Curitiba está entre as dez cidades escolhidas pelo Global Cities Fund for Migrants and Refugees (GCF) para receber uma subvenção destinada ao desenvolvimento de soluções de oportunidade econômica, resiliência climática e esporte para pessoas que vieram de outras cidades e países. O anúncio foi feito pelo Mayors Migration Council (MMC) neste domingo (20/9), em Nova Iorque, durante a Cúpula de Prefeitos do Urban 20 (U20), fórum que reúne governos locais dos principais centros urbanos do mundo e chefes de Estado do G20, organismo de cooperação econômica mundial.
“Conectar os talentos de migrantes e refugiados com o setor de turismo sustentável em expansão em Curitiba é uma vitória para os recém-chegados, para as empresas locais e para uma cidade mais verde e acolhedora”, disse o prefeito Eduardo Pimentel.
Ao longo de dois anos, a capital paranaense receberá US$ 400 mil para desenvolver uma plataforma digital que conectará migrantes e refugiados a empregos formais na área do turismo sustentável. O projeto será gerido pelo Departamento da Criança, Adolescente e Migrantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), com apoio da Assessoria de Relações Internacionais (Arin).
O recurso faz parte dos US$ 3,5 milhões que serão distribuídos entre as cidades selecionadas. Além de Curitiba, integram a lista a capital paulista, Dadaab (Quênia), Londres (Reino Unido), Lviv (Ucrânia), Maipú (Chile), Montego Bay (Jamaica), Montevidéu (Uruguai), Nouakchott (Mauritânia) e Toronto (Canadá). Durante a implantação dos projetos, as cidades também receberão suporte técnico.
Curitiba é a capital brasileira com o terceiro maior número de migrantes e refugiados do país. O município abriga mais de 40 mil pessoas nessa situação, e mais de 3 mil não têm nenhuma renda familiar proveniente de emprego formal.
O Mayors Migration Council é uma coalizão liderada por prefeitos que trabalham para acelerar ações globais relacionadas às migrações. Segundo a organização, as cidades geram mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e oferecem oportunidades aos recém-chegados por meio de mercados de trabalho diversificados e de possibilidades de empreendedorismo.
Migrantes e refugiados que vivem em áreas urbanas, por sua vez, podem contribuir para a economia local ao suprir a escassez de mão de obra, atuar em serviços essenciais e estimular a inovação em setores como saúde, resiliência climática e cuidados pessoais.
Apesar disso, esse público frequentemente enfrenta barreiras que limitam seu potencial econômico, como a discriminação e o acesso restrito a oportunidades de trabalho e ao sistema financeiro. Essas dificuldades podem aumentar a vulnerabilidade à economia informal e à gig economy, modelo baseado em tarefas pontuais de curto prazo, realizadas por demanda e sem vínculo empregatício.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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