, porém, o Paraná não descarta uma compra emergencial. “Nós estamos conversando, temos o consórcio Paraná Saúde e estamos vendo com laboratórios e farmacêuticas. Talvez possamos ter alguma vacina, mas nesse momento a produção não consegue atender a todos. Aqui, reiteramos a cobrança e apoios a mais vacinas pelo Plano Nacional de Imunização, que é quem deve comprar e distribuir aos estados”, concluiu.

Informações Banda B.

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Curitiba chega a mais de 70% da população completamente imunizada

Curitiba chegou a 71,6% da população completamente imunizada (com duas doses ou dose única), de acordo com os dados atualizados até 27 de novembro pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Considerando apenas a população com 18 anos completos ou mais, esse índice de cobertura chega a 90,8%. Considerando o recorte da população com 12 anos completos ou mais, a cobertura fica em 83,8%.

“Com a imunização completa da população avançando, vamos ficando todos, a cada dia, mais e mais protegidos contra esse mal”, afirma o prefeito Rafael Greca.  

“É a alta cobertura vacinal, aliada a medidas não farmacológicas como distanciamento social, uso da máscara e higiene das mãos, que poderá nos proteger em relação a nova variante ômicron”, afirma a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak.

Mesmo com a alta cobertura de pessoas com a imunização completa, 81.662 moradores da cidade que já poderiam ter recebido a segunda dose ainda não compareceram. Uma taxa de faltosos de 5,8%, segundo dados computados até 24 de novembro.

De acordo com Márcia, é importante também que todos que já estejam no prazo para receber a dose de reforço e tenham sido convocados compareçam aos pontos de vacinação. “Com a nova variante é ainda mais importante a dose de reforço. Precisamos manter a imunidade alta e a dose complementar tem esse papel no sistema imunológico”, explica Márcia.

Curitiba já aplicou 3.118.896 unidades do imunizante, sendo 1.526.482 primeiras doses e 1.357.552 segundas doses; 38.259 doses únicas; e 196.603 doses de reforço. Ao todo, 80,3% da população em geral recebeu ao menos uma dose do imunizante. Isso significa que foram vacinadas com ao menos uma dose 1.564.741 pessoas em Curitiba.

Vacinados com 18 anos ou mais

Entre a população com 18 anos ou mais, 1.413.260 receberam a primeira dose; 1.333.925 receberam a segunda dose e 38.259 pessoas receberam a vacina em dose única.

Curitiba também está aplicando as doses de reforço para quem já completou o ciclo de imunização. Até este sábado (27/11), 196.603 pessoas receberam a dose complementar.

Adolescentes de 12 a 17 anos

Até o momento, a SMS vacinou 113.222 adolescentes entre 12 e 17 anos. Destes, 23.627 já receberam também a segunda dose.

Doses recebidas

Até o momento, Curitiba recebeu do Ministério da Saúde, repassadas pelo Governo do Paraná, 3.386.900 doses de vacinas, sendo 1.614.832 para primeira dose, 1.488.755 para segunda dose, 38.290 doses de aplicação única e 245.023 doses de reforço. Nesse montante já estão contabilizados os 5% de reserva técnica.

A reserva técnica é uma medida de segurança, faz parte dos protocolos da logística e é necessária para evitar problemas no fluxo de imunização que possam ser causados por imprevistos eventuais, como a quebra acidental de frascos.

O município tem capacidade para vacinar, já tendo aplicado 45,6 mil doses em um único dia, e o avanço do cronograma de imunização ocorre à medida que as doses são enviadas pelo Ministério da Saúde ao governo estadual, responsável por distribuir os lotes do imunizante aos municípios.

Confira detalhes da vacinação contra a covid-19 no Painel Covid-19 Curitiba.

Ômicron é nome da nova variante identificada na África do Sul

A OMS (Organização Mundial da Saúde) batizou como ômicron a nova variante do Sars-Cov-2 sequenciada pela primeira vez na África do Sul.

O nome foi dado na sexta-feira (26), em reunião na qual o grupo técnico independente que assessora a OMS classificou a variante como “de preocupação” – o que indica que ela pode causar mais danos que a versão original do coronavírus.

