Beto Preto confirma que Paraná irá receber 400 mil doses das vacinas de Oxford e Coronavac

O Estado pretende vacinar cerca de 250 mil pessoas seguindo o Plano Nacional de Imunização. A informação foi divulgada na manhã desta sexta-feira (15)

O secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, confirmou nesta sexta-feira (15), que o Paraná irá receber 100 mil doses da vacina de Oxford e 300 mil da Coronavac para vacinar a população. Com isto, o Estado poderá vacinar cerca de 250 mil pessoas, seguindo as prioridades do Plano Nacional de Imunização (PNI) efetuado pelo Ministério da Saúde.

“A Anvisa vai autorizar, nos próximos dias, o uso de algumas vacinas. Possivelmente, a Coronavac e a Astrazeneca/Oxford. Neste mês de janeiro, segundo o planejamento do Governo Federal, teremos 2 milhões da Astrazeneca e 6 milhões da Coronavac. Em torno de 5% deste total será destinado ao Paraná. Portanto, se separarmos as vacinas da Sinovac em duas doses, poderemos, somente em janeiro, imunizar cerca de 250 mil pessoas”, disse.

O número faz parte do Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19 que pretende distribuir os imunizantes proporcionalmente entre todos os estados do Brasil.

Uma nova reunião entre o Ministério da Saúde e os secretarias estaduais está marcada para a tarde desta sexta-feira (15).

Grupos prioritários

O secretário relembrou que o grupo prioritário estadual é formado por cerca de 272 mil profissionais da linha de frente do combate à Covid-19, índios acima de 18 anos mapeados em comunidades isoladas de 30 municípios do Paraná e idosos que vivem em asilos e casas de repouso. “Será um processo que deve durar o ano todo, de forma escalonada conforme forem chegando as vacinas. Mas a ideia é conseguir imunizar o grupo de risco em até 90 dias e quatro milhões de paranaenses até o fim de maio”, comentou.

Informações Banda B.

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Após dias de 41° C e recordes de calor, frente fria traz tempo mais ameno e chuvas ao Paraná

A onda de altas temperaturas por todo o mapa do Paraná vai ser substituída pela frente fria que chega nesta quinta-feira (27) ao Estado. O aumento da umidade já trouxe maior sensação de abafamento nesta quarta-feira (26), quando devem ocorrer chuvas a partir da tarde. Com a chegada da frente fria que se aproxima pelo extremo sul do País, o tempo fica instável, as chuvas terão acumulados significativos e, por consequência, as temperaturas ficam mais amenas.

“Nesta quinta-feira a aproximação de uma nova frente fria reforça a condição de tempo instável sobre o Paraná. São esperadas pancadas de chuva fortes, com raios e não se descarta até a ocorrência de vendavais e de granizo. O calor ameniza de forma bem expressiva”, informa a previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

É um alívio para algumas cidades que registraram temperaturas elevadas ao longo da semana. Uma retrospectiva dos recordes de temperaturas máximas pelo Estado indica uma lista longa desde o último fim de semana. No domingo (23), Loanda e São Miguel do Iguaçu alcançaram temperaturas históricas.

Na segunda-feira (24), por exemplo, houve recorde do ano em Pato Branco, Londrina, Maringá, Paranavaí, Cianorte e Cândido de Abreu, com destaque para Guaíra, com 41,3° C, que superou o patamar de todo o histórico de medição (desde ago/1997).

Na terça-feira (25), a quebra de recorde histórico foi em Foz do Iguaçu, que chegou aos 41,4° C, valor mais alto na cidade desde 1998 (início de operação da estação meteorológica do Simepar). Em Guarapuava, a máxima de 32.2°C foi a maior deste ano e da série histórica para o mês de janeiro (1998-2022). Nesses casos, a sensação térmica fica ainda superior, dependendo da velocidade dos ventos, da umidade do ar e outros fatores.

PRÓXIMOS DIAS – A previsão do tempo do Simepar já indica a diferença esperada para os termômetros. Em Curitiba, por exemplo, que registrou 33,1° C no último domingo (23), a temperatura mais alta registrada na cidade desde setembro de 2020, deve chegar à máxima de apenas 16° C no sábado (29). No mesmo dia, a previsão de máximas fica em 23° C para Foz do Iguaçu e de 25° C para Guaíra, que ficaram acima dos 40° C durante o último fim de semana.

Circulação menor do vírus é a maior vantagem de frequentar ambientes com vacinados, avaliam especialistas

Após um ano do início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, que atualmente imunizou quase 70% da sua população com as duas doses do protocolo inicial, os dados indicam que 90% das pessoas que estão desenvolvendo a doença na forma mais grave ou precisam ser hospitalizadas são aquelas que não completaram o esquema vacinal. 

