O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou que a balança comercial brasileira registrou, em novembro, o menor superávit em quatro anos. O resultado se deve ao aumento nas importações e à queda nas exportações de petróleo. Em um contexto econômico desafiador, o superávit foi de US$ 5,842 bilhões, refletindo uma redução de 13,4% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Resultados de Novembro
Em novembro, as exportações totalizaram US$ 28,515 bilhões, representando um aumento de 2,4% em relação ao mesmo mês de 2022. Por outro lado, as importações alcançaram US$ 22,673 bilhões, alta de 7,4% na mesma comparação. Este resultado torna-se o pior para o mês desde 2021, quando registrou um déficit de US$ 1,11 bilhão.
Acumulado do Ano
No acumulado de janeiro a novembro, o superávit é de US$ 57,839 bilhões, 16,8% inferior ao mesmo período do ano anterior. Desde 2022, este é o menor registro para esse intervalo. O total das exportações foi de US$ 317,821 bilhões, com uma alta de 1,8%, enquanto as importações somaram US$ 259,983 bilhões, alta de 7,2%.
Desempenho por Setores
O crescimento das exportações em novembro variou por setores:
- Agropecuária: +25,8% (alta de 20,1% no volume e 4,1% no preço médio);
- Indústria extrativa: -14% (queda de 9,8% no volume e 4,8% no preço médio);
- Indústria de transformação: +3,7% (alta de 5,2% no volume e queda de 2% no preço médio).
Principais Produtos Exportados
Os produtos que impulsionaram as exportações foram:
- Agropecuária: soja (+64,6%), milho não moído (+12,6%), café não torrado (+9,1%);
- Indústria de transformação: produtos semiacabados de ferro ou aço (+102%), aeronaves (+86,1%), carne bovina (+57,9%).
A indústria extrativa, em contrapartida, viu uma queda em suas exportações, especialmente em minérios de cobre (-64,2%) e óleos brutos de petróleo (-21,3%). A queda nas exportações de petróleo bruto totaliza US$ 963 milhões em comparação a novembro de 2022, influenciada por manutenções programadas nas plataformas.
Crescimento nas Importações
O aumento nas importações é atribuído à recuperação econômica, com destaque para:
- Agropecuária: centeio e aveia (+332,8%), soja (+2.753%);
- Indústria extrativa: carvão não aglomerado (+53,4%), gás natural (+20,5%);
- Indústria de transformação: combustíveis (+63,7%), máquinas de processamento automático de dados (+115,3%).
Projeções para o Futuro
Para 2023, o Mdic projeta um superávit comercial de US$ 60,9 bilhões, com exportações estimadas em US$ 344,9 bilhões e importações em US$ 284 bilhões. Essas previsões são revisadas trimestralmente e refletem um cenário menos otimista do que o indicado por instituições financeiras, que projetam um superávit de US$ 62,85 bilhões.
O ano passado apresentou um superávit de US$ 74 bilhões, enquanto 2021 registrou um pico de US$ 98,9 bilhões. A comparação dos dados reforça a necessidade de atenção às dinâmicas do comércio exterior brasileiro.
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