Segundo a entidade, serão necessárias “algumas semanas” para entender os efeitos das muitas mutações da ômicron sobre o contágio, a gravidade da doença ou a eficácia da vacina.

Cientistas da África do Sul e do Reino Unido disseram estar trabalhando “24 horas por dia” para destrinchar o novo mutante, e fabricantes de imunizantes também começaram a se preparar para adaptar seus fármacos à ômicron, se necessário.

Os temores de que a nova variante seja ainda mais transmissível que a delta, mas não tão suscetível às vacinas já disponíveis, fez governos no mundo todo suspenderem voos vindos do sul da África e impondo quarentenas a quem chega de países em que ela foi detectada.

Os nomes derivados do alfabeto grego fazem parte do sistema de nomenclatura utilizado pela OMS para identificar novas mutações -entre outros objetivos, como o de evitar as siglas técnicas, está o de evitar que países fiquem estigmatizados por terem feito o sequenciamento.

Até virar ômicron, o novo mutante vinha sendo chamado pela sigla técnica B.1.1.529, que designa sua posição num sistema de linhagens do coronavírus.

A OMS e os cientistas acompanham variantes que possam, potencialmente, infectar humanos com mais facilidade ou escapar da proteção oferecida pelas vacinas.

Em geral, quando um novo mutante com esse risco surge, mas ainda não foi suficientemente estudado, a variante é chamada “de interesse” – é o caso da mu, identificada na Colômbia.

Se o potencial de maior dano é comprovado, ela passa a ser “de preocupação” -como a alfa, a beta, a gama e a delta.

O grupo técnico que considerou a ômicron como “de preocupação” ainda não havia detalhado os motivos para isso até as 16h desta sexta.

Durante todo o dia, conforme as Bolsas de Valores caíam, os aeroportos fechavam e as restrições subiam, cientistas alertavam para a necessidade de vacinar o maior número possível de pessoas contra a Covid-19, já que grandes grupos de não vacinados permitem ao vírus circular mais livremente, o que acelera suas mutações.

Para especialistas, o esforço de vacinação precisa ser intensificado, especialmente nas populações de países pobres onde até agora poucos foram imunizados.

Além das vacinas, é preciso manter medidas de saúde pública e cuidados individuais que evitem a transmissão do patógeno, afirmam os cientistas.

Isso porque os imunizantes, embora tenham alta eficácia contra doenças graves e mortes por Covid, não impedem completamente o contágio, e a proteção oferecida se reduz com o tempo.

Lições da quarta onda

Como evitar um novo repique de casos e mortes

1 – Medidas de saúde pública

Vacinar a maior parcela possível de idosos, vulneráveis e profissionais de saúde Vacinar a maior parcela possível da população adulta Ouvir os que recusam a vacina para entender seus motivos, dar respostas a suas dúvidas e restaurar a confiança na imunização Vacinar jovens e crianças, nos países em que há imunizantes suficientes e já aprovados para essas faixas etárias Dar a todos os adultos uma dose de reforço seis meses após a vacinação completa, priorizando idosos e vulneráveis Manter sistema de testes, rastreamento de contatos e isolamento de casos suspeitos Manter orientações claras contra aglomeração e de uso de máscara em locais fechados ou onde distanciamento não for possível Divulgar informações de forma clara e transparente Quando os números refluírem, retirar restrições de forma gradual, sem reduzir vigilância

2 – Medidas individuais

– Vacinar-se completamente e tomar a dose de reforço seis meses após a vacinação completa, se disponível Evitar aglomerações e locais fechados

– Usar máscaras quando o distanciamento for impossível; o uso eficaz de máscara envolve cobrir boca e nariz e evitar contaminação ao retirá-la

– Cobrir boca e nariz com a parte interna do cotovelo ao tossir ou espirrar, para evitar transmissão do vírus pelas mãos

Lavar as mãos constatemente, com sabão, durante ao menos 20 segundos

– Testar-se se tiver sintomas e evitar contatos até receber um resultado negativo

– Isolar-se e avisar contatos se tiver resultado positivo