Percentual de pessoas por país já totalmente imunizadas com duas doses. Imagem: Projeto Our World in Data, Universidade de Oxford

Com novas variantes em circulação pelo mundo, observa-se o escape parcial de algumas dessas cepas aos imunizantes que atualmente estão sendo aplicados. Isso faz com que muitos questionem: “se é possível contaminar e ser contaminado mesmo após a vacina, por que alguns lugares exigem comprovação do esquema vacinal?”. 

Quem responde essa pergunta é o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Novo Coronavírus na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Maltempi de Souza. “O objetivo de exigir a vacinação é sanitário. O intuito é reduzir a circulação do vírus, especialmente nos locais por onde transitam muitas pessoas”. 

Apesar de muitos infectados, mesmo que vacinados, transmitirem o vírus a outros indivíduos, a chance de isso acontecer é muito menor caso estejam com o esquema de vacinação completo. Isso porque os vacinados apresentam uma carga viral menor e por menor período de tempo do que aqueles que não se imunizaram. “Temos esses dados para diversas variantes, inclusive para a Delta, que é uma cepa de transmissibilidade muito alta, assim como a Ômicron. Quem tem menos vírus, transmite menos. Quem está infectado e transmite por menos tempo, também vai transmitir menos”, explica o professor.

A chefe da Unidade de Infectologia do Hospital de Clínicas da UFPR e coordenadora do estudo da vacina CoronaVac no Paraná, Sonia Mara Raboni, também afirma que a menor carga viral e o menor tempo de eliminação do vírus impactam na transmissibilidade. “Se as pessoas têm uma quantidade menor de vírus sendo eliminada e por um tempo menor, aliando-se às medidas restritivas que já são recomendadas – como máscara e distanciamento social -, há diminuição da possibilidade de infecção de outras pessoas”.

Para Souza, o elemento que melhor comprova essa situação é o cenário brasileiro ao longo de 2021. Até junho, mês em que o país bateu o recorde de número de casos de Covid-19 registrados em menos de 24 horas – chegando a passar de cem mil notificações -, o aumento de infectados era constante. A partir de julho, quando a vacinação foi bastante intensificada no Brasil, houve uma estabilização, seguida de um forte declínio nos registros da doença. “A partir de agosto ficou muito clara a queda progressiva do número de casos”, destaca o pesquisador que chama atenção para o aumento da mobilidade da população nos meses seguintes. 

O Paraná, por exemplo, apresentou, em outubro de 2021, o menor índice de isolamento social desde junho de 2020, quando a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) passou a incluir o dado nos Informes Epidemiológicos. A média de paranaenses em isolamento, que girava em torno de 45% e 48%, caiu para 39,2 em outubro. No sentido oposto, a média móvel de mortes por Covid-19 teve uma redução, no mesmo mês, de 48% e esse cenário se repetiu nos meses seguintes, atingindo patamares extremamente baixos comparados aos demais períodos da pandemia.

Evolução temporal do número de mortos por Covid-19 no Brasil. Imagem: wcota/covid19br

De acordo com o especialista, observar uma taxa de transmissão da Covid-19 menor do que 1, isto é, cada infectado transmitindo para menos de uma pessoa (assim como aconteceu no segundo semestre de 2021), com um aumento de mobilidade nesse grau, quando a única mudança que se teve no combate ao vírus foi o aumento da vacinação, deixa claro o impacto e a importância dos imunizantes.

Vacina continua sendo aliada contra a Ômicron

Souza explica que a variante Ômicron produz uma alta carga viral nas vias aéreas superiores, isto é, nariz e garganta. Esse pode ser um dos motivos que a tornam uma das cepas de maior propagação. Contudo, mesmo com o altíssimo número de casos que a Ômicron tem causado, é possível observar um número relativamente baixo de internação. “Isso indica que, mesmo que a variante escape parcialmente da vacinação, a estratégia ainda faz muita diferença. Se está afetando a internação, podemos compreender que essas pessoas estão ficando doentes com menor carga viral e por menos tempo, o que influencia na transmissão”. 

Conforme dados da Sesa – PR, entre os dias 15 e 21 de janeiro o estado registrou um total de 104.134 diagnósticos de Covid-19, o que representa um aumento de 254,87% na média móvel de novos casos nas últimas duas semanas. A região teve a segunda maior taxa de incidência do Brasil, compreendendo 7,49% dos registros de todo o país. Apesar da elevada incidência de casos, com relação aos óbitos, a taxa de letalidade da doença caiu expressivamente, mantendo-se em 2% no Paraná. 

