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Alexandre Curi defende afastamento de Moraes e diz que votaria pelo impeachment no Senado

Candidato ao Senado pelo Paraná classificou como “gravíssimos” os fatos revelados pela investigação da PF sobre a relação do ministro do STF com Daniel Vorcaro

O candidato ao Senado pelo Paraná Alexandre Curi (Republicanos) afirmou nesta quarta-feira (2) que defende o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que votaria favoravelmente a um eventual processo de impeachment caso seja eleito.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pela Gazeta do Povo. Curi relacionou sua posição às informações reveladas pela investigação da Polícia Federal sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

“Já me manifestei e quero reiterar que sou a favor do impeachment. Sem viés ideológico. Um senador tem que votar como juiz, baseado em provas. Já existiam fatos gravíssimos e, agora, novas provas apareceram. Meu voto é favorável ao impeachment”, afirmou Curi durante a entrevista.

Curi defende afastamento de Alexandre de Moraes

Relatório produzido pela Polícia Federal reúne mensagens, documentos e registros relacionados à proximidade entre Moraes e Vorcaro.

Entre os elementos revelados estão conversas entre os dois e metadados de um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Diante das informações, Curi afirmou que o Senado deveria analisar a situação.

“O Senado precisa se reunir e se posicionar sobre a questão do impeachment. Eu defendo o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, inclusive para preservar a instituição. Se o processo estiver em plenário e eu estiver no Senado, voto favoravelmente ao impeachment, sem pauta ideológica, mas pelas provas”, declarou.

Investigação ainda está em andamento

As informações reveladas pela Polícia Federal não significam, por si só, uma condenação ou o reconhecimento definitivo de irregularidades praticadas pelo ministro.

O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, deu prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República antes da definição dos próximos passos relacionados ao material produzido pela PF.

O escritório de Viviane Barci de Moraes também já se manifestou sobre informações relacionadas aos contratos com o Banco Master. A banca afirma que houve apenas um contrato firmado com o banco e contesta informações relacionadas a um segundo acordo.

Curi propõe mudanças no funcionamento do STF

Durante a sabatina, Alexandre Curi afirmou que a discussão não deveria ficar restrita a um eventual processo contra Moraes.

O candidato defendeu mudanças nas regras relacionadas ao funcionamento e à fiscalização do Supremo.

Entre as propostas apresentadas estão mecanismos externos de fiscalização, restrições à atuação de parentes de ministros na advocacia, período de quarentena após a aposentadoria e maior transparência sobre palestras remuneradas.

“Todos os poderes precisam de mecanismos de fiscalização. Precisamos estabelecer regras claras, inclusive com vedação para parentes de ministros até terceiro grau advogarem na Corte e transparência sobre palestras: quem contratou, quanto pagou e se aquela empresa tem interesse jurídico no Supremo”, afirmou.

Curi também defendeu mudanças no processo de indicação dos ministros do STF, atualmente realizado pelo presidente da República, com aprovação posterior pelo Senado.

Segundo ele, o modelo deveria ampliar a participação de integrantes da magistratura e de instituições do sistema de Justiça.

“Precisamos acabar com essa lógica em que o presidente da República pode indicar para o Supremo alguém diretamente ligado a ele, ao seu partido ou até seu advogado. Temos que criar um modelo que privilegie currículo, experiência e independência”, disse.

O que o Senado tem a ver com o impeachment de ministros do STF?

A posição de Curi ganha relevância eleitoral porque cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal nos crimes de responsabilidade.

Por isso, a posição dos candidatos ao Senado sobre eventuais pedidos de impeachment de integrantes da Corte pode se transformar em tema da campanha eleitoral de 2026.

Curi afirmou que pretende combinar a atuação em temas nacionais com pautas diretamente relacionadas ao Paraná.

“Menos Brasília, mais Paraná”

Na entrevista, o candidato citou como prioridades para o estado projetos de infraestrutura e mudanças na distribuição de recursos.

Entre os temas mencionados estão Nova Ferroeste, renovação da Malha Sul, contorno ferroviário de Curitiba, terceira pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena, revisão do pacto federativo, royalties, tabela do SUS e regulamentação da reforma tributária.

“O Paraná é a quarta economia do Brasil e não pode continuar sem a força que merece no Senado. Quero discutir os grandes temas nacionais, defender meus princípios e valores, mas sem esquecer quem me colocou lá. É menos Brasília, mais Paraná”, afirmou.

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