Aos 59 anos, Paulo Roberto da Silva vive uma rotina que, há pouco mais de um ano, parecia distante. Todos os dias, ele se prepara para o trabalho e caminha até o supermercado onde atua como auxiliar de padeiro. Com renda, paga o aluguel do quarto onde mora e voltou a manter contato com a irmã.
A mudança ocorreu depois de Paulo passar cerca de dois anos em situação de rua e fazer uso abusivo de substâncias psicoativas. Em março de 2025, ele procurou a Casa de Passagem Padre Pio, da Fundação de Ação Social (FAS), e pediu ajuda para superar a dependência.
“Eu decidi que não queria mais aquela vida louca. Fui até a Padre Pio e falei que queria ajuda. O que eu precisava era ter uma ocupação”, conta.
Na unidade, Paulo foi atendido pela assistente social Cristina Alves. Depois da escuta e da elaboração conjunta de um plano de ação, ele foi encaminhado para atendimento de saúde mental no Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), da Secretaria Municipal da Saúde, e para a busca por trabalho.
“Paulo chegou com vontade de mudar de vida, e partir disso, construímos com ele um plano possível, ele aderiu às ações propostas, retomou o trabalho e conquistou autonomia. É muito bom acompanhar esse processo”, diz Cristina.
Durante seis meses, Paulo ficou acolhido em uma unidade do programa Nova Morada Vida Nova, da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Humano (SMDH). Em setembro de 2025, começou a trabalhar em uma grande rede de supermercados, na profissão que exercia desde 1998.
“Fiquei e estou feliz por voltar a trabalhar, em uma profissão que gosto muito”, afirma.
Depois de começar a receber o salário, Paulo morou em um pequeno hotel. Para reduzir as despesas, encontrou um quarto para alugar a cerca de 20 minutos de caminhada do trabalho.
O acompanhamento da FAS continua sendo feito mensalmente. Em março de 2026, Paulo também conseguiu restabelecer o vínculo com a irmã. Segundo ele, no início ela teve resistência, mas a relação mudou depois que soube que ele havia interrompido o uso de drogas.
“Quando cheguei na casa dela, ela até brincou que eu estava gordo. A droga emagrece a gente”, conta.
Uma história marcada por desafios
A trajetória de Paulo é marcada por dificuldades desde a infância. Nascido em Londrina, no Norte do Estado, ele veio ainda criança para Curitiba para fazer um tratamento médico. Aos 7 anos, por causa das dificuldades econômicas da família, foi deixado pela mãe em um educandário.
Aos 12 anos, passou para o Centro de Formação Profissional para Menores Campo Comprido. Aos 17, foi transferido para a Escola Agrícola de Arapoti, onde concluiu o ensino fundamental.
Aos 18 anos, retornou a Curitiba e, dois anos depois, voltou a ter contato com a mãe e a irmã. Trabalhou em diferentes atividades e viveu durante anos com autonomia, mas o uso de drogas provocou novos conflitos e dificuldades.
Com a continuidade do uso, perdeu a casa da família onde morava e passou a viver nas ruas. Nesse período, teve contato com diferentes serviços da rede de assistência social. O primeiro registro de atendimento pela FAS ocorreu em dezembro de 2022, por meio da abordagem social.
Até março de 2025, ele alternava períodos dormindo nas ruas com estadias em casas de passagem e nem sempre aceitava o atendimento oferecido.
Ocupação para manter a mente focada
Além do tratamento e do trabalho, Paulo encontrou outras formas de fortalecer a nova rotina. Uma delas foi a leitura. Ele passou a ler muitos livros para manter a mente ocupada e evitar recaídas.
“Era um jeito de focar na hora que dava vontade de usar alguma coisa de novo”, explica.
Paulo atribui parte importante da recuperação às orações das irmãs da Casa da Acolhida São José, que frequentava no bairro Mercês, e ao apoio recebido na FAS.
“Parabenizo a fundação e as pessoas que trabalham nela. A FAS e as irmãs foram um apoio para mim, são pessoas que querem o bem dos outros”, afirma.
Para o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, a história de Paulo mostra a importância de uma rede integrada de atendimento da Prefeitura, com acolhimento, orientação e oportunidades para que cada pessoa possa reconstruir sua trajetória.
“A história do Paulo mostra que a superação é possível quando existe acolhimento, oportunidade e, principalmente, quando a própria pessoa decide dar um novo passo. A Prefeitura está ao lado de quem precisa, com serviços que ajudam a recuperar vínculos, acessar direitos, buscar tratamento, encontrar uma oportunidade de trabalho e conquistar autonomia”, afirma.
Atualmente, Paulo faz planos simples, mas significativos: continuar no trabalho, ter condições de pagar o aluguel e garantir a alimentação.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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