Artista formada na UFPR vence prêmio nacional de Artes Visuais com instalação sobre trabalho e pesquisa poética

Érica Storer de Araújo fala sobre relação da pesquisa em Artes
proporcionada pela UFPR com sua trajetória

Érica Storer de Araújo, 28, foi uma das vencedoras do 7º Prêmio EDP nas Artes, com a instalação “Sonhe alto, trabalhe muito, vá longe”, exposta no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A exposição integra 10 artistas dos 456 inscritos para o prêmio nacional e segue até 10 de janeiro do ano que vem, com protocolos de segurança devido à pandemia de Covid-19. A artista curitibana que ficou entre os três premiados se formou em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e já apresentou seus trabalhos em países da Europa.

Instalação premiada “Sonhe alto, trabalhe muito, vá longe” é composta por um recorte suspenso de um escritório. Fotos: Instituto Tomie Ohtake/Divulgação /Divulgação


Érica fala sobre a importância do reconhecimento do público ao artista. Comenta também sobre a relevância que a pesquisa acadêmica em Artes proporcionada pela UFPR teve para sua trajetória, além das inspirações e reflexões propostas por suas instalações e performances.
A instalação premiada “Sonhe alto, trabalhe muito, vá longe” é composta por um recorte suspenso de um escritório, com mesas, cadeiras, prateleira, pequenos armários e um arquivo, além de computadores e outros objetos. Uma abordagem irônica e crítica sobre o fracasso e o sucesso na sociedade neoliberal.

“O título, advindo de expressões motivacionais, ou ainda do que chamamos de coaching, está ligado à promessa da ascensão social por meio do trabalho. Se o desejo da conquista é representado pela escada, alcançar algo elevado, então que esse trabalho esteja lá no alto, mas sem escadas. Por outro lado, há também o desejo pela queda. A materialidade de algo suspenso revela a iminência desse colapso”, detalha.
É a primeira vez que o Prêmio EDP nas Artes não tem ganhadores do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, algo que para a artista é muito marcante, uma vez que os assuntos e as urgências passam a ser vistas sob uma perspectiva mais abrangente, sem o foco do principal eixo econômico do país. Para ela, estar no rol de obras selecionadas é motivo de felicidade, mas também de responsabilidade e reflexão.


“Receber um prêmio é ao mesmo tempo recompensador devido ao reconhecimento por um trabalho e engajamento com minha pesquisa poética, considerando o seu alcance nacional, mas também é um momento de pensar sobre esses procedimentos do contexto da arte de seleção e competitividade e como eles têm sido construídos pelas instituições”, argumenta.


Formação e pesquisa
Não é preciso formação acadêmica para ser artista. Porém, Érica afirma que na trajetória dela a experiência universitária foi um diferencial tanto para sua formação técnica e poética como também para a sua aproximação com esferas de promoção à arte e à cultura.

Para Érica, experiência na UFPR foi diferencial para sua formação técnica e poética – na foto, artista faz performance sobre mandíbula em evento internacional na Itália. Foto: Lorenza Cini/Divulgação


“A universidade é o lugar da pesquisa, discussão, extensão e de engajamento artístico e social. Sua função não é movida apenas de interesses poéticos individuais, mas também por um compromisso com a história e sociedade, entendendo e modificando o seu curso”, relata.
No Departamento de Artes (DeArtes) da UFPR, Érica participou de diferentes projetos, como no Centro Acadêmico de Artes Visuais, bolsista no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e de iniciação científica, no Museu de Arte da UFPR (MusA), e, por fim, fez intercâmbio na Croácia por meio do programa Erasmus+.

Dentre os temas que pesquisou, Érica realizou relevantes trabalhos que abordavam os eixos temáticos do corpo, o desempenho, o trabalho e o fracasso na sociedade contemporânea. Também participou por três ocasiões do Circuito Universitário da Bienal Internacional de Curitiba (CUBIC), que é realizado a cada dois anos. Érica também foi uma das homenageadas no aniversário de 105 anos da UFPR, quando diversos membros da comunidade tiveram perfis publicados na página da Universidade.


