Os casos de liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank têm gerado grande repercussão na mídia. Enquanto o Banco Master teve sua liquidação decretada em novembro de 2025, a situação do Will Bank foi definida em 21 de agosto de 2023. A discrepância nos prazos trouxe questionamentos por parte de investidores e clientes.
Processo de liquidação
Após a liquidação do Banco Master, o Will Bank passou a ser administrado temporariamente pelo Banco Central (BC). A medida visou proteger os clientes e buscar uma solução, como a venda para um novo investidor, para evitar a descontinuidade das operações.
O Banco Central emitiu um comunicado destacando suas tentativas de “conservar o funcionamento” da Will Financeira, controladora do Will Bank. No entanto, não foi esclarecido se realmente houve uma tentativa de venda do banco digital, que atendia principalmente consumidores de baixa renda na região Nordeste.
Motivos da liquidação
A situação financeira do Will Bank complicou-se com um aumento significativo dos passivos e problemas operacionais. O descumprimento de compromissos com o arranjo de pagamentos da Mastercard foi o fator determinante para a liquidação. A falha culminou no bloqueio da participação do banco no sistema da bandeira, resultando na suspensão do uso dos cartões, o que, segundo o BC, caracterizou a insolvência da instituição.
O BC ressaltou que a liquidação se tornou necessária diante do comprometimento da situação econômico-financeira do Will Bank e da sua incapacidade de cumprir obrigações.
Conceito de liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um processo administrativo para encerramento ordenado das atividades de instituições financeiras em grave crise. Essa medida gera apreensões entre os clientes, que se preocupam com suas contas e investimentos.
Quando a situação financeira se torna insustentável, o objetivo principal é proteger depositantes e credores, evitando prejuízos maiores e uma falência desordenada.
Decisão sobre a liquidação
A responsabilidade por decretar a liquidação extrajudicial cabe exclusivamente ao Banco Central, podendo ser iniciada pelo próprio órgão ou, em algumas situações, pelos administradores da instituição, se houver previsão estatutária. A legislação permite essa medida em casos de insolvência, descumprimento de normas, fraudes, falhas operacionais ou gestão temerária.
Além de bancos, seguradoras e entidades de previdência privada aberta também podem ser submetidas a esse regime.
Consequências para a instituição
Uma vez decretada a liquidação, todas as operações do banco são suspensas, incluindo contas e novos contratos. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para gerenciar a venda de ativos e o pagamento aos credores.
Impacto para os clientes
Os clientes perdem o acesso imediato aos serviços e se tornam credores no processo de liquidação. O pagamento do saldo dependerá das garantias disponíveis e das ações do liquidante.
Segurança dos investimentos
Os depósitos e alguns investimentos têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Essa proteção abrange produtos como conta corrente, CDB, LCI e LCA, embora variações possam ocorrer em conglomerados financeiros.
Atualmente, o FGC está desembolsando R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores do Banco Master. Inicialmente, a previsão de pagamentos estava entre R$ 41 bilhões e R$ 43 bilhões, mas o passivo subiu para R$ 46,9 bilhões devido ao aumento nas obrigações.
Dívidas dos clientes
A liquidação extrajudicial não anula dívidas dos clientes. Empréstimos e financiamentos permanecem válidos, com a administração dos contratos passando a ser feita pelo liquidante ou por outra instituição que venha a assumir parte das operações.
Proteção dos bens de administradores
A lei determina que os bens de controladores e ex-administradores da instituição liquidada ficam indisponíveis até que suas responsabilidades sejam apuradas, oferecendo proteção adicional aos credores.
Orientações para clientes
Clientes com contas em instituições liquidadas devem reunir documentos e acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central e do liquidante. O FGC não cobra taxas por pagamentos e alerta sobre possíveis fraudes em momentos de instabilidade financeira.
Diferenciamento entre liquidação e falência
Embora semelhantes, liquidação extrajudicial e falência não são equivalentes. A liquidação extrajudicial é uma medida inicial que ocorre sob supervisão administrativa. A falência é uma possibilidade posterior, caso os ativos sejam insuficientes ou irregularidades mais graves sejam identificadas.
Os recentes incidentes envolvendo o Banco Master e o Will Bank sublinham a importância de consumidores conhecerem seus direitos em situações de crise no sistema financeiro.
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