Uma gestante migrante recém-chegada do Zimbábue participou pela primeira vez de uma oficina de saúde em Curitiba com o apoio de tradução simultânea entre português e inglês. A atividade foi realizada no Distrito Sanitário do Tatuquara, quando ela estava por volta da 37ª semana de gestação e ainda não falava português.
A barreira do idioma foi identificada pelo nutricionista e residente em Saúde da Família Thiago Augusto Biscouto, de 43 anos. Ele passou a traduzir as orientações da equipe e permitiu que a gestante acompanhasse e participasse do encontro.
Durante a oficina, a futura mãe tirou dúvidas sobre os temas apresentados. Ao final, deixou anotações sobre o que aprendeu a respeito do parto natural e da importância do aleitamento materno nos primeiros meses de vida do bebê. Ela também agradeceu pela sensibilidade do profissional.
Segundo Thiago, a presença de pessoas migrantes é frequente nos atendimentos da região. Por isso, ele considera necessário que os profissionais tenham atenção redobrada para garantir o acesso universal à saúde.
“Faz diferença quando eles veem que a gente está interessado. Alguns chegam com receio na unidade ou nas oficinas, com aquele medo mesmo de que vão ser julgados ou deixados de lado. E fazemos esse esforço para incluir sempre”, diz.
Para o residente, o trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS) não se limita aos procedimentos técnicos. “A gente vê como é importante para a paciente, o quanto elas se sentem acolhidas e o quanto muda a feição delas no momento em que percebem que vão ser acolhidas e cuidadas”, ressalta.
Caminho até o SUS
Thiago Biscouto atua como residente R1 de Nutrição em Saúde da Família em um programa oferecido pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas). Antes de chegar à saúde pública, ele cursou licenciatura e bacharelado em Educação Física.
Durante a formação e o período em que trabalhou em academias, participou de grupos de pesquisa voltados a crianças e adolescentes com obesidade, sobrepeso e diabetes tipo 2. A experiência contribuiu para que desenvolvesse uma atenção direcionada à saúde e ao processo pedagógico de ensinar e acolher.
Em 2016, decidiu iniciar a graduação em Nutrição, concluída logo após a pandemia. Depois de conversar com colegas de profissão, escolheu a especialização em Saúde da Família para vivenciar a rotina do atendimento público.
Na avaliação do nutricionista, a experiência de campo transforma o conteúdo acadêmico em uma vivência concreta, marcada pelo contato com as necessidades e as histórias dos pacientes. “Quando chegamos no trabalho de campo, na residência, percebemos a realidade dos pacientes, suas necessidades e suas histórias. O atendimento e o cuidado se tornam mais humanos, não apenas sobre números e dados.”, reflete.
No contato diário com a comunidade, Thiago afirma que seu principal propósito é estimular o autocuidado e reforçar a dignidade de cada cidadão. “É fazer com que as pessoas também se vejam como indivíduos que merecem ter cuidado, atenção e carinho e que não são só mais um na empresa, no ônibus ou na comunidade. Que elas se reconheçam, cuidem da própria saúde e saibam que vale a pena cuidar de si mesmas”, finaliza.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
📲 Receba as notícias de Curitiba no WhatsApp!
Participe do grupo do Busão Curitiba e fique por dentro de tudo que acontece na cidade. Entrar no grupo ›