O panorama atual de mortes é bem distinto do de 2021, quando, só em março, a doença matou em média uma pessoa a cada 40 minutos. Ao longo daquele mês, um dos piores desde o início da pandemia, foram registrados 4.186 mortes e 137.095 novos diagnósticos. No primeiro semestre do ano passado, o Paraná teve 20,5 mil mortes. Enquanto, no segundo, o número caiu para sete mil, indicando uma quantidade 65% menor de falecimentos, acompanhando o avanço da vacinação pelo estado. 

O pesquisador compara a média móvel de novos casos e de mortes para demonstrar a importância da imunização. “Atualmente, temos praticamente o mesmo número de casos ativos que tínhamos em março do ano passado, quando a pandemia fez um número elevado de vítimas. Porém, a média móvel de mortes é mais de dez vezes menor que a daquele período. Isso mostra o impacto da vacina na população e, quanto mais pessoas forem vacinadas, maior será esse impacto”, avalia.

Durante a prevalência da Delta, as chances de uma pessoa vacinada transmitir o vírus a outras era mais de 50% menor do que a possibilidade de transmissão a partir de um não vacinado. Ainda não há esse dado para o período de predomínio da Ômicron, porém, como ela pode ser considerada uma das doenças infecciosas de maior transmissibilidade já conhecida, é esperado que essa situação se altere, mas ainda há menores chances de transmissão entre imunizados.

Circular entre vacinados é estratégia no combate à Covid-19

De acordo com Raboni, se houvesse um programa de vacinação mundial em massa, a pandemia já estaria chegando ao fim. “Nós ainda estamos sofrendo consequências dessa pandemia por conta da limitação de vacinação em muitos países, que sabemos que têm problemas até mais sérios que o Brasil”, salienta.

“A grande vantagem de circular em ambientes frequentados apenas por pessoas vacinadas é justamente a menor transmissibilidade do vírus”, revela Souza. Ele destaca que se a máscara reduz a transmissão em mais de 70% – fazendo uma média que leva em conta os níveis de proteção de diversos tipos do artefato – somada à redução da propagação pelos vacinados, ganha-se em menor transmissibilidade de um modo geral.

“Cada pouquinho que adicionamos nesse contexto, proporciona uma menor probabilidade de uma pessoa se contaminar com a doença. Com menos chances de contaminação, menor a circulação do vírus e, quanto menor for a circulação do vírus, menor será a taxa de contágio”, insiste o professor, ao lembrar que uma taxa de transmissão menor do que um, a longo prazo, pode significar o desaparecimento da doença.

Atualmente, a taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil é a maior em um ano, segundo a plataforma de monitoramento Info Tracker – desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela Universidade de São Paulo (USP). A taxa é de 1,83 neste momento (24 de janeiro), o que significa que cada 100 infectados transmitem o vírus para outras 183 pessoas. Esse índice é o mesmo vigente para o estado do Paraná, em 20 de janeiro, segundo a plataforma Loft Science. O índice é o terceiro maior do país.

“Com esse nível de transmissão, precisamos associar todas as formas de evitar o contágio: aumentar o distanciamento entre as pessoas, usar máscara sempre e continuar com a vacinação. Não dá pra abrir mão de nenhuma dessas estratégias”, alerta Souza. Ele ainda recorda que, em um cenário de contaminação similar a esse, no início da pandemia, a atitude adotada pelas autoridades foi a implementação do lockdown. “Nessa situação de propagação da doença, sem as vacinas só teríamos uma opção: fechar tudo. Com a vacinação, nós podemos manter as nossas atividades e ainda assim conviver com esse vírus”, pondera.

No contexto de pandemia de um vírus ainda pouco conhecido e tão devastador, não existe uma arma capaz de dar conta sozinha do problema. Existem várias ferramentas que devem ser utilizadas de forma conjunta e das quais não se pode abrir mão. A vacina e a máscara são as principais aliadas nessa luta, pois protegem individualmente e toda a comunidade. Sobre as máscaras, Souza ainda adverte que, quanto mais transmissível for a doença, melhor deve ser a máscara e mais constante o seu uso. “O ideal, nesse momento, é usar a PFF2 ou N95”.

A infectologista enfatiza que a vacina é importante para o coletivo e que não se pode justificar a recusa em se vacinar. “A vacina protege a comunidade. Se uma pessoa quer participar da comunidade e frequentar ambientes com outras pessoas, ela deve pensar na saúde de todos ao seu redor e precisa se vacinar”. Além disso, ela reafirma a credibilidade da ciência. “A ciência já está tão à frente que não se discute mais benefício de vacina, O que ela nos mostrou até hoje é que vacinas fazem a diferença no controle da pandemia”, finaliza.

Informações UFPR