Os bebês reborn, bonecos hiper-realistas que imitam recém-nascidos, têm ganhado destaque no Brasil, especialmente em Curitiba. Recentemente, o uso desses bonecos para obtenção de benefícios destinados a crianças reais, como prioridade em filas e atendimentos, motivou a apresentação de projetos de lei e discussões sobre os limites do uso desses objetos.
Origem do Bebê Reborn
A técnica conhecida como “reborning” surgiu nos Estados Unidos na década de 1990, quando artistas começaram a transformar bonecas comuns em representações extremamente realistas de bebês. O processo envolve pintura em camadas, aplicação de veias, implantação de cabelos fio a fio e adição de peso para simular o de um recém-nascido real. O termo “reborn” significa “renascido” em inglês, refletindo a transformação detalhada pela qual a boneca passa.
Popularização no Brasil
Embora presentes no país há algum tempo, os bebês reborn ganharam popularidade significativa nos últimos meses. Segundo dados do Google Trends, o interesse por “bebê reborn” atingiu picos de busca em outubro de 2024 e novamente em abril de 2025. Esse aumento está ligado à viralização de conteúdos nas redes sociais, como vídeos de “partos” simulados e rotinas de cuidados com os bonecos.
Maternidade Reborn em Curitiba
Curitiba abriga a “Maternidade Bebê Reborn Curitiba”, localizada no bairro Juvevê. Fundada em setembro de 2020 pela artesã Aline Lima, a maternidade oferece bonecos feitos em vinil ou silicone, com preços que variam de R$ 2 mil a R$ 15 mil, dependendo das preferências e exigências dos clientes. Os detalhes das bonecas, como expressões faciais, tonalidade dos olhos e tipo de cabelo, podem ser personalizados.

Projeto de Lei em Curitiba
Em Curitiba, o vereador Renan Ceschin (Pode) apresentou um projeto de lei que proíbe o uso de bebês reborn para obtenção de benefícios destinados a crianças de colo, como atendimento prioritário em filas e assentos preferenciais. A proposta prevê advertência por escrito na primeira infração e multas que podem chegar a R$ 1.500 em casos de reincidência. Os valores arrecadados seriam destinados ao Fundo Municipal da Infância e Adolescência (FMIA).
O vereador justificou a proposta afirmando que o uso de bebês reborn para simular a presença de uma criança real infringe a legislação que garante prioridade a gestantes e pessoas com crianças de colo. Segundo ele, há relatos de profissionais da saúde que receberam pedidos de atendimento para bebês reborn, o que motivou a apresentação da medida.
Discussão Nacional
A polêmica em torno dos bebês reborn não se limita a Curitiba. No Congresso Nacional, foram apresentados projetos de lei que visam proibir o atendimento de bebês reborn em unidades de saúde públicas e privadas, bem como o uso desses bonecos para obtenção de benefícios sociais. Um caso emblemático ocorreu em Goiás, onde um casal disputou na Justiça a “guarda” de uma boneca reborn, que possuía perfil nas redes sociais e gerava lucros com publicidade.
O uso de bebês reborn para simular a presença de crianças reais tem gerado debates sobre os limites do uso desses bonecos e a necessidade de regulamentação. Enquanto alguns defendem o uso terapêutico dos reborns, outros alertam para possíveis abusos e a necessidade de preservar os direitos garantidos por lei a gestantes e pessoas com crianças de colo. A discussão continua em andamento, tanto em Curitiba quanto em âmbito nacional.
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