Todos esses feitos mostram uma trajetória sólida tanto no campo acadêmico quanto no artístico, segundo a professora Stephanie Dahn Batista, do Departamento de DeArtes e vice-diretora do Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) da UFPR.


“Acompanhei Érica desde o primeiro ano de graduação e acredito que ela teve um proveito muito grande de tudo o que a universidade pública pode oferecer. Ou seja, uma experiência que toma a arte como área de conhecimento específico. Que proporciona o aprendizado de técnicas artísticas, além de pesquisas poéticas com profundo referencial bibliográfico que permitem ao artista se situar, dialogar, referenciar e interagir tanto com o universo artístico quanto com a sociedade”, conta.

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Feiras, mercados e sacolões voltam a funcionar aos domingos

Considerados serviços essenciais, Sacolões da Família, feiras livres e Mercados (Municipal e Cajuru) voltam a funcionar no próximo domingo (20). Nas semanas passadas, os pontos da Prefeitura de Curitiba estavam abertos apenas de segunda a sábado.

O decreto nº 990 de 2021, que prorrogou a bandeira laranja até o dia 23 de junho, permite agora que os locais, incluindo as nove feiras de domingo (Prado Velho, Praça 29 de Março, Bacacheri, Jardim Saturno, Fazendinha, Barreirinha, Campo Comprido, Cajuru e Vista Alegre), reabram para a população.

Os estabelecimentos precisam seguir rigorosamente os protocolos estabelecidos pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Todos os espaços devem dispor álcool em gel 70% e são obrigatórios o distanciamento social e o uso de máscara.

Se tiver vacina, Curitiba consegue imunizar público-alvo em 30 dias, diz prefeitura

Se recebesse a quantidade necessária de vacinas anticovid-19 para seu potencial de atendimento, em menos de 30 dias Curitiba terminaria de imunizar com a primeira dose toda a população acima de 18 anos (1.453.329 pessoas) – considerando um plano de vacinação de domingo a domingo. A cidade tem capacidade para vacinar até 30 mil pessoas por dia.

No entanto, com a atual quantidade de vacinas recebidas desde 20 de janeiro, início da campanha de vacinação, Curitiba conseguiu imunizar com a primeira dose 650.472 pessoas – pouco mais de um terço do público-alvo (população até 18 anos). 

Outro fator que dificulta acelerar a imunização é a quantidade de grupos prioritários inseridos nos planos Nacional e Estadual de Vacinação Contra a Covid-19, e que precisam ser atendidos pelo município, responsável por colocar o plano em prática.

Foto: SMCS

Atualmente, Curitiba tem mais de dez grupos prioritários com cronograma de vacina aberto. As doses entregues pelo Governo do Estado vêm “carimbadas”, ou seja, com as quantidades já definidas para cada um desses grupos. 

“Se pudéssemos vacinar a população apenas por critério de idade, como fizeram países como Inglaterra e Israel, por exemplo, seria muito mais rápido, menos burocrático e atenderíamos a população indistintamente de categorias”, avalia Márcia Huçulak, secretária municipal de Saúde de Curitiba.

Estoque de doses em Curitiba

Nesta quinta-feira (17), Curitiba abriu as salas de vacinação contra a covid-19 com um estoque de 41.758 doses para a primeira aplicação, já descontado as perdas eventuais que ocorrem no processo de aplicação, que hoje é de cerca de 1,9%, índice bem abaixo dos 5% previstos pelo Plano Nacional de Imunização.

O público estimado até o fim da semana é de 43.012 pessoas dos seguintes grupos agendados ou com doses já definidas para atendimento:

Forças de segurança – 4.200 doses 
Educação Superior – 14.132 doses 
Educação básica – 2.500 doses 
Trabalhadores da limpeza – 3.200 doses 
Gestantes, puérperas e comorbidades – 5.000 doses (média de 1.800/dia) 
Trabalhadores de saúde – 12.900 doses (agendados pelo aplicativo Saúde Já) 
Pessoas privadas de liberdade – 1.080

Além desses grupos, Curitiba segue atendendo a população com 53 anos completos e mais que ainda não tomaram a primeira dose